5 perguntas para Eduardo Tega, fundador e CSO da Sportheca
O hub já participou da criação de programas de inovação, acelerou startups e ajuda a aproximar o ecossistema esportivo brasileiro da tecnologia

Enquanto bilhões de pessoas acompanham a Copa do Mundo de 2026, a tecnologia está em toda parte – da transmissão dos jogos à análise de desempenho dos atletas, passando pela IA que ajuda clubes a encontrar talentos e entender seus torcedores.
Mas muitas das inovações que estão transformando o futebol permanecem invisíveis para quem assiste às partidas.
Poucas pessoas acompanham essa transformação há tanto tempo quanto Eduardo Tega. Cofundador da Universidade do Futebol, ele também é fundador da Sportheca, hub de inovação que conecta clubes, federações, marcas, investidores e startups para desenvolver soluções voltadas ao esporte e ao entretenimento.
Nos últimos anos, a Sportheca participou da criação de programas de inovação, acelerou startups e ajudou a aproximar o ecossistema esportivo brasileiro da tecnologia.
Em conversa com a Fast Company Brasil, Tega explica como a inteligência artificial já está sendo usada para desenvolver atletas, por que o Brasil ainda produz poucos casos de inovação esportiva com alcance global e quais tecnologias podem mudar a forma como torcedores, clubes e marcas se relacionam nos próximos anos.
FC Brasil – Quando pensamos em tecnologia no futebol, a maioria das pessoas lembra do VAR. Mas qual é a tecnologia mais importante para o esporte hoje que o torcedor quase nunca vê?
Eduardo Tega – Vou te responder fazendo o elogio de uma tecnologia antiga, mas que fica crucial em Copa do Mundo. Estava vendo um jogo do Brasil em um bar e percebi que outra TV transmitia a partida cerca de dois segundos à frente da nossa. Praticamente fomos “avisados” de um gol antes de ele acontecer na nossa tela.

É curioso, porque hoje temos tecnologias de streaming muito mais acessíveis e convenientes, mas as limitações de delay em comparação à transmissão via satélite ainda ficam evidentes. Durante a Copa, isso se torna ainda mais perceptível.
O torcedor descobre que uma solução que já adotou para assistir aos jogos tem limitações importantes. Há muita gente trabalhando para reduzir esse intervalo.Quando isso acontecer, será uma inovação enorme para a experiência esportiva.
FC Brasil – Durante muito tempo, a inovação no esporte esteve associada ao desempenho dos atletas. Hoje, onde estão surgindo as maiores oportunidades de negócio no setor?
Eduardo Tega – Durante uma partida de futebol, uma quantidade enorme de dados é coletada sobre os jogadores. Tradicionalmente, essas informações eram usadas pelas áreas de performance para entender os porquês do jogo. Agora, parte desses dados está chegando ao torcedor na forma de entretenimento.
Um exemplo é a câmera acoplada ao árbitro, adotada pela FIFA. Uma amiga comentou comigo que aquele ângulo oferecia uma perspectiva totalmente nova da partida, algo que ela jamais tinha experimentado.
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Pequenas inovações como essa mudam profundamente a forma como as pessoas consomem o esporte e criam novas oportunidades para mídia, conteúdo e engajamento.
FC Brasil – A inteligência artificial é uma das protagonistas desta Copa. No esporte, o que a IA já faz de forma concreta e o que ainda é mais promessa do que realidade?
Eduardo Tega – A IA já consegue processar os dados de uma academia de formação de jogadores e traduzir essas informações em indicadores muito práticos sobre o potencial de um atleta.

Antes, esses dados estavam dispersos e eram avaliados principalmente a partir da experiência e dos vieses individuais de técnicos e analistas.
Hoje, o processo pode ser mais técnico e eficiente, permitindo que mais jovens talentos sejam identificados e aproveitados. Isso gera não apenas ganhos esportivos, mas também impacto social.
Além disso, a IA já pode ajudar esses atletas a desenvolver conhecimentos teóricos sobre o jogo e melhorar aspectos cognitivos importantes para sua evolução dentro e fora de campo.
FC Brasil – O Brasil é uma potência quando o assunto é formar atletas. Por que ainda produzimos poucos casos de inovação esportiva com alcance global? O que precisa acontecer para mudarmos esse cenário?
Eduardo Tega – A inovação no esporte brasileiro avançou muito nos últimos anos. Com a profissionalização dos clubes e o avanço das SAFs [Sociedades Anônimas do Futebol], cresce também a demanda por soluções tecnológicas. Isso tem impulsionado a criação de startups voltadas para o setor.
O investimento global em tecnologia esportiva continua aumentando. À medida que mais pessoas compreendem o potencial econômico da inovação no esporte e no entretenimento, veremos empresas brasileiras ganhando escala.
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O que ainda falta é uma visão estratégica mais consistente por parte do poder público para um setor que deveria ser tratado como parte importante do soft power brasileiro.
FC Brasil – Existe alguma tecnologia ou tendência no esporte que hoje recebe pouca atenção, mas que você acredita que será decisiva na próxima década?
Eduardo Tega – As inteligências artificiais voltadas para o engajamento personalizado dos torcedores devem transformar a forma como clubes de médio porte se relacionam com suas comunidades.
A capacidade de criar experiências mais relevantes para os fãs ainda está longe de atingir seu potencial máximo. O torcedor é o ativo mais valioso de um clube e a tecnologia pode ajudar a construir relacionamentos muito mais profundos.
Com a possível redução da dependência das receitas ligadas às apostas esportivas, esse movimento deve ganhar ainda mais força nos próximos anos.