5 perguntas para Gloria Steimen, ativista e escritora

A escritora ganhou destaque como ativista de justiça social e figura-chave do movimento feminista de segunda onda nas décadas de 1960 e 1970

entrevista com Gloria Steimen, ativista e escritora
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Shalene Gupta 4 minutos de leitura

Ativista e escritora, Gloria Steinem luta por equidade de gênero e igualdade racial desde o final dos anos 60. Aos 92 anos, ela não está nem um pouco pronta para parar.

Gloria é a fundadora da revista "Ms." e ganhou destaque como ativista de justiça social e figura-chave do movimento feminista de segunda onda nas décadas de 1960 e 1970, especialmente por seus textos lúcidos e perspicazes, incluindo o clássico "Se os homens pudessem menstruar".

Ela organiza encontros em sua casa há décadas. Discussões recentes abordaram temas como inteligência artificial e desejo sexual. A Fast Company conseguiu sentar para uma conversa breve, porém intensa, com Gloria Steinem depois do encontro feito no mês de junho. 

Fast Company – Estamos vendo um número recorde de mulheres em cargos de liderança deixar o mercado de trabalho porque dizem estar esgotadas. São executivas que, em pleno 2026, ainda afirmam que precisam escolher entre as responsabilidades de cuidado e suas carreiras. Como você interpreta esse movimento?

Gloria Steinem – Acredito que exista certo ressentimento em relação ao poder feminino. Por causa disso, provavelmente há uma ideia de que temos mais poder do que realmente temos, como se, de alguma forma, não fosse natural que mulheres detivessem o poder.

Por outro lado, um problema invisível é que as mulheres ainda aceitam a ideia de que cabe mais a elas cuidar dos filhos do que aos homens. Os homens também são pais. Para termos uma democracia de fato, precisamos de famílias democráticas.

Um movimento é composto apenas por pessoas em movimento. Não é mágica; é apenas lógica.

Isso significa que tanto mulheres quanto homens podem ter uma vida ativa fora de casa e que ambos são igualmente responsáveis ​​pelos filhos. Se os homens amam seus filhos e querem ter filhos, assumir uma parcela igual dos cuidados é fundamental.

Precisamos garantir que as empresas ofereçam licença parental, e não apenas licença-maternidade, permitindo que os pais possam estar presentes em casa.

É preciso analisar os padrões de contratação para assegurar que a tomada de decisões, especialmente nos níveis mais altos, como nos conselhos de administração, seja compartilhada entre homens e mulheres e reflita a diversidade racial.

Fast Company – O que é necessário para provocar essas mudanças?

Gloria Steinem – Eu acredito nos movimentos sociais. Não acho que nada aconteça automaticamente. Enquanto vivermos em uma cultura na qual o homem que estaciona o seu carro ganha mais do que a mulher que cuida de crianças, parecerá que os carros são mais importantes para nós do que nossos filhos, o que não é verdade.

Precisamos de um movimento entre os trabalhadores e entre os acionistas, que devem exigir não apenas lucro, mas também mudanças nas políticas sociais.

Gloria Steimen recebe convidados para reunião em sua casa
Gloria Steimen (sentada, ao centro) recebe convidados em sua casa (Crédito: Jalyn Jimerson)

Está nos fazendo falta o poder social do movimento pelos direitos civis, do movimento feminista, do movimento gay e lésbico e do movimento ambientalista. Precisamos recuperar essas forças.

Fast Company – Como promover essas mudanças?

Gloria Steinem – Realizando encontros como este em nossas casas, fazendo reivindicações nos bairros, nas cidades e em nos países. Os movimentos por justiça social surgem de diferentes fontes, mas, no geral, são formados por pessoas que, em vez de perguntar “por quê?”, perguntam “por que não?” e simplesmente fazem acontecer.

Um movimento é composto apenas por pessoas em movimento. Significa convidar outras 10 pessoas, ou quantas forem, que compartilhem o mesmo desejo ou o mesmo problema, para se reunir e planejar quais passos podem gerar mudanças. Não é mágica; é apenas lógica.

Fast Company – Há alguns anos as empresas discutiam a importância da diversidade. Agora, estamos vendo iniciativas de diversidade, equidade e inclusão serem revertidas e mulheres deixando o mercado de trabalho. Como você entende o momento atual em comparação com o que vivíamos alguns anos atrás?

Gloria Steinem – Houve um período – talvez um período artificial – de maior liberalização durante a Segunda Guerra Mundial, porque os homens estavam servindo nas Forças Armadas e as mulheres assumiram funções que, provavelmente, não teriam exercido em outras circunstâncias. Mas não deveríamos precisar de uma guerra para que isso acontecesse.

procurem se encontrar com pessoas que compartilhem das mesmas esperanças e dos mesmos sonhos.

O processo de mudança geralmente acontece com um grande avanço e, depois, alguns passos para trás enquanto essa mudança é assimilada. Em seguida, acontece um novo avanço, e assim por diante.

Hoje, provavelmente, existe muito menos discriminação contra mulheres e pessoas negras no mercado de trabalho do que havia quando eu estava crescendo. Estamos avançando, mas lentamente.

Fast Company – Que conselho você daria às pessoas que estão tendo dificuldade para enfrentar este momento de dois passos para trás antes de um passo adiante?

Gloria Steinem – Eu diria para encontrar duas ou três pessoas que compartilhem do que você sente, porque precisamos umas das outras. Juntas, vocês encontrarão uma maneira interessante e até divertida de promover mudanças. Encontros como este, realizados em uma sala de estar, são importantes.

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Apenas não fiquem sozinhas. Somos seres feitos para a convivência, o ser humano é um animal comunitário. Existe uma razão para o confinamento solitário ser considerado a pior punição em qualquer lugar.

Portanto, procurem se encontrar com frequência com pessoas que compartilhem das mesmas esperanças e dos mesmos sonhos. Isso é fundamental.


SOBRE A AUTORA

Shalene Gupta é jornalista e escritora, co-autora do livro "The Power of Trust: How Companies Build It, Lose It, Regain It". saiba mais