5 perguntas para Luiz “Guto” Andrade, da Amazon Fashion

Crédito: Parsa Farjam/ Dylann Hendricks/ 딜란/ Unsplash

Claudia Penteado 3 minutos de leitura

Guto é carioca, criado em Petrópolis, na serra fluminense, e mora nos Estados Unidos há 24 anos. Formado em arquitetura, com  mestrado em comunicação visual, trabalhou nas agências Cauduro Martino e Lippincott e liderou times criativos globais para Motorola, Sony, Under Armour, Hilton e Amazon. Casado, pai do Caio e da Mila, atualmente é head of brand da Amazon Fashion, segundo maior varejista de moda dos Estados Unidos, liderando times de criação, produção e conteúdo editorial. Nesta conversa com a Fast Company Brasil, Guto fala sobre empatia,  autenticidade, consciência e construção de cultura organizacional.

O que é inovação para você?

Acredito que inovação é o casamento entre invenção e solução. Veja dessa maneira: se eu criar um carro de cinco rodas, estou inventando algo novo. Mas esse carro só seria uma inovação se essa quinta roda resolvesse algum problema que gerasse valor para o usuário final – como por exemplo melhor preço, mais segurança, conforto…

Qual a habilidade mais importante de um bom líder nos tempos atuais?

Empatia. Grande parte do sucesso do ser humano é a habilidade de se organizar em diferentes níveis de colaboração e poder. Os indivíduos que assumem posições de líderes desfrutam de prestígio, mas também carregam consigo responsabilidades em forma de proteção. Líderes que cuidam de seus seguidores, que os protegem e distribuem o sucesso pelo grupo, desfrutam de longevidade na posição, dedicação dos membros do time e, consequentemente, melhores resultados. Por outro lado, líderes que não representam os interesses do grupo e que se remuneram de maneira desproporcional sofrem com gestões curtas e tumultuadas.

O que é qualidade de vida para você?

Eu me sinto um pouco desconfortável respondendo a essa

“Vivemos em um mundo onde a proverbial ‘grama do vizinho’ está cada vez mais verde.”

pergunta depois de assistir a uma hora dos horrores da guerra na Ucrânia na TV, tomando meu café fresco na sala da minha casa aquecida e sem medo de ser atacado. Isso me faz  reavaliar o valor desses confortos básicos. Vou responder assumindo um cenário onde as necessidades básicas estão supridas. Qualidade de vida é você conseguir balancear sua vida pessoal e de trabalho sem ter que deixar de ser autêntico – sem perder sua individualidade – e sem abrir mão de seus sonhos. Mais do que nunca, tento praticar gratidão, pois vivemos em um mundo onde a proverbial “grama do vizinho” está cada vez mais verde, filtrada pela constante edição das redes sociais que elimina imperfeições naturais e propaga perfeições impossíveis.

O que o conceito de sustentabilidade representa para você?

Sou fã da filosofia descrita em “O Jogo Infinito”, de Simon

“Sustentabilidade é ter uma visão infinita, onde decisões são tomadas com a consciência de seus impactos.”

Sinek. Sustentabilidade é ter uma visão infinita, onde decisões são tomadas com a consciência de seus impactos. A criação de negócios, produtos e serviços leva em consideração longevidade e consequências, não só para os próximos ganhos trimestrais, mas para a comunidade e as futuras gerações. Acredito muito também na tradução desse pensamento para a vida privada.

Qual o melhor conselho que já recebeu na vida?

Recebi muitos conselhos e sempre procurei escutar os mais experientes e sábios. Um dos que mais me marcou veio de um professor de design sobre o valor de investir em cultura organizacional, “Cultura come estratégia no café da manhã”. Essa frase clarificou para mim muitos casos onde eu  não entendia o fracasso de estratégias que, em teoria, pareciam sólidas. Vejo essa falha de alinhamento em diversos setores, desde educação básica a projetos de urbanização e campanhas de marketing, onde planos falham por falta de atenção à cultura.

No mundo do marketing, é fácil lembrar de cases de marcas que falharam em tentativas de entrar em um mercado novo por não terem investido em transformação e alinhamento da cultura interna e, com isso, não gerando autenticidade ou relevância no novo mercado. Devido a esse conselho, hoje dedico muito tempo e energia na formação de um ambiente criativo que seja relevante à indústria que sirvo. Esse é um processo que nunca acaba.


SOBRE A AUTORA

Claudia Penteado é editora chefe da Fast Company Brasil. saiba mais