5 perguntas para Marcelo Bernardes, da Purple Cow

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Claudia Penteado 2 minutos de leitura

Marcelo Bernardes fundou a agência Purple Cow em 2011. Aos 34 anos, ele costuma dizer que é guiado pela dinâmica “safe is risky“, com uma forte crença no poder da criatividade para transformar negócios e resolver problemas e na coragem de percorrer caminhos que fazem a maioria das pessoas desistirem. A Purple já foi reconhecida como a agência independente do ano pelo festival latino El Ojo. Nesta conversa com a Fast Company Brasil, Marcelo fala sobre inovação, escuta, responsabilidade, autoconhecimento e empreendedorismo. 

O que é inovação para você?

Para além dos conceitos técnicos, é um jeito de enxergar e executar a vida. Questionar, não aceitar as coisas como elas são só porque um dia te ensinaram que elas eram daquela forma. Inovação anda de mãos dadas com a criatividade e te permite olhar de um jeito diferente para as coisas. Mas só olhar não te torna inovador. Parte importante do processo de inovação está na disciplina de colocar em pé tudo o que se pensa. Realizar é tão importante quanto pensar.

Qual a habilidade mais essencial para exercer a liderança nos dias de hoje?

Um bom líder precisa saber escutar nos mais diversos sentidos. Escutar o que os outros estão dizendo (ouvir), escutar o que não estão dizendo (sentir) e escutar o que o seu coração diz (intuir). Partindo do pressuposto de que a qualidade técnica na liderança é commodity, a habilidade de trabalhar com esses três sentidos faz o líder conseguir orquestrar e chegar aos melhores resultados com as pessoas.

Qual a sua visão sobre o conceito de sustentabilidade?

Parte importante do processo de inovação está na disciplina de colocar em pé tudo o que se pensa.

Se acreditamos que construímos negócios importantes e relevantes, é fundamental pensar que impactamos a vida de muitas pessoas. A sustentabilidade representa nossa responsabilidade perante essa potência construída. Venho de uma geração de líderes que não consideram sustentabilidade como um tema à parte, mas como algo intrínseco e, portanto, presente em todas as decisões. Tão importante quanto gerar valor no presente é que esse valor represente cuidado e gere impacto no futuro.

Qual a sua definição de qualidade de vida?

Qualidade de vida é uma definição muito pessoal. Acho que o maior erro é definirmos algo como qualidade de vida. Para alguns, trata-se do equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Para outros, de flexibilidade. Para outros ainda, pode ser estar em um trabalho que te faça feliz. Além disso, nada é… tudo está. O que era qualidade de vida para mim ontem não necessariamente é o que entendo como qualidade hoje e pode mudar amanhã. Autoconhecimento é o fator importante aqui. Aprendermos a nos ouvir, a nos respeitar e a entender o que nos faz felizes em cada fase da vida.

Qual o melhor conselho que já recebeu na vida?

A maioria dos problemas tem o tamanho e o peso da importância que a gente dá para eles. Empreender é resolver “problemas” o tempo todo, dos mais variados tipos. Esse conselho ajuda a separar o que é problema de verdade do que é envolvimento emocional. Se o pior cenário é administrável, conseguimos olhar para a situação com outros olhos e, provavelmente, seremos mais eficientes.


SOBRE A AUTORA

Claudia Penteado é editora chefe da Fast Company Brasil. saiba mais