5 perguntas para Pooja Priyadarshini, da MoEngage

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Claudia Penteado 5 minutos de leitura

À frente da área de negócios globais e venture capital da MoEngage está Pooja Priyadarshini, uma mulher em movimento, poliglota (é fluente em seis idiomas), que adora experimentar sabores e viver em lugares diferentes. Antes da MoEngage, Pooja foi consultora na Ernst&Young na Índia, head de operações na LinkerCoin (empresa suíça de blockchain) e trabalhou no escritório do CEO da Naver Corporation, organização concorrente do Google na Coreia do Sul. Também morou na França, no Vietnã e em Hong Kong. Nesta entrevista à Fast Company Brasil, Pooja fala sobre diversidade, saúde física e mental, inspiração e – claro – inovação.

O que é inovação para você?

Acredito que inovação é tudo aquilo que agrega valor. Não precisa ser algo grandioso ou pioneiro. Na verdade, a maioria das inovações são graduais e é esse crescimento progressivo que leva ao pioneirismo. É claro que defendo a inteligência “bruta”, o trabalho duro e a ética de trabalho dos cientistas e inovadores preeminentes no mundo. Mas esse é um tipo de inovação que não ocorre todos os dias.

Transformar reuniões desestruturadas e desordenadas para modelos de reuniões em que há uma lista de itens e ações enviadas ao final, é uma inovação para mim. Qualquer coisa que desafie o status quo e faça algo ser melhor, para mim é inovação.

Acredito que a diversidade é um dos ingredientes-chave para a inovação.

Espero que, em qualquer papel que eu cumpra em empresas e organizações, permaneça na direção da inovação, de forma direta ou indireta, atuando como impulsionadora e vencedora por inovar. Também acredito muito que a diversidade é um dos ingredientes-chave para a inovação.

Como líder de negócios, você pode fazer sua parte adicionando e posicionando esses valores nos times e encontrando o melhor uso para eles. E o mais importante: reconhecer a pessoa e/ ou o time que apresenta a ideia ou abordagem inovadora.

Qual a habilidade mais importante para uma boa liderança hoje?

Para mim, existem dois pontos chave da liderança que, geralmente, são superestimados:  tomada de decisão bem pensada e articulação clara e comunicação forte. Tenho orgulho de ser indiana e passei a primeira parte da minha infância na Índia. Como sociedade, o País é centrado na comunidade e voltado à família. Na maior parte do tempo, temos pessoas cuidando e tomando decisões por nós.

Enquanto crescemos, isso tira de nós chances valiosas de praticar tomada de decisão, mesmo que de baixo risco. Como a maioria das coisas na vida, a maneira mais fácil de se tornar melhor em algo é praticando. Aprimorar as habilidades de comunicação não era o foco do meu currículo escolar, mas enquanto eu estudava e trabalhava fora do país, percebi o impacto da comunicação em todos os aspectos da minha vida.

Essa habilidade é fundamental e passamos pouco tempo aprimorando-a efetivamente. Desenvolver uma comunicação top-down, tornar a sintetização de pensamentos um hábito e articulá-los efetivamente, é algo que trabalho constantemente e tenho visto como um ponto primordial para cargos de liderança.

O que o conceito de sustentabilidade significa na sua visão?

Tenho participado do programa da Organização das Nações

Desenvolver uma comunicação top-down é um ponto primordial para cargos de liderança.

Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) desde o período da universidade. Minha experiência tem me ensinado que sustentabilidade é sobre como nós formamos um futuro igual e mais viável para o planeta e para todas as pessoas que vivem nele.

A tecnologia ainda tem um longo caminho a percorrer para incutir hábitos mais sustentáveis e práticas ESG. Então, é importante aprender e ensinar a construir o ESG pensando em tudo o que fazemos – atuando como uma martech relevante para os nossos clientes, cumprindo o papel de fazer as mudanças acontecerem.

O que é qualidade de vida?

A capacidade de equilibrar prioridades competitivas tem um preço mental e físico. A falta desse equilíbrio pode causar esgotamento. É preciso refletir muito sobre o que é inegociável para você. Há coisas mais importantes do que pensam, como o tempo gasto no trabalho, a capacidade de separar o profissional da vida pessoal, tirar um tempo para se exercitar etc.

Mas vejo tudo isso como um subproduto da filosofia que serve como base para os valores não-negociáveis de cada um e como trabalhar para alcançá-los. Enquanto isso for o foco e o guia para o processo de tomada de decisão, a qualidade de vida irá cuidar de si mesma. Enquanto eu puder permanecer fiel a mim mesma, aos meus valores não-negociáveis e me esforçar para atingir os objetivos mencionados, consigo me ver com qualidade de vida.

Qual o melhor conselho que já recebeu?

A tecnologia ainda tem um longo caminho a percorrer para incutir hábitos mais sustentáveis e práticas ESG.

Um mentor certa vez comentou sobre a importância de “dar um passo para trás e olhar o todo”. É, de longe, um dos hábitos mais poderosos que adotei. Muitas vezes nos perdemos fazendo coisas que não importam. Perdemos um tempo precioso, nos sentimos esgotados e não agregamos valor.

A ideia de dar um passo atrás e ter um momento para refletir sobre o objetivo principal que estamos tentando alcançar ajuda a colocar as coisas em perspectiva. Esse comportamento dá sentido ao trabalho, elimina as etapas desnecessárias e ajuda a alinhar colegas e equipes de forma multifuncional.

Mesmo como colaborador júnior, essa é uma ferramenta extremamente poderosa, pois ajuda a analisar a situação da mesma perspectiva do seu chefe, por exemplo. E, assim, estruturar uma saída mais completa e, quem sabe, exceder as expectativas iniciais. Todos os líderes adoram ter na equipe profissionais com capacidade de olhar para o problema a partir da lente estratégica e apresentar soluções criativas próprias.


SOBRE A AUTORA

Claudia Penteado é editora chefe da Fast Company Brasil. saiba mais