5 perguntas para Rubens Slaviski, head comercial da Brasil Game Show

Nesta entrevista, o executivo fala sobre a transformação dos games em negócio e sobre o impacto da inteligência artificial no futuro da indústria

Rubens Slaviski, head comercial da feira Brasil Game Show
Crédito: Divulgação

Redação Fast Company Brasil 5 minutos de leitura
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Considerada um dos principais eventos do gênero no mundo, a Brasil Game Show (BGS) reúne jogadores, desenvolvedores, grandes empresas, marcas e profissionais interessados nas oportunidades comerciais da indústria de games.

Realizada em São Paulo, a feira é um espaço de contato entre o público gamer e empresas de diferentes segmentos, além de funcionar como vitrine para jogos, produtos e experiências.

À frente da área comercial do evento, Rubens Slaviski trabalha com as estratégias de vendas, patrocínios e parcerias que conectam empresas à comunidade gamer. Antes disso, atuou em marketing e vendas em empresas como Silimed, White Martins e Pierre Fabre. Com experiência nessas áreas, ele leva para a BGS uma perspectiva de negócios sobre o crescimento da indústria.

Em entrevista à Fast Company Brasil, Slaviski fala sobre a transformação dos games em negócio, os desafios para desenvolver jogos no Brasil, a construção de relações duradouras entre marcas e jogadores e o impacto da inteligência artificial no futuro da indústria.

FC Brasil – A BGS passou por mudanças estratégicas, incluindo a mudança de pavilhão. Como essas transformações refletem a evolução do evento e do mercado de games?

Rubens Slaviski – A BGS é um polo que reúne os amantes dos games, as grandes empresas, os desenvolvedores e a imprensa. A grande mudança é que começamos a olhar para os games de uma maneira diferente, não apenas como entretenimento.

Antigamente, os games eram vistos como algo banal e informal, mas esse público amadureceu e evoluiu. Eu sou de 1972 e comecei a jogar lá atrás, com o Atari. De lá para cá, acompanhamos a evolução de diferentes gerações de jogadores.

Nesse cenário, em que os games deixaram de ser vistos apenas como entretenimento e passaram a ser um negócio, a importância da BGS está em reunir todas essas tribos no mesmo espaço.

Temos os apaixonados por jogos, os cosplayers, as pessoas que vêm para jogar e os profissionais que estão aqui para fazer negócios, encontrar desenvolvedores e publishers e apresentar seus jogos. Conseguimos transformar a BGS em um evento que engloba toda a cadeia da indústria de games.

FC Brasil – Você visitou a ChinaJoy, uma das grandes feiras de games da Ásia. Que oportunidades comerciais o Brasil ainda pode explorar nesse mercado?

Rubens Slaviski – Acredito que temos oportunidades de aproximar os games de empresas que nem sempre são associadas diretamente a esse universo.

Podemos desenvolver negócios com bancos, empresas de cartões de crédito e meios de pagamento, por exemplo, que têm interesse em se conectar com o público gamer. Também vejo espaço para ampliar a presença de marcas de periféricos e de produtos voltados a esses consumidores.

multidão lota os corredores da feira Brasil Game Show
Crédito: Quero Fotos/ BGS

O mercado gamer reúne uma comunidade engajada, que acompanha novidades e está aberta a experimentar produtos e serviços. Para as empresas, entender esse comportamento é uma oportunidade de criar novas conexões com o consumidor.

A BGS pode funcionar como uma ponte entre essas marcas e o público, permitindo que elas conheçam melhor esse mercado e encontrem formas de participar dele.

FC Brasil – Qual é a diferença entre uma marca anunciar para o público gamer e conseguir fazer parte da comunidade?

Rubens Slaviski – Quando uma marca anuncia para os gamers, ela pode criar um impacto inicial, mas isso não significa que esse impacto vai durar.

Há jogos que têm um pico de downloads, de aquisição de usuários ou de pessoas jogando e, depois, desaparecem. Quando uma marca consegue interagir com esse universo e se conectar com o sentimento e a emoção das pessoas, ela pode permanecer por mais tempo na vida desse público.

personagens do game Final Fantasy
Crédito: Square Enix

Isso vale não apenas para consoles, mas também para jogos e franquias. Temos aqui o exemplo de Final Fantasy, que está no coração das pessoas. É uma franquia que muitos jogadores acompanham há muito tempo e continuam jogando. Isso acontece porque ela conseguiu construir uma relação com a comunidade, em vez de depender apenas de uma ação pontual.

Por isso, é importante que as marcas mantenham uma presença regular na BGS e em outros eventos, inclusive fora do Brasil, e trabalhem essa relação em diferentes pontos de contato.

Isso envolve redes sociais, sites, influenciadores e experiências presenciais. Não basta aparecer uma vez: é preciso construir uma conexão duradoura com os jogadores.

FC Brasil – O Brasil tem uma comunidade gamer expressiva, mas ainda enfrenta desafios para desenvolver jogos. O que falta para o país avançar nessa área?

Rubens Slaviski – Em termos de desenvolvimento de jogos, o Brasil ainda está alguns passos atrás de países como China, Coreia do Sul e Japão, que são grandes referências mundiais. Temos boas expectativas e vemos estúdios promissores por aqui, inclusive independentes e de pequeno porte, mas ainda precisamos de muito incentivo.

Um dos desafios é a formação de profissionais. Existe um déficit enorme de mão de obra na área de programação, de maneira geral, não apenas no setor de games.

O mercado gamer reúne uma comunidade engajada e aberta a experimentar produtos e serviços.

As empresas disputam esses profissionais e oferecem salários altos para contratá-los. Com isso, nem sempre sobra gente suficiente para trabalhar especificamente no desenvolvimento de jogos.

Acredito que precisamos investir na educação de base e na formação voltada à tecnologia. Dentro desse campo, podemos identificar e desenvolver talentos que queiram trabalhar com games.

Ainda falta fortalecer essa base para ampliar o número de pessoas qualificadas e criar condições para que mais profissionais possam atuar nessa indústria.

FC Brasil – Como a inteligência artificial pode mudar o desenvolvimento dos jogos e a relação dos jogadores com essas experiências?

Rubens Slaviski – A chegada da inteligência artificial não pode ser deixada em segundo plano quando falamos de games. Ela veio para ficar e deve crescer cada vez mais.

Acredito que terá um impacto enorme nos próximos anos, tanto no desenvolvimento dos jogos quanto na facilidade de criar novas experiências e na maneira como os jogadores interagem com elas.

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A mudança também envolve a participação do próprio jogador no desenvolvimento dos jogos. Cada vez mais, ele poderá influenciar a criação dessas experiências.

As marcas precisam estar preparadas para essa transformação, porque a inteligência artificial deve abrir novas possibilidades para a indústria e mudar a forma como os jogos são desenvolvidos e vivenciados.


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