5 perguntas para Denis Tassitano, CEO da Swile Brasil

À frente da operação brasileira, executivo fala sobre networking, liderança, benefícios flexíveis e o uso da IA no RH.

Denis Tassitano, novo CEO da Swile Brasil, veste terno escuro e camisa branca diante de um fundo geométrico preto e laranja.
Divulgação/Swile

Redação Fast Company 5 minutos de leitura
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Denis Tassitano costuma explicar liderança com uma imagem do futebol. Faz sentido. Filho de Ivair Ferreira, o “Príncipe”, ele acompanhou o fim da carreira do pai nos anos 1980 e aprendeu cedo que o talento individual pode decidir um lance. O time é que sustenta o jogo.

O executivo, que passou 15 anos na SAP, é o novo CEO da Swile Brasil, empresa francesa de benefícios que já ultrapassou um milhão de usuários no Brasil. Para ele, a confiança e o time falam primeiro. O trabalho de um bom líder é criar condições para que o coletivo ganhe os campeonatos.

À Fast Company Brasil, Tassitano fala sobre liderança, networking, benefícios para quatro gerações que dividem o mesmo ambiente de trabalho e o uso da inteligência artificial no RH. Sem oba-oba tecnológico: “IA só vira ferramenta de retenção quando resolve fricção real, não quando é usada para parecer moderna.”

Fast Company Brasil – Você construiu boa parte da carreira em vendas e, no livro Powerhub: o poder do networking, defende relações verdadeiras em vez do networking puramente transacional. Em uma era de IA e automação, essas habilidades humanas se tornam ainda mais importantes?

Denis Tassitano – Acredito que sim. Passei toda a carreira vendendo soluções corporativas complexas e aprendi cedo que venda boa não é sobre fechar contrato. É sobre construir confiança antes de precisar de alguma coisa.

Quando escrevi o Powerhub, o ponto central era exatamente esse: muita gente ainda trata networking como um capital a ser acumulado, e isso é o oposto do que funciona de verdade.

Para mim, a habilidade que mais importa hoje não é falar bem em uma sala, mas escutar, entender e entregar valor real antes de esperar qualquer coisa em troca. Isso vale para vendas, liderança e vida pessoal.

Construir uma rede sólida de relacionamentos profissionais exige confiança, consistência e disposição para contribuir antes de pedir.

FC Brasil – Seu pai, Ivair Ferreira, construiu a carreira no futebol em uma época muito diferente da atual. O que observar a trajetória dele ensinou a você sobre liderança?

Denis Tassitano – Tive a oportunidade de acompanhar mais de perto o final da carreira do meu pai, já nos anos 1980, especialmente quando ele jogou no Canadá e nos Estados Unidos. Uma das grandes lições que trouxe daquele período foi entender que ninguém constrói algo realmente grande sozinho.

O talento individual pode fazer a diferença, mas é o coletivo que faz o jogo acontecer. Ao longo da minha carreira, percebi que nas empresas não é diferente.

Grandes resultados surgem da combinação de pessoas, processos, disciplina, confiança e um objetivo comum. Talvez por isso eu tenha aprendido tão cedo que liderar não é ser o protagonista. É criar as condições para que cada pessoa encontre seu espaço, entregue o seu melhor e entenda a importância do seu papel para o resultado do time.

A estratégia aponta o caminho, a tecnologia acelera, mas são as pessoas que fazem tudo acontecer.

Liderar não é ser o protagonista. É criar as condições para que cada pessoa encontre seu espaço.

FC Brasil – Com quatro gerações convivendo nas empresas e o trabalho cada vez mais distribuído, o modelo tradicional de benefícios ainda faz sentido?

Denis Tassitano – O modelo de benefício engessado, pensado para um único perfil de colaborador, não comporta mais a realidade das empresas.

Você tem quatro gerações convivendo no mesmo time, com prioridades completamente diferentes. Um colaborador mais jovem quer flexibilidade e mobilidade; alguém com filhos pequenos quer previsibilidade e suporte de saúde; uma pessoa em trabalho híbrido quer que o benefício acompanhe onde ela está, não onde o escritório está.

A resposta não é criar mais categorias engessadas, mas dar autonomia real dentro de uma plataforma única, na qual o colaborador decide o que faz sentido para ele em cada momento da vida.

É por isso que falamos em Employee Wallet, não em cartão de benefício. A lógica muda de “aqui está o que você pode gastar” para “aqui está o que você pode decidir”.

As prioridades também estão mudando: flexibilidade, autonomia, desenvolvimento e bem-estar ganham espaço entre os benefícios mais valorizados pelos trabalhadores.

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FC Brasil – IA e dados estão entrando também na gestão de benefícios. Onde essas tecnologias podem melhorar a experiência do funcionário – e onde existe mais hype do que transformação?

Denis Tassitano – Dados são a prioridade número um porque, sem eles, você está tomando decisões no escuro.

Estamos expandindo para gestão de despesas corporativas porque isso amplia a inteligência que conseguimos entregar para o RH: entender padrões de uso, prever necessidades e simplificar uma prestação de contas que ainda consome tempo demais de quem deveria estar cuidando de gente, não de planilha.

A IA entra como uma camada de personalização, sugerindo o benefício certo no momento certo, sem que o colaborador precise procurar.

Mas sou cauteloso com quem trata IA como solução mágica. A tecnologia só vira ferramenta de retenção quando resolve fricção real, não quando é usada para parecer moderna.

IA só vira ferramenta de retenção quando resolve fricção real, não quando é usada para parecer moderna.

FC Brasil – Se olharmos três anos à frente, qual é a principal transformação que você quer ter realizado na Swile Brasil?

Denis Tassitano – A aposta é ampliar o que já está em movimento: sair de uma plataforma de benefícios flexíveis para uma Employee Wallet completa, que inclui gestão de despesas corporativas e viagens, não só vale-refeição e mobilidade. Isso já está em andamento com o Swile Expense, que chega ao Brasil em 2027.

Nos próximos três anos, o diferencial não vai ser quem tem mais categorias de benefício, mas quem consegue integrar profundamente todo o ciclo financeiro do colaborador em uma única experiência, com a robustez de uma instituição de pagamento por trás.

A cultura entra nisso também. Já alcançamos o break-even em menos de cinco anos de operação e passamos de um milhão de usuários no Brasil, então a base está sólida.

A partir daqui, o jogo é consolidar essa liderança sem perder a agilidade que nos trouxe até aqui.


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