5 perguntas para Serena Williams
À frente da Starfire Ventures, ex-tenista aposta em fundadores ignorados por outros investidores — e já tem 16 unicórnios na carteira

Serena Williams levou a mentalidade competitiva das quadras para o mundo dos negócios. À frente da Starfire Ventures, novo nome da Serena Ventures, ela procura empresas capazes de gerar retornos expressivos — principalmente aquelas criadas por fundadores que costumam passar longe do radar dos investidores.
A estratégia já colocou 16 unicórnios na carteira da gestora. Cerca de 70% das empresas do portfólio foram fundadas por mulheres ou pessoas de grupos raciais sub-representados. A próxima busca? A empresa que vai valer US$ 1 trilhão.
Para Williams, porém, investir nesses negócios não é filantropia. É uma oportunidade financeira que parte do mercado ainda não consegue enxergar.
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Nesta entrevista, ela explica por que retirou o próprio nome da gestora, o que procura antes de investir e como organiza o tempo entre os negócios, as filhas e as aparições esporádicas no tênis.
A conversa foi gravada durante o Reckitt Catalyst, evento realizado em Palm Beach, nos Estados Unidos, para o podcast Rapid Response. A entrevista original foi conduzida por Robert Safian, ex-editor-chefe da Fast Company.
FC Brasil – Por que Serena Ventures passou a se chamar Starfire Ventures?
Serena Williams – Serena Ventures era um ótimo nome, mas eu queria que fosse maior do que eu. Temos muitas pessoas incríveis na equipe e fazemos muita coisa. Senti que, quando você coloca o nome de alguém em uma organização, isso pode limitar o que ela faz.
Quero que a empresa continue existindo e seja algo para o qual as pessoas olhem daqui a muitos anos. O nome Serena continuará vivo de outra maneira. Acho que a mudança nos dá liberdade para fazer muito mais.
Mantivemos a sigla SV porque, internamente, sempre usamos esse nome.
FC Brasil – A Starfire já investiu em cerca de 16 unicórnios. Qual é sua filosofia como investidora?
Serena Williams – É um pouco de filosofia e um pouco de instinto, mas eu diria que 90% é filosofia. Tomo muitas decisões com base no instinto, enquanto minha sócia prefere seguir os processos à risca. Formamos uma dupla muito boa justamente por causa dessa diferença.
Faço investimentos há 14 ou 15 anos. Hoje, somos uma gestora institucionalizada, com investidores institucionais. É muito trabalho, mas também é gratificante quando os resultados aparecem.
É um pouco de filosofia e um pouco de instinto, mas eu diria que 90% é filosofia
FC Brasil – Cerca de 70% do portfólio foi fundado por mulheres ou pessoas de grupos raciais sub-representados. Isso é um compromisso ou uma estratégia financeira?
Serena Williams – É um compromisso mais amplo. Vemos empresas que a maioria dos investidores não chega a conhecer porque eles não abrem as portas. Pela forma como montei nossa equipe, mais mulheres se sentem confortáveis para nos procurar.
Muitas dessas empresas estão indo muito bem agora. Elas talvez não tivessem essa oportunidade se não estivéssemos entre seus investidores.
Investimos em todo mundo. Investimos em pessoas parecidas com você e em pessoas parecidas comigo. Mas encontramos muitas mulheres e muitos fundadores sub-representados porque eles sabem que vamos ouvir suas histórias.
Isso não significa que investimos em todos. Investimos apenas em vencedores. Se não acreditamos que a empresa poderá gerar retorno para o fundo, não investimos.
Isso não é filantropia. Mulheres não fazem negócios como filantropia, e pessoas negras também não. Fazemos negócios para ganhar dinheiro. É triste que algumas pessoas ainda não entendam isso.
FC Brasil – Que oportunidade os outros investidores estão deixando passar?
Serena Williams – Não diria que eles não estão abertos a esses fundadores. Não quero diminuir o trabalho de outros investidores. Muitas vezes, eles simplesmente não enxergam essas empresas ou as descartam de forma inconsciente. Não estão pensando nelas.
Nós queremos olhar para todas as possibilidades. Estamos pensando na próxima empresa de US$ 1 bilhão e também na próxima empresa de US$ 1 trilhão — e em como participar delas desde o começo.
Uma empresa do nosso portfólio que mostra esse potencial é a Esusu. Ela resolve problemas enfrentados por grupos sub-representados, gera impacto e, ao mesmo tempo, tornou-se um unicórnio. Empresas assim são incríveis.
Queremos vencer e gerar retorno para nossos investidores. Mas também é muito bom fazer parte de iniciativas que ajudam pessoas e nos colocam dentro de uma história maior.
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FC Brasil – Como você divide o tempo entre a Starfire, suas filhas e o tênis?
Serena Williams – Sou uma pessoa muito organizada. Tenho uma personalidade tipo A. Fora o tempo com meus filhos, dedico a maior parte dos meus dias à Starfire. É onde concentro cerca de 90% do meu tempo profissional.
Agora, com Beth Ferreira como minha sócia, tenho mais espaço para outras coisas, principalmente para ficar com minhas filhas. E há o tênis, que acontece de forma muito esporádica. Tem sido divertido voltar a ter algumas oportunidades.
Percebi que estabeleço muitos limites, inclusive de tempo. Quando tentei voltar para Wimbledon, deixei claro quanto estava disposta a treinar: uma hora aqui, duas horas ali. Era isso. O que acontecesse, aconteceria.
Eu não estava voltando para ganhar Grand Slams. Tenho um trabalho em tempo integral. A tentativa não funcionou porque meu joelho inchou, mas foi divertido.
Hoje sou mãe e, mais do que qualquer coisa, meus filhos precisam de mim. Por isso, defino minhas prioridades: este é o tempo que dedico à gestora, este é o tempo dos meus filhos. Minha agenda é organizada hora a hora.