Sony cria Sophy, a IA capaz de vencer os melhores gamers

Crédito: Fast Company Brasil

Connie Lin 3 minutos de leitura

Primeiro foi no xadrez, agora nos videogames. No século 21, uma legião de competidores guiados por IA (Inteligência Artificial) poderia muito bem dominar todos os tabuleiros, telas e consoles jogados por humanos. Máquinas famosas como Deep Blue e Alpha Go já conquistaram alguns dos quebra-cabeças de estratégia mais complexos do mundo.

Agora é a vez do PS5.

A gigante de tecnologia japonesa Sony revelou na quarta-feira passada (9) que treinou o oponente mais difícil de todos os tempos para o simulador de carros de corrida Gran Turismo – um campeão que pode vencer os melhores pilotos de esports em seus próprios jogos. Forjado nos campos de batalha de mais de mil consoles PlayStation 4, o bot de corrida de IA tornou-se inteligente o suficiente para identificar rotas de percurso ideais e pode executar manobras táticas habilidosas para passar ou bloquear concorrentes, até mesmo nos circuitos de corrida. E ele o faz com eficácia implacável – enquanto ainda respeita a etiqueta humana do jogo, afirma a Sony.

A empresa publicou uma pesquisa sobre sua ideia – apelidada de Gran Turismo Sophy – na revista Nature esta semana. O processo de desenvolvimento combinou “algoritmos de aprendizado de reforço profundo, sem modelo e de última geração, com treinamento em cenários mistos para aprender uma política de controle integrada que combina velocidade excepcional com táticas impressionantes”, afirmou. “Além disso, construímos uma função de recompensa que permite que o agente seja competitivo enquanto adere às regras de desportivismo importantes, mas subespecificadas”.

Em uma demonstração transmitida pela mídia, Sophy superou quatro dos principais pilotos de Gran Turismo do mundo em competições frente a frente, e provou a superioridade da tecnologia sobre os meros mortais. No entanto, a aspiração de Sophy nunca foi esmagar os espíritos da humanidade ou deixá-la se sentindo derrotada. Pelo contrário, pretende despertar uma nova emoção nos esports, especialmente entre os jogadores de elite que sentiam que não tinham mais desafios.

“Sinto-me frustrado, isso nunca aconteceu antes de lutar com uma IA”, disse Tomoaki Yamanaka, um dos quatro pilotos, após a derrota. “Eu dirigi como se fosse dirigir contra um humano. Isso é uma coisa realmente incrível.”

Nesse sentido, Sophy ultrapassa o limite humano; ele pode “acelerar e elevar as técnicas e a criatividade dos jogadores para um novo patamar”, disse Hiroaki Kitano, CEO da Sony AI, em um comunicado. A empresa disse que está explorando maneiras de integrar o Sophy em futuras versões do Gran Turismo (a sétima edição do jogo deve ser lançada em março).

Gran Turismo agora se junta a uma longa lista de jogos em que as IAs venceram pessoas, o que inclui shogi, Go, Starcraft, videogames clássicos da Atari e a série multiplayer Defense of the Ancients, para a qual a OpenAI, apoiada pela Microsoft, criou um robô de combate.

Mas Gran Turismo tem maior complexidade do que outros jogos de console, e exige que os jogadores equilibrem a física de atrito e aerodinâmica, ao mesmo tempo em que fazem julgamentos em frações de segundo e reagem às mudanças de paisagens com reflexo de velocidade da luz. Além disso, especialistas dizem que as conquistas de Sophy se destacam em sua capacidade de se comportar de forma agressiva, contudo ainda assim justa, e observar o código de conduta dos jogadores além da letra da lei – em outras palavras, incorporar as nuances sutis do caráter humano.

Embora tecnicamente legal, a Sony não queria que Sophy vencesse outros pilotos através de intimidação para fora da pista. Para garantir que isso não aconteceria, eles treinaram sua rede neural, aplicando penalidades por colisões com outros motoristas, por exemplo – usando um processo de tentativa e erro conhecido como aprendizado por reforço.

“O agente deve ser um amigo, um camarada, um parceiro dos seres humanos, um agente pelo qual as pessoas possam sentir simpatia”, disse Kazunori Yamauchi, o criador do Gran Turismo. “Além disso, o agente pode estimular a emoção das pessoas, para que o agente e os seres humanos possam se respeitar mutuamente.”


SOBRE A AUTORA

Connie Lin é jornalista freelancer e colaboradora da Fast Company. saiba mais