Tinta que muda de cor e outras 4 inovações para construções sustentáveis
Inovações vão de estruturas sem cimento a coberturas de parede adaptáveis ao clima

Os materiais de construção são responsáveis por quase um terço das emissões globais de dióxido de carbono. E, como a demanda global por construção continua a crescer (já triplicou nos últimos 25 anos), suas emissões certamente aumentarão ainda mais.
De fato, alguns, como o engenheiro ambiental e professor da Universidade da Virgínia, Andres Clarens, consideram o potencial impacto negativo dos materiais tão crucial que os chamam de "a última grande fronteira" na luta contra as mudanças climáticas.
Se for esse o caso, precisamos reduzir as emissões associadas a materiais de construção comuns, como cimento e aço, e precisamos desenvolver materiais alternativos que emitam menos gases de efeito estufa (GEE) por padrão. E precisamos fazer isso rapidamente.
Em 2025, os designers de materiais cumpriram sua promessa. Alguns desses novos materiais ainda estão em fase de testes, outros já estão no mercado. Todos os cinco têm um enorme potencial para tornar nossas construções mais sustentáveis.

Um material super-resistente inspirado na esponja marinha de águas profundas
No início de 2025, pesquisadores do Instituto Real de Tecnologia de Melbourne inventaram um material de construção bioinspirado que é leve e resistente à pressão, o que pode ajudar a reduzir o uso de aço e concreto. A chave para a inovação? Uma pequena criatura que vive a milhares de metros de profundidade no oceano.
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O esqueleto em forma de treliça da esponja marinha de águas profundas, otimizado ao longo de milhões de anos, consegue absorver força mantendo sua resistência. Segundo os pesquisadores, um material com design semelhante poderia permitir “paredes de sustentação mais finas e colunas mais esbeltas”, o que, por sua vez, reduziria a quantidade de aço e concreto necessária para garantir a integridade estrutural.
O material ainda está em fase de testes.

Uma “supermadeira” mais resistente que o aço
Há sete anos, cientistas da Universidade de Maryland anunciaram a descoberta de uma maneira de tornar a madeira tão resistente que pudesse competir com o aço. No ano passado, a pesquisa culminou no lançamento do Superwood, um material com resistência à tração 50% maior que a do aço e uma relação resistência/peso 10 vezes melhor.
O Superwood foi desenvolvido por uma startup derivada chamada InventWood, que iniciou a produção em massa do material neste verão.
A primeira unidade da empresa, em Frederick, Maryland, tem capacidade para produzir um milhão de pés quadrados de Superwood por ano, com aplicações que variam de acabamentos internos a painéis externos para revestimento e telhados.
O plano, segundo o cofundador da InventWood, Alex Lau, é construir “uma unidade maior, com capacidade para mais de 30 milhões de pés quadrados, permitindo o uso em infraestrutura e grandes empreendimentos”.

Madeira laminada cruzada feita de árvores caídas
De acordo com algumas estimativas, as cidades perdem a impressionante quantidade de 36 milhões de árvores por ano devido a tempestades, insetos e doenças. Nos últimos seis anos, a startup Carbon Cambium, sediada em Washington, D.C., recuperou seis milhões de pés cúbicos de madeira dessas árvores caídas, desviando-a do aterro sanitário e transformando-a em madeira utilizável para móveis com empresas como Room & Board e Sabai.
No ano passado, a startup desenvolveu seu primeiro produto para a indústria da construção civil. O Carbon Smart Wood é a primeira madeira laminada cruzada (CLT) feita de árvores recuperadas, que promete tornar a construção em madeira maciça ainda mais sustentável.
A empresa oferece produtos de marcenaria, como decks e pisos, e painéis estruturais completos de CLT para edifícios. Quarenta mil pés lineares do material serão utilizados na fachada da nova expansão do Aeroporto JFK neste ano.

Uma nova abordagem para a terra apiloada
A terra apiloada, uma técnica de construção em que o solo úmido é compactado em camadas dentro de formas temporárias, tem sustentado edifícios por milênios.
Em 2025, o material tão elementar recebeu uma atualização quando pesquisadores do Instituto Real de Tecnologia de Melbourne o encapsularam em um tubo de papelão.
O material resultante, denominado terra apiloada confinada em papelão (CCRE, na sigla em inglês), consiste em terra socada e compactada dentro de tubos cilíndricos.
Normalmente, as paredes de terra apiloada também incluem uma dose de cimento para melhorar a resistência e a durabilidade, mas a fôrma de papelão no CCRE atua como uma camada protetora, eliminando a necessidade de cimento.
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Os pesquisadores afirmam que o papelão ajuda a proteger a terra apiloada do ambiente externo, e que um tratamento adicional no papelão também pode prolongar sua vida útil. Eles também desenvolveram uma versão semelhante usando tubos de fibra de carbono.
Até o momento, a equipe construiu um protótipo em pequena escala. Mas, se ampliado, o material poderia ser usado para construir edifícios baixos e modulares sem cimento.

Uma tinta que muda de cor com as estações do ano
Já sabemos há algum tempo que pintar superfícies como ruas e telhados de branco pode torná-las mais frias, pois o branco reflete o calor, e pintá-las de preto pode torná-las mais quentes, pois o preto absorve o calor.
Em 2025, o designer industrial Joe Doucet levou essa inovação consagrada pelo tempo a um novo patamar, desenvolvendo uma tinta “adaptativa ao clima” que muda de cor de acordo com a temperatura externa.
A tinta, que pode ser misturada com outros pigmentos (para que você ainda possa ter sua casa amarela), pode gerar uma economia estimada de 20 a 30% nos custos de energia anualmente. A equipe de Doucet está testando a fórmula final, com o objetivo de licenciá-la para fabricantes de tinta quando estiver pronta.