Apple e Google apostam em identidade digital para substituir senhas e logins

Tecnologia promete facilitar acesso a serviços online, mas levanta dúvidas sobre privacidade

ilustração representando identidade digital
Créditos: FG Trade/ master1305/ Getty Images

Jared Newman 2 minutos de leitura

Apple e Google gostariam de ver sua identificação, por favor.

Com o lançamento do “Digital ID”, as duas empresas agora permitem que os usuários escaneiem uma versão digital de seus passaportes em mais de 250 pontos de controle da Administração de Segurança no Transporte (TSA, na sigla em inglês) nos Estados Unidos, usando um iPhone ou um celular Android. Um número crescente de estados norte-americanos já oferece suporte a carteiras de motorista digitais para o mesmo fim.

Mas o impulso por essas identidades digitais não se resume à segurança aeroportuária — que, aliás, ainda exige que você carregue uma carteira de motorista ou passaporte físico.

Na prática, trata-se de parte de um esforço mais amplo para verificar quem você é online, algo que agora pode finalmente ganhar tração com a identidade digital baseada em passaportes.

Escanear uma carteira de motorista ou um passaporte não significa que você possa deixar o documento físico em casa. A TSA ainda pode exigir a versão original, e as autoridades de controle de fronteiras não aceitam o documento digital ao cruzar uma fronteira internacional.

Mas Apple e Google têm planos muito maiores para as identidades digitais do que apenas tornar o processo na TSA um pouco mais fluido. A página de configuração do Digital ID da Apple, por exemplo, afirma que o recurso deverá funcionar futuramente para reservar voos ou hotéis e abrir novas contas online.

O Google é ainda mais específico, dizendo que sua identidade digital permitirá recuperar uma conta da Amazon caso o usuário fique bloqueado, acessar portais de saúde e verificar perfis em empresas como a Uber.

VERIFICAÇÃO DE IDENTIDADE NO MUNDO REAL

É aí que está o verdadeiro objetivo dessas identidades digitais: a ideia não é exatamente substituir documentos físicos no mundo real, mas verificar sua identidade no mundo digital.

É fácil imaginar um futuro em que um passaporte digital conviva – ou até substitua – senhas tradicionais como forma de comprovar quem você é online, com um processo de verificação que se parece muito com pagar uma compra usando o Apple Pay.

Isso, obviamente, traz novas preocupações. A conveniência das identidades digitais também pode se tornar um pretexto para restringir grandes partes da internet, exigindo identificação para visitar o site de uma cervejaria local, alugar um filme com classificação indicativa para adultos ou acessar sites com qualquer tipo de recurso social.

recurso de identidade digital da Apple
Crédito: Apple

Embora Apple e Google destaquem a possibilidade de manter seus dados pessoais privados – por exemplo, compartilhando apenas sua idade com um site, sem revelar nome ou endereço – isso pressupõe que as empresas que solicitam sua identidade não peçam nem armazenem mais informações do que o necessário.

Combinado a um uso mais amplo de identidades digitais, isso pode tornar muito mais difícil navegar na internet de forma anônima.

Muito disso ainda é teórico, mas tudo indica que é nessa direção que estamos indo. Por isso, vale ficar atento ao que Apple e Google realmente estão pedindo quando incentivam a criar uma identidade digital.

No longo prazo, trata-se de algo muito maior do que simplesmente passar mais rápido pelo aeroporto.

Este texto foi publicado originalmente na newsletter semanal sobre tecnologia Advisorator.


SOBRE O AUTOR

Jared Newman é jornalista freelancer de tecnologia há mais de 15 anos e contribui regularmente para a Fast Company, PCWorld e TechHive. saiba mais