Sonhar grande não basta: metas precisam de método e força de vontade

Sem planejamento e marcos realistas, até os melhores objetivos perdem força. O segredo é em dividi-los em passos práticos e sustentáveis

mão segura alvo cravado de dardos
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Lisa Bodell 4 minutos de leitura

Eu já fiz isso, você já fez isso – todo mundo já fez. Com as melhores intenções, estabelecemos grandes metas para o futuro: conseguir uma promoção, perder 10 quilos, correr uma maratona. E, muitas vezes, desistimos poucos meses depois, percebendo que tentamos abraçar mais do que conseguíamos.

Por quê? Porque nos apaixonamos pela ideia, mas a execução fica para trás. As metas podem parecer simples, mas sem um plano específico ou marcos realistas, elas rapidamente perdem força.

Grandes metas inspiram rapidamente e nos dão a sensação de que estamos avançando. Mas objetivos só são tão bons quanto os planos que os sustentam. Não dá para construir a casa dos sonhos sem um projeto arquitetônico.

As resoluções de ano-novo são um ótimo exemplo. Todo janeiro, sentimos a necessidade de anunciar uma resolução que vai melhorar nossas vidas, como abandonar um mau hábito ou dormir oito horas por noite.

Segundo um estudo do Strava, 80% das resoluções de Ano Novo fracassam até fevereiro. Parece familiar? Isso acontece porque, embora definir uma meta seja empoderador, a falta de planejamento nos deixa apenas com boas intenções.

Taavo Godtfredsen e Samantha Allison, autores de "The 5x CEO", estudaram grupos de CEOs para entender o que fazia os melhores líderes (e suas equipes) chegarem ao topo. Como disse o CEO de uma empresa do portfólio deles: “crie o resultado estratégico que você quer alcançar e alinhe suas ações de forma implacável para entregá-lo”.

O PERIGO DAS METAS MUITO AMBICIOSAS

Não se trata de evitar metas grandes. O erro é definir objetivos grandes demais ou vagos demais.

Imagine, por exemplo, decidir que vai perder 15 quilos em dois meses. Primeiro: boa sorte. Segundo: embora seja um objetivo nobre, é extremamente fácil se desmotivar quando o progresso não aparece rápido, ou quando não há um caminho claro a seguir. A meta é tão grande (ou intimidante) que acaba virando um fator de desânimo.

dardos acerta o centro de um alvo
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Uma abordagem melhor é estabelecer metas menores, com marcos que possam ser alcançados de forma realista. Em vez de perder 15 quilos, divida o objetivo em etapas gerenciáveis: perder dois quilos no primeiro mês, treinar três vezes por semana e assim por diante. Cada pequena conquista gera uma sensação de progresso e o efeito acumulado é muito mais sustentável ao longo do tempo.

O mesmo vale para os negócios. Definir uma meta como “ser líder da categoria” é ambicioso e inspirador, mas, sem um plano passo a passo – pesquisa de mercado, reforço da equipe de vendas, parcerias inovadoras – isso não passa de um sonho distante.

Estabelecer metas menores dentro dessa visão maior, como aumentar as vendas em 10% no trimestre ou fortalecer a presença nas redes sociais, cria alvos concretos nos quais focar.

METAS PRECISAM DE PLANOS

Metas são como o destino em um mapa; o plano é o GPS que leva até lá. Sem esse roteiro, você pode acabar rodando em círculos. Planos que desmembram grandes objetivos em ações menores e executáveis tornam a jornada mais viável, mensurável e motivadora.

Sara Blakely, fundadora da marca de lingerie Spanx
Sara Blakely (Crédito: Divulgação)

Um bom exemplo é o de Sara Blakely, criadora da marca de lingerie Spanx. Como empreendedora, ela tinha um grande objetivo: criar uma peça revolucionária que mudasse a forma como as mulheres se sentem em relação às roupas que vestem.

Mas Blakely não se apoiou apenas nessa grande ideia. Ela dividiu o objetivo em etapas menores: aprendeu sobre manufatura, conseguiu reuniões com investidores em potencial e passou pelo processo de patenteamento do produto.

De forma impressionante, Blakely iniciou a Spanx com apenas US$ 5 mil. Ao criar um plano detalhado e transformar sua visão em passos incrementais, construiu um negócio avaliado em bilhões de dólares.

COMO CRIAR UM PLANO QUE FUNCIONE

Para transformar metas em planos acionáveis, vale seguir algumas práticas:

1. Divida o objetivo: transforme a meta em partes menores e administráveis. Se o objetivo é escrever um livro, não fique apenas em “escrever um livro”. Defina metas como “escrever 500 palavras por dia” ou “concluir um capítulo por mês”.

2. Use metas SMART: o modelo SMART (específicas, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e com prazo definido) ajuda a manter os objetivos ancorados na realidade. Em vez de “quero entrar em forma”, diga “vou treinar quatro vezes por semana, por 30 minutos, durante os próximos três meses”.

3. Crie uma linha do tempo: toda meta precisa de prazos. Datas criam senso de urgência e aumentam a responsabilidade.

4. Elimine obstáculos: o que pode atrapalhar? Falta de tempo, dinheiro ou motivação? Identificar barreiras ajuda a planejar como superá-las.

5. Acompanhe o progresso: revise regularmente seus avanços. Está cumprindo os marcos? Ajuste o plano quando necessário.

Como em muitas áreas da vida, não são os grandes gestos que geram impacto, mas o acúmulo de ações diárias: escrever todos os dias, treinar todos os dias, manter esforços constantes.

Quanto mais você divide os objetivos em passos possíveis e mantém a consistência, mais alcançáveis eles se tornam. É tentador definir metas enormes e ousadas, mas, sem um plano que as sustente, o risco é a frustração.

Comece pequeno, planeje cada etapa e mantenha a constância. É a jornada, um passo de cada vez, que leva a grandes resultados.


SOBRE A AUTORA

Lisa Bodell é CEO da plataforma de recursos humanos FutureThink. saiba mais