Prepare o bolso: escassez de memória RAM pode encarecer celulares e laptops

A corrida por data centers de IA está concentrando a oferta de chips e pressionando os preços de eletrônicos de consumo

usuário segura nas mãos um teclado de computador quebrado
Créditos: Dmytro Hai/ Daniil Dubov/ Getty Images

Michael Grothaus 3 minutos de leitura

O preço das ações das fabricantes de memória RAM e NAND – como Micron Technology, Sandisk Corporation, Western Digital e Seagate Technology Holdings – dispararam esta semana.

O principal motor dessa alta é a escassez de RAM (memória de acesso aleatório) que deve se estender ao longo de 2026. Na prática, isso pode significar computadores pessoais e smartphones bem mais caros ainda este ano.

A seguir, o que você precisa saber sobre a escassez de RAM em 2026.

POR QUE ESTÁ FALTANDO MEMÓRIA RAM?

A falta de memória RAM pode ser atribuída a um único fator: inteligência artificial. Gigantes da tecnologia como Google e Amazon, além de outros chamados hyperscalers, estão correndo para construir o maior número possível de data centers dedicados à IA.

Esses centros são repletos de servidores, que são o que sustenta os serviços de IA. Servidores de data center são compostos por diversos elementos – armazenamento, CPUs, GPUs e, principalmente RAM –, todos necessários para executar tarefas de IA.

A RAM é a memória de curto prazo usada por dispositivos digitais para realizar tarefas com rapidez. Conhecida informalmente como “chip de memória”, ela armazena dados temporariamente. Isso a diferencia de outros tipos de armazenamento, como os chips NAND (a memória flash usada em SSDs), projetados para guardar dados no longo prazo.

Quanto mais RAM um smartphone ou computador tem, mais rápido ele funciona e mais ágil é na execução de tarefas.

FABRICANTES CORREM PARA ATENDER À DEMANDA DA IA

O problema que agrava a falta de memória RAM é que os fabricantes têm capacidade de produção limitada e precisam decidir quais tipos de memória produzir.

superchip de inteligência artificial

Os servidores usados em data centers de IA exigem um tipo mais avançado de RAM do que aquela presente em smartphones e PCs. Neste momento, essa memória de ponta é muito disputada por gigantes de tecnologia que constroem infraestrutura para IA.

As big techs estão dispostas a pagar prêmios elevados para garantir o máximo possível de RAM para seus data centers. Com isso, os fabricantes priorizam a produção da memória exigida por empresas de IA em detrimento da RAM tradicional comprada por fabricantes de eletrônicos de consumo.

O resultado é uma falta de memória RAM convencional usada em laptops e smartphones.

SMARTPHONES VÃO FICAR MAIS CAROS?

A falta de qualquer componente tende a pressionar preços para cima, por isso empresas de eletrônicos de consumo estão pagando mais caro pela RAM tradicional que equipa seus aparelhos.

Uma análise da consultoria TrendForce aponta que os preços contratuais da DRAM convencional aumentaram entre 55% e 60% de um trimestre para outro. Esse salto é consequência direta da escassez e provavelmente significa preços mais altos para novos smartphones e laptops este ano.

Em geral, fabricantes de celulares e computadores não absorvem aumentos de custo de componentes. Eles repassam esses valores ao consumidor para evitar impacto negativo nas margens de lucro.

os fabricantes têm capacidade de produção limitada e precisam decidir quais tipos de memória produzir.

Sobre o tamanho do reajuste, o "Financial Times" reportou que os preços podem subir até 20%. Alguns analistas, porém, esperam aumentos menores, observa o jornal. Isso porque fabricantes podem tentar cortar custos em outras áreas para evitar queda nas vendas.

Com o preço dos chips de RAM em alta e a demanda das big techs a todo vapor, não é surpresa que as ações das fabricantes de memória estejam em trajetória ascendente. A forte valorização veio após o relatório da TrendForce divulgado na segunda-feira (dia 5) e comentários do CEO da Nvidia, Jensen Huang.

Segundo ele, o mercado de armazenamento de memória é hoje “completamente desatendido” e “provavelmente será o maior mercado de armazenamento do mundo, basicamente abrigando a memória de trabalho das IAs globais”, segundo o Business Insider.


SOBRE O AUTOR

Michael Grothaus é escritor, jornalista, ex-roteirista e autor do romance "Epiphany Jones". saiba mais