O que vem por aí na eletrônica de consumo? Protótipos da CES dão pistas
Diversos protótipos deram pistas de como as empresas imaginam a evolução do universo dos eletrônicos de venda direta ao consumidor

A Consumer Electronic Show (CES) é um evento que vive de futuro. Normalmente, esse futuro está logo ali, a um ou dois anos de distância. As empresas usam o palco da feira para apresentar produtos, dar início a campanhas de marketing e começar a construir o desejo do consumidor. Mas, de vez em quando, elas oferecem um vislumbre de um horizonte um pouco mais distante.
Na edição deste ano (encerrada ontem), diversos protótipos deram pistas de como as empresas imaginam a evolução do universo da eletrônica de consumo. Muitos deles, claro, vão acabar ficando pelo caminho. Quase todos ainda passarão por mudanças significativas antes de chegar perto do mercado. Mesmo assim, funcionam como uma espécie de bola de cristal do setor.
Veja algumas das tendências que esses protótipos estão “profetizando” para os próximos anos.
RELÓGIO INTELIGENTES SERÃO MAIS ÚTEIS
Os smartwatches já fazem muita coisa. Liberam as mãos do usuário, permitem checar mensagens e ver quem está ligando sem precisar pegar o celular, monitoram dados de saúde e podem até servir como uma linha de vida em situações de emergência.
Também funcionam para abrir portas de quartos de hotel, mas ainda não são vistos como suficientemente seguros para aplicações como sistemas bancários ou de controle de acesso.
A Cambridge Consultants, no entanto, apresentou um protótipo de relógio de luxo que também funciona como uma chave digital. O bisel giratório – o anel rotativo com marcações mais comum em relógios de mergulho – utiliza técnicas de miniaturização extrema para integrar componentes avançados de segurança.
No mesmo estande, a empresa exibiu outro protótipo: um smartwatch projetado para permitir que o próprio consumidor faça reparos no dispositivo, sem comprometer a estética.
REALIDADE AUMENTADA SEM CÂMERAS
Hoje, o rastreamento ocular depende de câmeras. Mas outro protótipo apresentado pela Cambridge Consultants eliminou completamente a lente, substituindo-a por uma combinação de fotônica e fusão de sensores.
Isso pode ser o empurrão que a realidade aumentada precisa para ganhar adoção em massa, já que tornaria os headsets bem menores e mais confortáveis.
TELAS DE TV MAIS BRILHANTES
Essa tendência está bem mais próxima de se concretizar do que outras. Samsung e TCL exibiram televisores capazes de entregar cores extremamente intensas, graças a uma nova geração de retroiluminação chamada RGB LED – a mais recente adição à já confusa sopa de letrinhas do setor, que inclui QLED, OLED, LED, Mini LED e por aí vai.

As cores saltam aos olhos como nunca antes, mas as telas também ficaram muito mais brilhantes – a ponto de, se você estiver muito perto, acabar semicerrando os olhos. Um dos modelos da Samsung alcançou 4,5 mil nits de brilho, cerca do dobro do que oferecem hoje as TVs topo de linha.
SENSORIAMENTO DE POSIÇÃO
À medida que a indústria de robótica continua a crescer e a ganhar espaço em casas e empresas, a precisão dos softwares de posicionamento se torna crucial. É divertido ver um robô dançar, mas nem tanto quando ele acerta alguém em cheio enquanto demonstra seus movimentos.
Na CES foram apresentadas novas tecnologias de sensoriamento de posição para eletrônicos de consumo, que vão desde os “tijolos inteligentes” da Lego, que incorporam esse tipo de sensor às brincadeiras, até uma arquitetura experimental que reduz drasticamente o espaço necessário para o sensoriamento unidirecional.
Isso pode abrir caminho para levar essa tecnologia a dispositivos onde hoje ela não é viável – e, de quebra, garantir que o robô da sua casa não te acerte com um gancho de direita enquanto cuida da roupa suja.