A Barbie que nasceu para incluir crianças do espectro autista

A ideia foi criar uma Barbie que refletisse algumas das formas como pessoas no espectro autista vivenciam e processam o mundo ao seu redor

boneca Barbie autista
boneca Barbie autista

Anne D'Innocenzio 2 minutos de leitura

A Mattel acaba de lançar uma boneca Barbie autista como o mais novo integrante de sua linha voltada a celebrar a diversidade. A novidade se junta a uma coleção que já inclui Barbies com síndrome de Down, uma Barbie cega, uma Barbie e um Ken com vitiligo, além de outros modelos que a fabricante adicionou para tornar suas bonecas fashion mais inclusivas.

A Mattel afirma que desenvolveu a boneca autista ao longo de mais de 18 meses, em parceria com a Autistic Self Advocacy Network (ASAN), organização sem fins lucrativos que defende os direitos de pessoas autistas, bem como uma melhor representação dessas pessoas na mídia.

O objetivo foi criar uma Barbie que refletisse algumas das formas como pessoas no espectro autista podem vivenciar e processar o mundo ao seu redor, segundo comunicado da empresa.

Não foi uma tarefa simples. O autismo abrange uma ampla gama de comportamentos e desafios, que variam bastante em grau. Além disso, muitas das características associadas ao transtorno não são imediatamente visíveis, explica Noor Pervez, gerente de engajamento comunitário da ASAN, que trabalhou junto com a Mattel no protótipo da boneca.

Assim como acontece com muitas deficiências, “o autismo não tem uma única aparência”, disse Pervez. “Mas podemos tentar mostrar algumas das formas como ele se expressa.”

Um exemplo está nos olhos da nova Barbie, que se desviam levemente para o lado, representando como algumas pessoas autistas às vezes evitam o contato visual direto.

A boneca também foi dotada de cotovelos e punhos articulados para reconhecer comportamentos como o stimming, o agitar das mãos e outros gestos que algumas pessoas no espectro usam para processar estímulos sensoriais ou expressar empolgação, segundo a Mattel.

boneca Barbie autista
Crédito: Mattel

A equipe de desenvolvimento também debateu se a boneca deveria usar uma roupa justa ou mais solta. Algumas pessoas autistas preferem roupas largas por serem sensíveis ao toque das costuras no tecido, enquanto outras optam por peças mais ajustadas ao corpo para ter uma melhor noção de seus limites corporais, explicou Pervez.

No fim, a escolha foi um vestido em corte A, com mangas curtas e saia fluida, que reduz o contato do tecido com a pele. A boneca também usa sapatos baixos, pensados para promover estabilidade e facilitar os movimentos.

Cada boneca vem acompanhada de um brinquedo giratório (fidget spinner) rosa de encaixe no dedo, fones de ouvido com cancelamento de ruído e um tablet rosa inspirado nos dispositivos usados por algumas pessoas autistas que têm dificuldades de fala para se comunicar.

acessórios da boneca Barbie autista
Crédito: Mattel

A inclusão da boneca autista na linha Barbie Fashionistas também se tornou uma oportunidade para a Mattel criar um modelo com traços faciais inspirados em funcionários da empresa na Índia, além de painéis de referência que refletem uma variedade de mulheres com origens indianas. Para Pervez, era importante que a boneca representasse um segmento da comunidade autista que costuma ser pouco representado.

A Mattel apresentou sua primeira boneca com síndrome de Down em 2023 e lançou, no último verão do hemisfério norte, uma Barbie que representa uma pessoa com diabetes tipo 1.

A linha Fashionistas também inclui uma Barbie e um Ken com perna protética, além de uma Barbie com aparelhos auditivos. Também abrange diferentes tipos de corpo – altos, baixos e curvilíneos –, bem como uma ampla variedade de cabelos e tons de pele.


SOBRE A AUTORA

Anne D’Innocenzio é repórter da área de varejo da Associated Press. saiba mais