Estas janelas isolam como paredes e reduzem sua conta de luz
Tecnologia reduz os custos de energia, tornando os edifícios mais eficientes e ajudando a aliviar a pressão sobre a rede elétrica

Enquanto as concessionárias de energia elétrica lutam para dar conta do crescimento acelerado da demanda, elas começam a recorrer a uma ferramenta inesperada: janelas que isolam como paredes.
“Pense nelas como uma garrafa térmica embutida nas paredes”, diz Scott Thomsen, CEO e fundador da LuxWall, que trabalhou na indústria de semicondutores e de vidro para displays antes de assumir o desafio de reinventar as janelas.
Janelas energeticamente eficientes não são novidade. Mas um design radical da LuxWall, startup sediada em Michigan, nos EUA, vai muito além.
Em vez de depender de vidros duplos ou triplos, a empresa usa vácuo para bloquear a transferência de calor. É a mesma forma que um copo térmico mantém uma bebida gelada ou quente do lado de dentro do recipiente, enquanto o lado de fora continua à temperatura ambiente.
Uma janela eficiente comum costuma ter um valor R (que é a medida da resistência de um material à transferência de calor) de cerca de R3. As janelas da LuxWall chegam a R18, equivalente ao isolamento de uma parede sólida. Quando substituem janelas de vidro simples, podem reduzir o consumo de energia em até 45%.
Alguns dos primeiros clientes da startup são grandes proprietários de edifícios, como o JPMorgan Chase, em busca de formas de reduzir drasticamente as contas de energia. Em grandes projetos, o retorno do investimento costuma levar de três a sete anos.

“Quando entramos e fazemos o retrofit de um prédio de R2 para R18, a quantidade de quilowatts-hora que economizamos é impressionante”, afirma Thomsen. “Ganhamos eficiência energética e reduzimos custos para o proprietário. Mas estamos percebendo que o maior benefício é manter elétrons na rede."
Segundo ele, quando deixam de enviar elétrons para sistemas de HVAC (aquecimento, ventilação e ar-condicionado, na sigla em inglês), eles estão enviando esses elétrons para data centers. "Nossa tese é que dá para adaptar edifícios mais rápido do que construir novas usinas de energia”, explica.
JANELAS COM SUPERISOLAMENTO
A ideia do vidro isolado a vácuo não é nova e surgiu em laboratório ainda nos anos 1960. Mas, diferente de garrafas térmicas – que podem ser fabricadas em massa em um único tamanho –, janelas de diversas dimensões e formatos são difíceis de produzirem escala industrial.

“Na minha visão, o motivo de isso nunca ter sido comercializado com sucesso é que é preciso combinar de verdade ciência dos materiais com manufatura avançada”, diz Thomsen.
À medida que a startup desenvolveu um processo de fabricação viável, também obteve financiamento da Breakthrough Energy Ventures, de Bill Gates, e de outros fundos de capital de risco para construir uma fábrica. Até agora, a empresa já levantou US$ 167 milhões.
Dentro de uma fábrica altamente automatizada de 20 mil metros quadrados, uma linha de produção produz janelas sob medida. Grandes chapas de vidro transparente e de baixa emissividade são cortadas, lapidadas, perfuradas e temperadas.
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Depois, essas chapas são cuidadosamente unidas em uma linha de montagem a vácuo, com minúsculos pilares de suporte e selantes aplicados com lasers e calor. O ar entre os vidros é removido, criando um vácuo que transforma a janela em um isolante comparável a uma parede.
“Estamos acelerando a produção”, diz Thomsen. “Isso vai melhorar significativamente a economia por unidade.”