A era do chatbot está acabando: como a IA vai virar colega de trabalho

Já passou da hora de entregar inteligência por meio de diversas interfaces, alinhadas à crescente variedade de tarefas em que a IA pode ser aplicada

chatbots como colegas de trabalho
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Mark Sullivan 2 minutos de leitura

A Anthropic começou 2026 com tudo. A empresa anunciou o Cowork, uma nova versão do seu poderoso assistente de programação Claude Code, agora pensada para quem não é desenvolvedor.

O Cowork permite que usuários coloquem agentes de IA, ou equipes de agentes, para trabalhar em tarefas complexas. Ele oferece todo o poder “agêntico” do Claude Code, mas de forma muito mais acessível para usuários comuns (funciona dentro do aplicativo de desktop do chatbot Claude, e não no terminal, como o Claude Code).

Além disso, opera no nível do sistema de arquivos do computador do usuário e pode acessar e-mails e aplicativos corporativos de terceiros, como o Teams.

O Cowork, provavelmente, é apenas o primeiro produto desse tipo que veremos este ano. Alguns se mostraram surpresos por a OpenAI ainda não ter lançado uma ferramenta agêntica semelhante para consumidores e empresas – algo que deve acontecer, assim como iniciativas do Google e da Microsoft, de alguma forma.

Acredito que, daqui a um ano, vamos olhar para o Cowork e reconhecê-lo como uma mudança real no modo como pensamos e usamos a IA no trabalho. As empresas de IA dizem há muito tempo para tratarmos essa tecnologia como uma colega de trabalho ou um “copiloto”, mas o Cowork pode finalmente tornar esse conceito concreto para muitos profissionais não técnicos.

O ChatGPT, da OpenAI, que estreou no fim de 2022, nos deu uma ideia de como seria a IA voltada ao consumidor. Era basicamente uma caixinha de diálogo, pouco visual e centrada em texto. Isso não deveria ter surpreendido tanto. Afinal, a interface de chatbot foi criada por pesquisadores que passaram a vida ensinando máquinas a entender palavras e textos.

Na prática, os primeiros chatbots funcionavam como um mecanismo de busca. Eles escreviam ou resumiam textos, ouviam problemas e ofereciam respostas de apoio.

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Mas os resultados eram impulsionados quase que só pelo pré-treinamento, no qual os chatbots absorveram e processaram uma versão compactada de praticamente toda a internet. Usar o ChatGPT era algo parecido com trocar mensagens de texto com um amigo inteligente e bem informado.

Hoje, os grandes modelos de linguagem fazem muito, muito mais do que isso. Eles entendem imagens, raciocinam, pesquisam na web e acionam ferramentas externas. Ainda assim, os laboratórios de IA continuam tentando empurrar grande parte dessas novas capacidades pelo mesmo formato de interface de chatbot.

Já passou da hora de superar essa mentalidade e investir mais tempo e esforço em encontrar os usuários onde eles realmente estão – ou seja, entregar inteligência por meio de diversas interfaces, alinhadas à crescente variedade de tarefas em que a IA pode ser aplicada de forma produtiva.

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Isso deve começar a acontecer em 2026. A IA vai se expandir para um espaço de trabalho completo, ou para um navegador inteiro (como o Atlas, da OpenAI), e eventualmente vai se dissolver dentro do próprio sistema operacional.

A interação também se tornará mais flexível. Ainda este ano, veremos mais sistemas de IA capazes de receber comandos de voz em tempo real.

A Anthropic adicionou em outubro um recurso ao Claude (na versão desktop) que permite conversar com o chatbot em linguagem natural ao acionar um atalho de teclado. Já o Wispr Flow permite ditar texto em qualquer campo de entrada ao segurar uma tecla de função.


SOBRE O AUTOR

Mark Sullivan é redator sênior da Fast Company e escreve sobre tecnologia emergente, política, inteligência artificial, grandes empres... saiba mais