Por que transformar a Bic Cristal em luminária faz tanto sentido

Você nunca viu uma Bic Cristal como esta na sua vida

luminária em forma de caneta Bic
Créditos: BIC/ Seletti

Grace Snelling 3 minutos de leitura

Quase onde quer que você vá – do consultório médico à biblioteca, passando pela concessionária de veículos – existe uma joia do design onipresente, escondida à vista de todos: a caneta Bic Cristal.

Essa heroína anônima da mesa de trabalho, que já foi responsável por incontáveis assinaturas e anotações, finalmente está tendo seu momento de estrelato, graças a uma colaboração com a marca italiana de design e utilidades domésticas Seletti.

A Bic Cristal é a caneta mais vendida do mundo, com mais de 120 bilhões de unidades comercializadas desde seu lançamento, em 1950. Para marcar a reta final do 75º aniversário do modelo, a Bic se uniu à Seletti para criar uma obra de arte inspirada na caneta: uma luminária gigante, em escala 12:1.

A escala exagerada funciona especialmente bem como objeto de iluminação. O corpo transparente revela uma luz LED interna com brilho que lembra néon.

luminária em forma de caneta Bic Cristal
Crédito: Bic

A peça pode ser posicionada na vertical ou na horizontal e usada como luminária de piso, pendente ou arandela de parede. Ela estará disponível nas cores clássicas da caneta (azul, vermelho e preto), com preço em torno de US$ 350.

POR QUE A BIC CRISTAL É A LUMINÁRIA PERFEITA

A Bic Cristal é uma adaptação da primeira caneta esferográfica da história, inventada em 1938 pelo jornalista húngaro László Biró.

Segundo um texto produzido para a exposição Pirouette: Turning Points in Design (Pirueta: Pontos de Virada no Design), do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), a caneta original de Biró foi criada para permitir um fluxo de tinta mais consistente do que as antigas canetas-tinteiro. Ainda assim, ela apresentava problemas de entupimento e vazamento.

Depois de adquirir a patente de Biró, o fundador da Bic, Marcel Bich, ajustou o design ao incluir uma ponta esferográfica menor, de apenas 1 milímetro de largura, além de um detalhe simples, porém crucial: um pequeno furo de ar, que impede a formação de vácuo dentro da caneta.

Essa minúscula modificação permite que a tinta flua livremente até a ponta – e é exatamente isso que faz da Bic Cristal uma escolha tão confiável até hoje.

Do ponto de vista estético, a decisão de Bich de usar plástico transparente no corpo da caneta revela seu funcionamento interno e a torna imediatamente reconhecível.

luminária em forma de caneta Bic Cristal
Crédito: Bic

Paola Antonelli, curadora de arquitetura e design do MoMA, afirmou no material do museu: “ela quase parece estar dentro de um tubo de cristal. Foi um uso tão bonito do plástico que quase nos fez pensar que o plástico poderia ser algo precioso”.

O diretor criativo Stefano Seletti também se sentiu atraído pela estética elegante e cristalina da Bic Cristal como um potencial objeto de iluminação para a Seletti.

Desde que começou a investir em luminárias, alguns anos atrás, a marca adotou uma abordagem fora do comum em seu catálogo, explorando desde figuras de animais segurando lâmpadas até uma representação anatomicamente correta de um coração humano.

luminárias em forma de macaco e de coração da marca Seletti
Crédito: Seletti

“A estrutura da caneta era absolutamente perfeita para esse projeto: o corpo tubular transparente permite a passagem da luz, o cartucho de tinta pôde ser facilmente transformado no LED que gera a iluminação e os componentes elétricos podem ser escondidos sem dificuldade pelas partes plásticas coloridas”, diz Seletti.

Sua equipe trabalhou em parceria com o designer italiano Mario Paroli, além da própria Bic, para dar vida à Bic Lamp. Para isso, utilizaram arquivos e desenhos técnicos da Bic, reproduzindo fielmente a caneta em uma escala 12 vezes maior.


SOBRE A AUTORA

Grace Snelling é colaboradora da Fast Company e escreve sobre design de produto, branding, publicidade e temas relacionados à geração Z. saiba mais