Quem tem CDB no Will Bank perde dinheiro? Veja o que acontece após a liquidação

Entenda o que levou o Will Bank à liquidação após o colapso do Banco Master

Will Bank tela de celular
O banco havia crescido oferecendo CDBs com rendimentos muito acima da média do mercado. Crédito: imagem gerada com auxílio de IA ChatGPT.

Guynever Maropo 3 minutos de leitura

O Banco Central anunciou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial do Will Bank, banco digital ligado ao conglomerado do Banco Master.

A decisão marca mais um capítulo da crise iniciada no fim de 2025, quando o BC já havia decretado a liquidação do Banco Master por investigações sobre fraudes e até suspeita de organização criminosa.

Segundo o Banco Central, os investidores que aplicaram em Certificados de Depósito Bancário (CDB) contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo criado para reduzir perdas em casos de quebra ou liquidação de instituições financeiras.

COMO FUNCIONA A PROTEÇÃO?

Os CDBs, estão entre os produtos cobertos pelo FGC, e possuem a garantia para o limite de até R$ 250 mil por pessoa, considerando o conjunto de depósitos e investimentos elegíveis mantidos na mesma instituição.

Assim, investidores do Will Bank que possuíam CDBs dentro desse teto devem ter os valores protegidos conforme as regras do FGC, aplicadas automaticamente nos casos de liquidação extrajudicial.

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O QUE ACONTECEU COM O BANCO MASTER?

O Banco Master entrou em liquidação extrajudicial em 18 de novembro 2026 após o Banco Central concluir que a instituição não tinha condições de se recuperar. A autoridade identificou problemas estruturais, riscos excessivos e deterioração da liquidez.

O banco havia crescido oferecendo CDBs com rendimentos muito acima da média do mercado. Para sustentar esse modelo, passou a estruturar operações que inflavam artificialmente o balanço, enquanto o caixa real diminuía. Investigações apontaram movimentações suspeitas envolvendo fundos, empresas intermediárias e operações sem lastro econômico consistente.

POR QUE O WILL BANK ENTROU EM LIQUIDAÇÃO?

O Will Bank, controlado pelo Banco Master Múltiplo, já operava sob Regime de Administração Especial Temporária. A expectativa inicial era encontrar compradores que mantivessem o banco funcionando.

Essa alternativa não se concretizou. Em 19 de janeiro de 2026, a instituição descumpriu obrigações no arranjo de pagamentos da Mastercard, o que levou ao bloqueio de suas operações com cartões. Com a situação econômico-financeira comprometida e caracterizada como insolvente, o BC considerou inevitável a liquidação.

COMO FUNCIONA A LIQUIDAÇÃO?

Na liquidação extrajudicial, o banco tem suas atividades interrompidas e é retirado do Sistema Financeiro Nacional. Um liquidante é nomeado para apurar dívidas, organizar os créditos e conduzir eventuais pagamentos.

Além disso, os bens dos controladores e ex-administradores ficam indisponíveis. No caso da Will Financeira, o Banco Central bloqueou os bens de controladores, holdings e ex-dirigentes ligados à instituição.

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O QUE ACONTECE COM O DINHEIRO DOS CLIENTES

Com a liquidação, contas e serviços deixam de funcionar normalmente. Os valores dos clientes passam a integrar o processo de liquidação e serão pagos conforme a ordem legal de preferência entre credores.

Depósitos e produtos como CDBs podem contar com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos. O FGC cobre até R$ 250 mil por pessoa, considerando o conjunto de produtos elegíveis mantidos na instituição.

Valores acima desse limite entram no processo de liquidação e só serão pagos se houver recursos disponíveis após a quitação das prioridades legais.

A liquidação do Will amplia os efeitos do processo iniciado com o Banco Master. O Banco Central considera esse tipo de medida essencial para retirar instituições insolventes do mercado e preservar a estabilidade do sistema financeiro.

No caso do Master, estimativas apontam que esquemas financeiros teriam movimentado cerca de R$ 11,5 bilhões entre 2023 e 2024 por meio de triangulações envolvendo empresas e fundos. Também foram identificados fundos suspeitos com patrimônio conjunto de aproximadamente R$ 102,4 bilhões, segundo apurações.

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COMO FICAM OS CARTÕES, CONTAS E DÍVIDAS

Com a liquidação, cartões de crédito deixam de funcionar, pois a instituição emissora não está mais em operação. Apesar disso, dívidas já existentes continuam válidas.

Faturas geradas no Will Bank antes da liquidação não são automaticamente canceladas. A obrigação de pagamento permanece, salvo decisão judicial ou negociação específica no processo de liquidação.


SOBRE A AUTORA

Jornalista, pós-graduando em Marketing Digital, com experiência em jornalismo digital e impresso, além de produção e captação de conte... saiba mais