6 ideias que vão definir a arquitetura em 2026

A Fast Company perguntou a seis arquitetos como serão os edifícios projetados em 2026 e quais serão os principais fatores que vão determinar seu design

6 ideias que definirão a arquitetura em 2026
Créditos: sorn340/ Jason Finn/ Eugene Sergeev/ Getty Images

Nate Berg 4 minutos de leitura

Que forma os prédios podem assumir em 2026?

A Fast Company perguntou a arquitetos de alguns dos principais escritórios em atuação no mundo o que eles pensam sobre a aparência da arquitetura em 2026. É claro que um prédio projetado este ano quase certamente não será concluído tão logo – e os cronogramas de construção, como sabemos, são flexíveis.

Mas, segundo especialistas, há algumas tendências gerais no design arquitetônico que podem imprimir um selo claro de 2026 nos edifícios concebidos neste ano, independentemente de quando eles sejam oficialmente inaugurados.

Esta foi a pergunta que fizemos a um painel de designers e líderes da arquitetura:

"Quando finalmente forem construídos, como serão os edifícios projetados em 2026 e quais serão os principais fatores que vão determinar seu desenho?".

Veja a seguir as respostas.

DESIGN INTEGRADO

Depois de anos de arquitetura espetaculosa e guiada por

Trent Tesch, designer e arquiteto

marca, há um desejo (especialmente em Nova York) por prédios que pareçam integrados, em vez de singulares e muito expressivos. Uma arquitetura que valoriza a experiência e a utilidade acima da forma chamativa deve (esperamos) produzir prédios "tranquilos" e bem proporcionados.

Trent Tesch, diretor de design do escritório Korn Perdersen Fox Associates

COMPLEXIDADE REPENSADA

Nossas construções podem e devem atender aos nossos propósitos de maneiras mais direcionadas e adequadas mais especificamente.

David Polzin, diretor da Cannon Design

Os edifícios farão mais para responder às necessidades das pessoas para além de suas paredes, dentro das comunidades, e serão mais inclusivos em múltiplas frentes.

Eles podem fazer mais para que as pessoas se sintam seguras, para responder às especificidades climáticas, para desafiar as próprias percepções do que um edifício deve ser – e, ao mesmo tempo, ser belos de formas inesperadas.

Em vez de um design complexo por si só, edifícios ricos e complexos vão surgir da tentativa de resolver essa multiplicidade de condições, perspectivas e necessidades que enfrentamos como sociedade.

David Polzin, diretor executivo de design da Cannon Design

DESIGN SITUACIONAL

Na escala do nosso trabalho na Practice for Architecture and Urbanism (PAU), algo construído em 2026 começou a ser projetado em 2020 ou 2021. É por isso que a arquitetura não é como a moda ou o software. Ela simplesmente não pode ser produzida a tempo de refletir um espírito do tempo.

Vishaan Chakrabarti, arquiteto

O trabalho da PAU é “situacional” no sentido de ser um espelho e uma janela para os lugares e as prerrogativas em que cada projeto está inserido. Portanto, trata-se de onde, por que e para quem, mas também de quando. Dito isso, há avanços materiais em curso que permitirão, por exemplo, o uso de concreto mais sustentável e de outros materiais mais verdes nos próximos anos.

Vishaan Chakrabarti, fundador da PAU

ARQUITETURA ORGÂNICA

A arquitetura das construções em 2026 serão mais suaves e mais orgânicas, com mais materiais naturais e de baixo carbono do que qualquer geração anterior de edifícios contemporâneos.

Colin Koop, sócio do coletivo de arquitetos SOM

CONSTRUIR CONFIANÇA

Vejo 2026 como um momento decisivo para a arquitetura, um verdadeiro ponto de inflexão. Estamos confrontando o surgimento da IA, que vai transformar a forma como trabalhamos, pensamos e vivemos. Mas, para mim, a questão mais urgente não é tecnológica. é o estado do nosso tecido social.

Thomas Wong, arquiteto

Estamos projetando em um momento de fragmentação intensa: erosão da confiança, instituições enfraquecidas e um crescente senso de desconexão entre pessoas, entre comunidades e entre a sociedade e a natureza.

O design hoje deve priorizar abertura e estabilidade, reforçar instituições como espaços de conhecimento coletivo e valores compartilhados, criar ambientes que incentivem a comunidade, inspirem esperança e incorporem otimismo. Deve se tornar um ato de tranquilização: de que o conhecimento importa, de que a cultura perdura e de que o espaço público ainda vale o investimento.

Essa mudança exige que os arquitetos pensem profundamente sobre comportamento humano, psicologia e dinâmicas sociais, e enxerguem a arquitetura como uma contribuição de longo prazo para o registro histórico — não apenas como uma resposta a um briefing.

Thomas J. Wong, sócio de design da Ennead Architects

ARQUITETURA MULTIFUNCIONAL

Os edifícios projetados em 2026 vão refletirão a crescente pressão para que novos empreendimentos de todos os tipos atendam a necessidades cada vez maiores e mais diversas.

Claire Weisz, arquiteta

Esperamos que a arquitetura se torne mais multifuncional e adaptável, moldada pelo carbono incorporado e pelos limites dos materiais, pelo desempenho ao longo do ciclo de vida, pela resiliência climática e pelo valor de longo prazo.

Os projetos mais instigantes não se anunciarão apenas pela forma; a fruição do espaço e a invenção serão essenciais. Existe uma necessidade básica de alegria e inspiração nos lugares que podemos criar para aliviar o cotidiano. Em muitos casos, a escolha mais radical será construir menos, reutilizar ainda mais e projetar de maneiras que incentivem a transformação.

Claire Weisz, sócia fundadora da WXY architecture + urban design


SOBRE O AUTOR

Nate Berg é jornalista e cobre cidades, planejamento urbano e arquitetura. saiba mais