Você está estável na carreira – ou apenas estagnado?
Usar a 'estabilidade' pode ser uma desculpa para o medo quando o assunto é segurança na carreira

Durante muito tempo, a Ph.D. e psicóloga Jessica Wilen disse a si mesma que estava escolhendo a estabilidade em sua carreira ao invés da estagnação.
Ela conta que trabalhava em uma universidade de prestígio, fazendo um trabalho importante, cercada por pessoas inteligentes. O cargo tinha legitimidade e o salário caía no mesmo dia, no mesmo valor, todo mês.
O caminho a seguir era claro e a estrutura bem definida. Naquele momento da sua vida - criando filhos pequenos - essa previsibilidade não era apenas reconfortante, mas necessária.
Seu trabalho era importante e ela conseguia justificar facilmente quando o descrevia para os outros. Ela conseguia justificar por que fazia sentido ficar. No entanto, neste cenário Jéssica era infeliz.
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Não de uma forma dramática ou motivada por uma crise. Isso porque não houve um chefe ruim específico ou um momento catastrófico que a obrigasse a tomar uma decisão precipitada. Era algo mais sutil.
Uma sensação persistente e discreta de que ela estava em desacordo com si mesma. A impressão de que estava gastando mais energia mantendo o acordo do que o próprio trabalho exigia.
A parte complicada era que ela já sabia o que queria. Queria sair e construir seu próprio negócio em tempo integral. A psicologa havia começado como um projeto paralelo.
Tinha um número crescente de clientes e o trabalho a energizava. Ela se sentia mais ela mesma fazendo esse trabalho do que em anos. Mesmo assim, permaneceu na função acadêmica por muito mais tempo do que o necessário.
A explicação que ela dava - repetidas vezes - era sempre a mesma: "eu gosto de estabilidade". Não queria perder um salário mensal fixo. Estava sendo cautelosa, responsável e ponderada. Tudo isso era verdade. E também não era toda a verdade.
O que Jéssica percebe agora é que a "estabilidade" estava realizando muito trabalho emocional por ela. Ela a permitia evitar nomear algo mais difícil e desconfortável: o fato de que estava presa e estava minimizando a situação.
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QUANDO ESTABILIDADE E ESTAGNAÇÃO PARECE A MESMA COISA
Essa distinção - entre escolher a estabilidade e ficar estagnado - é algo que a psicóloga vê constantemente no seu trabalho. E não é uma distinção fácil de fazer, porque culturalmente tendemos a recompensar a permanência.
Admiramos a perseverança e elogiamos a lealdade. E quanto mais "organizada" a vida parecer vista de fora, mais difícil pode ser questionar se permanecer na mesma situação ainda faz bem.
Psicologicamente, estabilidade e estagnação podem parecer quase idênticas internamente. Ambas envolvem permanência e tolerar o desconforto. A diferença não está nos fatos externos da vida; está na relação interna com eles.
Para Jéssica, o sinal mais claro foi quanta energia mental ela gastou justificando sua permanência. Se a escolha tivesse sido realmente acertada, ela não precisaria ficar se convencendo disso.
O QUE A ESTABILIDADE ESTAVA REALMENTE PROTEGENDO?
Em vez de agir, ela estava sempre se explicando. Tinha uma razão para tudo. Eventualmente, percebeu que a estabilidade regula a ansiedade. Renda previsível e rotinas familiares criam uma segurança que torna o resto da vida possível. Quando já se carrega muita coisa - filhos, saúde, um mundo frágil - faz sentido proteger o que é estável.
Mas medo e estabilidade frequentemente andam entrelaçados. No caso de Jéssica, o salário não era apenas dinheiro. Era uma prova de que ela era legítima e de que não tinha cometido um erro imprudente. Abrir mão disso não foi apenas uma decisão financeira; foi uma decisão de identidade.
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REDEFININDO A ESTABILIDADE
Deixar a vida acadêmica não significou que Jéssica deixou de valorizar a estabilidade. Significou que a redefiniu.
Para ela, estabilidade agora inclui autonomia e alinhamento. Inclui confiar na sua capacidade de construir algo em vez de depender de uma única instituição. Essa versão de estabilidade não é tão organizada, mas é muito mais honesta.
Ela não se lançou de cabeça. Planejou, construiu uma pista de decolagem e tolerou o desconforto. Houve medo, mas o medo não era um sinal de erro; era um sinal de que ela estava fazendo algo importante.
Por fim, Jessica, defende que ninguém deve uma reinvenção dramática a ninguém, mas todos devem a si mesmos a honestidade de saber se estão com os pés no chão - ou apenas estagnados na carreira. A clareza vem de dizer a verdade com precisão. E essa costuma ser a primeira forma real de estabilidade.
Com informações de Jessica Wilen em reportagem da Fast Company.