Proposta para proibir adolescentes nas redes sociais avança na França

Nova lei na França pretende limitar acesso de adolescentes às redes sociais

Proposta para proibir adolescentes nas redes sociais avança na França
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Guynever Maropo 3 minutos de leitura

O Parlamento francês aprovou a proibição do acesso às redes sociais por menores de 15 anos, em uma medida que busca limitar os impactos das plataformas digitais sobre crianças e adolescentes. O texto teve tramitação acelerada com apoio do governo e deve entrar em vigor a partir de setembro de 2026, no início do próximo ano letivo.

A decisão ocorre em meio a um debate mundial sobre segurança digital infantil. Recentemente, plataformas de jogos também passaram a adotar restrições, como o Roblox, que limitou o uso do chat por crianças, revelando preocupações sobre a exposição a conteúdos inadequados e interações não supervisionadas.

De acordo com a Reuters, relatórios parlamentares franceses apontaram riscos psicológicos associados ao uso intensivo dessas plataformas, especialmente após investigações sobre o impacto do TikTok. A proposta estabelece que empresas devem impedir o acesso de adolescentes abaixo da idade mínima e reduzir práticas comerciais consideradas nocivas.

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O QUE MUDA COM A NOVA LEI?

O texto aprovado prevê a proibição formal das plataformas online na oferta de serviços de redes sociais a menores de 15 anos. O texto também impõe limites à publicidade direcionada e à pressão comercial sobre adolescentes, além de prever mecanismos de verificação de idade.

Apesar da aprovação, parte das emendas gera debate jurídico dentro da União Europeia. Autoridades francesas reconhecem que alguns pontos podem ser questionados pela Comissão Europeia, o que pode levar a ajustes antes da aplicação definitiva.

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OUTROS PAÍSES JÁ ADOTARAM A MEDIDA

Em outros países, medidas semelhantes já estão em vigor ou em fase avançada de implementação. A Austrália é um dos exemplos mais citados nesse debate, após aprovar uma proibição nacional que impede o acesso de menores de 16 anos às plataformas digitais. 

Considerada uma das regras mais rigorosas do mundo, a legislação deu às empresas um prazo de um ano para implantar sistemas eficazes de verificação de idade, sob risco de multas que podem chegar a 50 milhões de dólares australianos (R$ 165 milhões). Alguns serviços específicos, como aplicativos de mensagens e o YouTube, ficaram fora da restrição.

Na Europa, diferentes países também avançaram em direções parecidas, ainda que com variações no limite etário. A União Europeia exige autorização dos pais para o uso e o processamento de dados de menores de até 16 anos, permitindo que cada país reduza esse limite, desde que não fique abaixo de 13.

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Dentro desse modelo, a Itália adota restrições para menores de 14 anos, a França fixou o limite em 15 e a Alemanha mantém a exigência de consentimento até os 16, pedindo uma abordagem mais cautelosa em relação à proteção digital infantil.

Fora do continente europeu, os Estados Unidos adotaram regras validas por estados, definidas por legislações estaduais. Na Flórida, o acesso às plataformas é proibido para menores de 14 anos, enquanto adolescentes de 14 e 15 só podem usar as redes com autorização dos responsáveis.

Já o estado de Nova York avançou em outra frente ao exigir consentimento parental para que menores de 18 anos sejam expostos a algoritmos de recomendação, obrigando as plataformas a exibirem conteúdos em ordem cronológica quando essa permissão não existe.

A Noruega também participa desse movimento ao exigir autorização dos pais para usuários com menos de 13 anos e discutir a ampliação do limite para 15.

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O avanço dessas leis impõe que há uma tendência global de maior controle sobre o uso de redes sociais por crianças e adolescentes, enquanto países como o Brasil ainda discutem projetos para endurecer regras de proteção digital.


SOBRE A AUTORA

Jornalista, pós-graduando em Marketing Digital, com experiência em jornalismo digital e impresso, além de produção e captação de conte... saiba mais