Mais promessas quebradas: Musk recua sobre robôs e táxis da Tesla
Após anos de previsões grandiosas, Elon Musk admite que a produção do Cybercab e do robô Optimus será lenta, reforçando críticas sobre promessas exageradas e pressionando ainda mais a credibilidade da Tesla

O CEO da Tesla, Elon Musk, acaba de admitir o que tem sido dito desde que ele fez suas grandes promessas sobre o Cybercab (um táxi autônomo) e o Optimus (um robô humanoide): sua meta de produzir esses produtos em massa era irrealista, e agora está desmoronando mais rápido do que o pedal do acelerador de uma Cybertruck.
Em 20 de janeiro, Musk afirmou no X que a produção inicial de ambos os produtos será “agonizantemente lenta” — uma admissão notável para um homem que passou o último ano dizendo aos investidores que esses projetos ambiciosos salvariam sua empresa automobilística em crise.
“Para o Cybercab e o Optimus, quase tudo é novo, então a taxa de produção inicial será agonizantemente lenta, mas eventualmente acabará sendo insanamente rápida“, escreveu Musk.
O QUE MUSK VINHA SINALIZANDO
Este é o mesmo homem que prometeu que o Cybercab seria lançado em 2026 a um preço “abaixo de US$ 30.000”, revolucionando o transporte urbano com veículos totalmente autônomos que custariam aos passageiros apenas 20 centavos de dólar por milha. E a mesma pessoa que, em seu evento espetacular em Hollywood, em outubro de 2024, afirmou que essas maravilhas com portas em tesoura transformariam estacionamentos em parques.
É o mesmo Musk que disse que o Optimus estaria trabalhando nas fábricas da Tesla até o final de 2025, com 5.000 unidades produzidas em 2026 e, eventualmente, 1 milhão por ano em cinco anos. Mas duas fontes na cadeia de suprimentos do Optimus afirmam que “a Tesla só havia adquirido peças suficientes para produzir 1.200 unidades do Optimus e fabricou cerca de 1.000 antes da paralisação da produção (mais sobre isso adiante)”.
Não há robôs realizando qualquer trabalho significativo nas fábricas da Tesla.
Até o momento, não há robôs realizando qualquer trabalho significativo nas fábricas da Tesla; esta semana, Musk afirmou que eles estão “atualmente realizando tarefas simples”. Sabemos, por vídeos online, que eles se movem a velocidades glaciais e não podem substituir trabalhadores humanos de forma alguma.
MENTIRAS?
Veja o que mostra o placar de promessas quebradas. Musk anunciou o Cybercab em 2024 no evento We, Robot, dizendo que a produção começaria em 2026. Especialistas imediatamente disseram que era mentira. “O software da Tesla está pelo menos anos atrás do da Waymo”, disse Matthew Wansley, professor da Faculdade de Direito Cardozo de Nova York, à Reuters na época.
Wansley estava certo em ser cético. O sistema de direção autônoma completa da Tesla consegue percorrer 114 quilômetros entre intervenções críticas — momentos em que um humano precisa assumir o controle — em comparação com os 27.850 quilômetros da Waymo. E essa diferença não diminuiu.
A Tesla ainda depende muito de operadores remotos para evitar acidentes fatais. Em 7 de dezembro de 2025, Musk prometeu que os Cybercabs autônomos começariam a circular em Austin “em três semanas”. Não encontrei nenhum relatório que confirme isso, embora haja informações de que os Cybercabs ainda são supervisionados desde 23 de janeiro, ainda que por um carro de escolta.
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Enquanto isso, o Optimus se tornou o Fyre Festival da robótica. Musk afirmou em abril de 2025 que “o Optimus tem o potencial de gerar mais de US$ 10 trilhões em receita, é algo realmente inacreditável. Será o maior produto de todos os tempos”. Ele disse aos investidores que o robô “eventualmente eclipsaria” o negócio de veículos da Tesla e poderia desbloquear “um enorme novo valor econômico”.
A produção do robô congelou completamente em junho e outubro do ano passado. Articulações superaquecidas, pulsos flácidos e baterias que descarregavam antes do almoço forçaram a Tesla a interromper a aquisição após fabricar apenas cerca de 1.000 unidades a US$ 60.000 cada — unidades que se moviam a menos da metade da velocidade dos humanos que deveriam substituir. Não é de se admirar que ele agora esteja alertando que estava profundamente errado (e ainda assim conseguiu fazer mais uma promessa vazia que devemos acreditar).
Essa admissão tardia é apenas o capítulo mais recente da saga de Musk de promessas vazias que já dura uma década.
Essa admissão tardia é apenas o capítulo mais recente da saga de Musk de promessas vazias que já dura uma década. Ele afirma que a Tesla resolveria o problema da direção autônoma completa “este ano” todos os anos desde 2014. Estamos em 2026, e Musk está alertando para uma produção “agonizantemente lenta” em vez da revolução que prometeu.
AQUI ESTÁ A PREVISÃO
O momento da confissão de Musk não poderia ser pior para a Tesla. O negócio principal da empresa está em colapso. Grande parte da avaliação de US$ 1,39 trilhão da Tesla, segundo a Reuters, “depende das expectativas dos investidores em relação à sua tecnologia de direção autônoma e robôs humanoides, mesmo que a receita e o lucro principais da empresa continuem vindo da venda de veículos elétricos“. Tradução: as ações estão infladas por fantasias enquanto o negócio real está em crise.
Então o que se vê é Musk admitir que seu cronograma anterior era ficção, enquanto afirma que a produção “eventualmente acabará sendo insanamente rápida”. Eventualmente. Essa palavra de novo. A Tesla negocia com a avaliação de uma revolucionária da tecnologia, enquanto entrega os resultados de uma montadora em dificuldades, com design estagnado, tecnologia obsoleta e um CEO mais focado em servir pipoca com robôs acelerados em lanchonetes de Hollywood do que em consertar a queda vertiginosa nas vendas de sua empresa.
A previsão é que o aumento da produção reduzirá as receitas, esgotará a paciência dos investidores e, por fim, resultará em um colapso agonizante e rápido das ações.