Firefox permite desligar a IA do navegador com um único controle
As ferramentas de IA estão chegando ao navegador, mas a Mozilla está dando aos usuários total controle sobre a ativação desses recursos

O Firefox tem a reputação de ser o navegador preferido de usuários avançados, que gostam de personalizar absolutamente tudo – e acaba de oferecer uma nova opção especialmente relevante.
Enquanto a maioria das empresas de tecnologia empurra “melhorias” de IA goela abaixo dos usuários, a Mozilla está introduzindo uma forma de desativar completamente os recursos de inteligência artificial do Firefox – um alívio para quem busca um refúgio seguro diante da avalanche de softwares de IA.
A partir de 24 de fevereiro, com a atualização Firefox 148, os usuários vão poder desligar a IA em uma nova área de controles dedicada ao tema, dentro do menu de configurações do navegador para desktop.
Não será preciso garimpar opções ou desativar funções uma a uma: segundo a Mozilla, o novo recurso vai funcionar como um “único ponto para bloquear recursos atuais e futuros de IA generativa” em todo o Firefox.
Para quem quiser personalizar a experiência com IA, o navegador também vai permitir ativar ou desativar funcionalidades específicas. Em um post no blog que anuncia a novidade, a Mozilla reconhece que nem todo mundo quer usar IA, mas afirma que continuará desenvolvendo recursos do tipo para quem se interessa.
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Com as novas opções os usuários terão como controlar o uso de IA em ferramentas de tradução, descrições de texto alternativo em PDFs, grupos de abas, resumos de pré-visualização de links e um recurso de barra lateral que incorpora chatbots como o ChatGPT, da OpenAI, o Claude, da Anthropic, e o Gemini, do Google.
A Mozilla já vem testando experimentos com inteligência artificial no Firefox há algum tempo. A empresa começou a liberar acesso a chatbots de IA há um ano, com o Firefox 135, e em setembro convidou usuários de iOS a “sacudir para resumir” uma página da web usando IA.
MOZILLA AINDA NA CORDA BAMBA DA IA
No fim do ano passado, a Mozilla anunciou planos de integrar recursos de IA de forma mais profunda ao Firefox, decisão que foi duramente criticada por parte dos usuários. Na época, a empresa enfatizou que todas as ferramentas de IA seriam opcionais (opt-in) e projetadas para manter o controle totalmente nas mãos do usuário.
“Acreditamos que a IA deve ser construída como a internet – aberta, acessível e orientada pela escolha – para que os usuários e os desenvolvedores que ajudam a construí-la possam usá-la como quiserem, ajudar a moldá-la e realmente se beneficiar dela”, escreveu a Mozilla no anúncio.

A desenvolvedora do Firefox também acaba de nomear um novo CEO, enquanto promove sua imagem como “a empresa de software mais confiável do mundo”. A Mozilla escolheu Anthony Enzor-DeMeo, que era gerente geral do Firefox, para assumir o cargo.
Em um comunicado que acompanhou o anúncio, Enzor-DeMeo descreveu o navegador como o “próximo campo de batalha” da IA. “É onde as pessoas vivem suas vidas online e onde serão decididas as grandes questões da próxima era sobre confiança, uso de dados e transparência.”
a Mozilla está introduzindo uma forma de desativar completamente os recursos de inteligência artificial do Firefox.
Os usuários do Firefox estão atentos a cada movimento. As conexões da Mozilla com a comunidade de código aberto e sua ênfase na liberdade de escolha do usuário construíram, ao longo dos anos, um profundo sentimento de lealdade à marca.
Ainda assim, a IA é uma tecnologia divisiva e muitos usuários do Firefox não estão convencidos de seus benefícios, algo que a empresa conhece bem.
“Acreditamos que a escolha é mais importante do que nunca à medida que a IA passa a fazer parte da experiência de navegação das pessoas”, escreveu Ajit Varma, chefe do Firefox, no anúncio sobre os novos controles de IA. “O que importa para nós é dar controle às pessoas, independentemente do que elas pensam sobre a IA.”