7 mudanças que a IA pode trazer para a arquitetura em 2026

Perguntamos a arquitetos de alguns dos principais escritórios dos EUA do mundo como a IA está entrando em seu trabalho e em seus negócios

esboço de planejamento urbano em 3D
Crédito: Jia Na eyewkeo/ Getty Images

Nate Berg 5 minutos de leitura

Como muitas outras indústrias, a arquitetura embarcou na onda da inteligência artificial. Ferramentas de IA estão se tornando parte do dia a dia da prática arquitetônica – da iteração de conceitos de design à otimização de plantas, passando pela aceleração da produção de documentos de obra. Alguns escritórios chegam a se apresentar como “orientados por IA”.

A incorporação da IA à arquitetura já está bem encaminhada, mas segue em evolução. Os escritórios vêm descobrindo novas formas de fazer essas ferramentas emergentes funcionarem de acordo com seus processos de projeto, ao mesmo tempo em que lidam com o impacto que a IA pode ter sobre uma profissão tão dependente da inteligência humana.

A Fast Company perguntou a arquitetos de alguns dos principais escritórios em atuação nos Estados Unidos e no mundo como a IA está entrando em seu trabalho e em seus negócios e o que podemos esperar ao longo deste ano, à medida que a adoção da tecnologia avança.

Esta foi a pergunta apresentada a um painel de designers e líderes da arquitetura:

Como você enxerga a IA transformando a arquitetura em 2026?

MOVIMENTO FLUIDO

A IA está passando da experimentação para a expectativa, especialmente nas fases iniciais de exploração. Seu verdadeiro valor não está em substituir a criatividade, mas em remover atritos do processo de design e facilitar que arquitetos expressem sua intenção e vejam rapidamente opções viáveis.

Amy Bunszel, vice-presidente executiva da Autodesk

Estamos avançando para um mundo em que equipes podem carregar dados contextuais do projeto e resultados desejados e, imediatamente, explorar soluções de design, sem ficarem presas a configurações manuais ou tarefas repetitivas.

Com uma IA que apoie colaboração contínua e iteração em contexto, arquitetos poderão colaborar livremente com stakeholders e transitar de forma fluida entre ideias, níveis de detalhamento e resultados.”

Amy Bunszel, vice-presidente executiva de soluções de arquitetura, engenharia e construção da Autodesk

UM PROCESSO DE DESIGN MAIS RIGOROSO E TRANSPARENTE

Em 2026, a questão não será mais se os escritórios usam IA, mas como o fazem de forma responsável e intencional.

Claire Weisz, arquiteta

Quando bem utilizada, a IA pode fortalecer análises, esclarecer concessões e apoiar decisões mais bem informadas. Quando mal utilizada, corre o risco de minimizar a complexidade e afastar os designers da responsabilidade.

A mudança fundamental que a IA vai provocar na WXY será cultural, aprimorando nossa compreensão sobre julgamento, autoria e uso ético, mais do que sobre a capacidade técnica do escritório.

Claire Weisz, sócia fundadora da WXY Architecture + Urban Design

EXPLORAR, MAS COM SEGURANÇA

A inteligência artificial está mudando rapidamente a prática do design. Até agora, seu maior impacto tem ocorrido em áreas que lidam com grandes volumes de dados ou que envolvem tarefas repetitivas e facilmente automatizáveis.

David Polzin, diretor da Cannon Design

Quando se trata de exploração criativa, as ferramentas estão evoluindo tão rápido que os designers estão se esforçando para acompanhar tudo, desde a proteção da nossa propriedade intelectual até a comunicação, disseminação e treinamento de aplicações dentro do escritório.

Já estamos criando ambientes controlados (sandboxing) para usar a IA e nos ajudar a explorar diferentes ferramentas criativas com segurança.

David Polzin, diretor executivo de design da Cannon Design

INTELIGÊNCIA AUMENTADA, NÃO ARTIFICIAL

O surgimento da IA reacendeu debates sobre o futuro das profissões de design. O design de interiores, em especial, está em um ponto crucial de interseção, onde a criatividade humana encontra o avanço tecnológico, a compreensão espacial encontra a simulação digital e a materialidade física encontra a modelagem virtual.

Nicholas Leahy, do escritório de arquitetura Perkins Eastman

Em vez de serem substituídos pela inteligência artificial, os papéis dos profissionais de design estão evoluindo e se tornando mais vitais do que nunca. Talvez, se substituirmos inteligência "artificial" por "aumentada" possamos compreender melhor como usar essa ferramenta poderosa.

Embora a IA consiga processar padrões e dados de desempenho, ela não é capaz de compreender as sutilezas culturais e as necessidades das comunidades que fazem a boa arquitetura e bons espaços urbanos.

Os designers trazem essa camada essencial de percepção humana, garantindo que o ambiente construído não seja apenas tecnicamente eficiente, mas também culturalmente significativo e socialmente sustentável.

O futuro do design arquitetônico e urbano não está em escolher entre criatividade humana e inteligência artificial, mas em alavancar ambas para criar espaços mais sustentáveis, habitáveis e impactantes.

Nick Leahy, co-CEO e diretor executivo da Perkins Eastman

COLABORAÇÃO ENTRE HUMANOS E IA

O maior desafio não é a IA em si, mas como humanos e sistemas de IA colaboram de maneira eficaz – novos fluxos de trabalho, autoria, estruturas éticas, responsabilidade técnica e abordagens de tomada de decisão que permitam alavancar a "inteligência colaborativa", em vez de tratar a inteligência artificial como uma ferramenta isolada.

Luke Leung, líder de estúdio de engenharia do coletivo de arquitetos SOM

Em 2026, vamos ampliar o uso de um "parceiro incorporado" de IA – uma camada de raciocínio sempre ativa que sintetiza e-mails, textos, imagens, slides, apresentações, cálculos, desenhos, dados e contexto para apoiar arquitetos e engenheiros em ideação, análise, imagens, coordenação, apresentações e tomada de decisão, sem substituir a autoria humana.

Ferramentas habilitadas por IA vão acelerar o design nas fases iniciais por meio de testes rápidos de cenários, otimizando simultaneamente volumetria, estrutura, energia, carbono, iluminação natural e qualidade do ar interno.

Isso vai permitir que as equipes explorem muito mais opções, enquanto concentram seus esforços em análise, síntese e intenção de projeto. Esse processo também será informado por dados de projetos passados e atuais.

Luke Leung, líder de estúdio de engenharia do coletivo de arquitetos SOM

CURADORIA DE OPÇÕES, NÃO GERAÇÃO DE OBJETOS

A inteligência artificial vai continuar sendo menos sobre imagens chamativas e mais sobre testes rápidos de possíveis opções. Já criamos ferramentas que incorporam análise climática e avaliam iterações de volumetria para maximizar o valor para nossos clientes.

Leia mais: Sustentabilidade, custos e cidades: os dilemas da arquitetura em 2026

Vamos continuar desenvolvendo sistemas com IA que possibilitem a curadoria de opções, em vez da geração de objetos, para apoiar principalmente as etapas iniciais de viabilidade e narrativa do projeto.

Trent Tesch, diretor de design do escritório Korn Perdersen Fox Associates

O PODER DA PERSUASÃO

A IA representa ganhos incrementais, porém significativos, em praticamente todos os aspectos do que fazemos como designers.

Da ideação e geração de imagens às otimizações geométricas e análises ambientais, a IA está ajudando arquitetos e engenheiros a avançar mais rápido, a ser mais criativos e a comunicar suas ideias de forma mais convincente.

Colin Koop, sócio do coletivo de arquitetos SOM


SOBRE O AUTOR

Nate Berg é jornalista e cobre cidades, planejamento urbano e arquitetura. saiba mais