Bitcoin pode não ter chegado ao fundo do poço
Após uma queda superior a 40% na cotação do bitcoin, analistas divergem sobre até onde a maior criptomoeda do mundo ainda pode cair

O preço do bitcoin caiu drasticamente nas últimas semanas. Os investidores em criptomoedas estão mais receosos do que nunca. Nas últimas 24 horas, o rei das criptomoedas chegou à faixa dos US$ 60.000 — uma mínima que não se via desde outubro de 2024.
Embora o bitcoin tenha se recuperado ligeiramente para cerca de US$ 68.000 (no momento da publicação desta reportagem), muitos analistas e investidores ainda acreditam que o token pode não ter atingido o fundo do poço. Aqui está o que você precisa saber sobre a queda contínua do bitcoin e até onde ele pode cair.
POR QUE O BITCOIN ESTÁ CAINDO?
Como a maioria das criptomoedas, o bitcoin (BTC) vem caindo constantemente desde o início do ano. Como relatado anteriormente pela Fast Company, houve dois principais fatores para essa queda.
O primeiro é o aumento da incerteza geopolítica.
Desde o início do ano, os Estados Unidos atacaram a Venezuela, ameaçaram tomar a Groenlândia à força de um de seus aliados europeus mais importantes e agora estão em um impasse com o Irã.
Leia mais: O sonho dos golpistas: deepfakes agora enganam em tempo real
Conflitos militares quase sempre afetam os mercados, mas até que aconteçam, ninguém pode prever em que medida ou em que direção. Essa incerteza geralmente leva os investidores a retirar seu dinheiro de ativos relativamente arriscados, como bitcoin e outras criptomoedas, e a alocá-lo em ativos seguros, como ouro ou o dólar americano (USD).
O segundo fator recente foi o anúncio do presidente americano Donald Trump, no final de janeiro, de que ele escolheu Kevin Warsh como o próximo presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. A notícia fez com que o dólar americano disparasse, tornando-se mais valioso.
E como as criptomoedas são cotadas em dólares, a mesma quantia em moeda americana poderia comprar mais criptomoedas, impactando assim o valor dos tokens digitais.
Nos últimos dias, outros fatores levaram o bitcoin a cair para níveis não vistos em mais de um ano.
Esses fatores incluem uma tendência de baixa nas ações de tecnologia. Quando as ações de tecnologia caem, as criptomoedas tendem a seguir o mesmo caminho. Além disso, houve liquidações forçadas significativas de bitcoin nos últimos dias. Essas vendas acontecem automaticamente quando o bitcoin atinge um determinado nível de preço. As vendas automatizadas podem levar outros investidores a venderem suas ações também, antes que o preço caia ainda mais.
O bitcoin não está caindo por um único motivo. Há inúmeros fatores atuando contra ele neste momento.
Em resumo, o bitcoin não está caindo por um único motivo. Há inúmeros fatores atuando contra ele neste momento.
COTAÇÃO DO BITCOIN NÃO É A ÚNICA EM QUEDA
Sem dúvida, o bitcoin está tendo um dia ruim. Nas últimas 24 horas, o token caiu para US$ 60.074,80. Isso representou uma queda de mais de 50% em relação à sua máxima histórica de US$ 126.198,07 em outubro do ano passado.
Quando seu preço atual ficou em torno de US$ 66.378, na manhã de hoje (6), o bitcoin já havia perdido mais de 42% de seu valor apenas nos últimos seis meses. Mas o bitcoin não é a única criptomoeda que sofreu uma grande queda.
Como relatado pela Fast Company na quinta-feira (5), o XRP vem sofrendo uma forte desvalorização ultimamente. Nos últimos seis meses, o token popular perdeu mais de 54% do seu valor.
Outros tokens populares, incluindo Ethereum, BNB e Solana, também sofreram quedas incríveis durante o mesmo período.
ÍNDICE DAS CRIPTOS ATINGE MÍNIMA HISTÓRICA
Após essa recente queda nas criptomoedas, não é surpresa que a maioria dos investidores esteja sentindo um medo significativo neste momento.
De fato, o Índice de Medo e Ganância das Criptomoedas do CoinMarketCap atingiu uma mínima histórica. O índice mede o sentimento dos investidores no mercado de criptomoedas.
Um valor de índice entre 80 e 100 indica que os investidores estão experimentando "ganância extrema", que geralmente se manifesta como uma alta nos preços das criptomoedas. Enquanto isso, 60-80 representa "ganância", 40-60 "neutro" e 20-40 "medo".
Nesta sexta-feira (6), o índice caiu para 5 na escala, o que o coloca na faixa de 0 a 20, o que significa que os investidores estão experimentando "medo extremo".
Uma classificação de 5 representa a mínima histórica para o índice e é 50% menor que a mínima histórica anterior de 10, registrada durante a queda das criptomoedas em novembro de 2025.
ONDE ESTÁ O FUNDO DO POÇO PARA O BITCOIN?
Embora ninguém possa prever o que o bitcoin, ou qualquer outro ativo, fará no futuro, o que todos querem saber agora é se o criptoativo atingiu seu piso ou se as coisas vão piorar.
Observadores de criptomoedas com inclinações mais otimistas podem apontar que, embora o bitcoin tenha caído para a faixa dos US$ 60.000 nas últimas 24 horas, ele não ultrapassou essa barreira.
Leia mais: Câmbio: dicas para facilitar sua vida na hora de gastar no exterior
No entanto, muitos analistas acreditam que o bitcoin pode não ter atingido o fundo do poço.
Em 1º de fevereiro, a Galaxy Asset Management, gestora focada em ativos digitais, enviou um comunicado aos investidores alertando que o token poderia ser negociado entre US$ 56.000 e US$ 58.000 em breve. Enquanto isso, o CEO da 10x Research (plataforma de análise de dados também focada em ativos digitais), Markus Thielen, disse hoje à CNBC International que o Bitcoin pode cair para até US$ 50.000.
Se isso se confirmar, a queda de hoje está longe de ser o fundo do poço para o bitcoin.