Sente pressão para equilibrar a rotina? Pesquisas mostram que você não está sozinho
61% da população sente pressão para levar uma vida considerada equilibrada, mostrando que o ideal de bem-estar, em vez de aliviar, tem pesado no dia a dia.

Manter uma rotina saudável, com tempo para exercícios, alimentação equilibrada e autocuidado, tem sido menos sinônimo de bem-estar e mais uma fonte de cobrança para milhões de brasileiros.
Uma pesquisa nacional realizada pelo PiniOn, empresa especializada em dados comportamentais, revela que 61% da população sente pressão para levar uma vida considerada equilibrada, mostrando que o ideal de bem-estar, em vez de aliviar, tem pesado no dia a dia.
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O levantamento foi feito em novembro de 2025, por meio do aplicativo mobile da empresa, com 1.550 participantes de todas as regiões do país.
O estudo buscou entender como os brasileiros vivenciam hábitos ligados à saúde física e mental em um contexto cada vez mais marcado por exposição nas redes sociais, comparação e exigência de desempenho.
COBRANÇA É MAIOR ENTRE MULHERES E JOVENS
A sensação de pressão não é distribuída de forma igual. Entre as mulheres, o índice chega a 54,5%, acima do registrado entre os homens, de 50,4%.
O peso também é mais forte entre jovens e adultos de 18 a 34 anos, faixa etária mais exposta ao conteúdo de bem-estar nas plataformas digitais.
Apesar disso, práticas associadas ao autocuidado já fazem parte da rotina de uma parcela significativa da população. Mais da metade dos entrevistados afirma praticar atividade física com regularidade.
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Outros dizem manter uma alimentação equilibrada, cuidar da pele ou reservar tempo para meditação. O paradoxo está no modo como esses hábitos são vividos: aquilo que deveria promover equilíbrio muitas vezes se transforma em mais uma meta a cumprir.
AUTOCUIDADO EM EXCESSO PODE TER EFEITO REVERSO
Segundo os dados, 25,7% dos entrevistados sentem constantemente que precisam “performar bem” atividades como exercícios, alimentação saudável ou meditação.
Outros 59,6% relatam essa sensação de forma ocasional, a lógica da produtividade, tradicionalmente associada ao trabalho, passa a ocupar também o espaço do cuidado pessoal.
A culpa aparece como um elemento central desse processo, para 21,4% dos brasileiros, ela é constante quando não conseguem manter a rotina idealizada. Mais da metade diz sentir esse peso às vezes, especialmente quando deixam de cumprir aquilo que entendem como hábitos saudáveis.
REDES SOCIAIS CONTRIBUEM PARA CENÁRIO NEGATIVO
As plataformas digitais têm papel relevante nesse cenário, Instagram, TikTok e YouTube são apontados como os ambientes que mais estimulam a comparação e a sensação de obrigação em relação ao bem-estar.
Entre os mais jovens, o TikTok se destaca como principal influência. Já entre pessoas de 25 a 34 anos, o Instagram aparece com mais força.
A pesquisa mostra que quase 40% dos entrevistados admitem realizar atividades de autocuidado apenas para postar nas redes, enquanto percentual semelhante afirma dedicar mais atenção à aparência do que ao bem-estar em si.
A comparação frequente com outras pessoas é relatada por quase 60% dos participantes e costuma gerar sentimentos de insegurança, ansiedade e angústia.
O QUE SIGNIFICA, AFINAL, UMA VIDA EQUILIBRADA?
Quando convidados a definir o que consideram uma vida equilibrada, os brasileiros apontam fatores que vão além do corpo ou da estética. Estabilidade financeira aparece em primeiro lugar, seguida pela consciência dos próprios limites, pela capacidade de lidar com emoções e pelo orgulho pessoal.
Para reduzir a sensação de cobrança, os entrevistados indicam caminhos simples, mas difíceis de colocar em prática no cotidiano: se cobrar menos, organizar melhor metas e tarefas e, principalmente, conseguir descansar sem culpa.
UM ALERTA PARA PESSOAS E MARCAS
Os resultados revelam que o discurso do bem-estar, quando associado à comparação constante e a padrões inalcançáveis, pode produzir o efeito contrário ao desejado. Em vez de descanso e cuidado, gera ansiedade e frustração.
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A pesquisa aponta para a necessidade de repensar como o autocuidado é comunicado e vivido, e equilibrar a vida e a rotina virou mais uma exigência, os dados reforçam que a sensação de pressão é coletiva.