Sabesp na europa? Governo estuda novas tecnologias para combater crise hídrica
O foco da viagem é aprofundar o conhecimento sobre sistemas que transformam o esgoto tratado em água regenerada

Em meio ao avanço das mudanças climáticas, o Governo de São Paulo e a Sabesp iniciaram, na última segunda-feira (9), uma missão técnica por países europeus para analisar, in loco, soluções adotadas no exterior no reaproveitamento de águas residuais e no uso de resíduos do esgoto como fonte de energia.
A iniciativa ocorre na Irlanda, Inglaterra e Espanha e busca identificar tecnologias que possam ser aplicadas no estado para ampliar a resiliência hídrica e a eficiência do saneamento.
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INOVAÇÃO NO SANEAMENTO
A comitiva é liderada pela secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, e reúne representantes da Sabesp, da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) e da Cetesb.
O foco da viagem é aprofundar o conhecimento sobre sistemas que transformam o esgoto tratado em água regenerada e aproveitam resíduos do processo para geração de biogás, dentro de um modelo de economia circular.
Segundo o governo paulista, a avaliação dessas tecnologias ocorre em um contexto de maior frequência de eventos extremos, como estiagens prolongadas, o que exige diversificação das fontes de água e soluções estruturais de longo prazo.
IRLANDA MOSTRA GANHOS
A primeira etapa da missão ocorreu em Dublin, na Irlanda, com visita à Ringsend Wastewater Treatment Plant, maior estação de tratamento de esgoto do país, operada pela Irish Water.
No local, os técnicos brasileiros conheceram sistemas que reduzem o tempo de tratamento, aumentam a eficiência operacional e ampliam o aproveitamento dos resíduos gerados.
Um dos destaques foi a tecnologia Ephyra, utilizada para otimizar o tratamento do lodo de esgoto. A solução permitiu elevar significativamente a produção de biogás, além de ampliar a capacidade da estação sem necessidade de expansão física das instalações.
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Para a Sabesp, experiências como essa dialogam com projetos já em andamento no estado. De acordo com a companhia, tecnologias semelhantes estão sendo adotadas na modernização das Estações de Tratamento de Esgotos de Barueri e São Miguel, com foco na geração de energia renovável e na redução do impacto ambiental do transporte e da destinação do lodo.
INGLATERRA E RECICLAGEM DE ÁGUA
Na sequência, a comitiva segue para a Inglaterra, onde visitará instalações operadas pela UK Bioresources e pela Anglian Water. Um dos compromissos é em Colchester, no leste inglês, região considerada uma das mais afetadas pela escassez hídrica no Reino Unido.
Ali, o Colchester Water Recycling Centre está sendo preparado para suprir cerca de 24% da demanda da cidade por meio da reutilização de águas residuais tratadas.
Para o governo paulista, o projeto ilustra como a reciclagem de água pode integrar a matriz hídrica de grandes centros urbanos e reduzir a dependência de mananciais tradicionais.
BARCELONA E A CRISE HÍDRICA
A última etapa da missão será em Barcelona, na Espanha, onde os representantes paulistas visitarão a Estação de Tratamento de Água de Sant Joan Despí e participarão de reuniões com gestores locais.
A agenda inclui ainda visitas a uma Estação Depuradora de Águas Residuais e a uma Estação de Regeneração de Águas, referências na gestão de períodos críticos de falta de água.
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A expectativa do governo e da Sabesp é que as experiências observadas na Europa contribuam para a formulação de políticas públicas e investimentos capazes de fortalecer a segurança hídrica de São Paulo no médio e longo prazo.