8 games imersivos baseados em fatos reais, segundo historiador

A interatividade torna a história mais memorável, especialmente quando o jogador se sente parte daquele contexto social, político ou cultural

Garoto jogando video game
O ponto central, para o historiador, não é evitar qualquer liberdade criativa. Foto: Freepik

Joyce Canelle 4 minutos de leitura

Quem gosta de jogos historicamente precisos pode ficar frustrado com releituras modernas que mudam os fatos. Esse incômodo, porém, tem solução. O historiador e pesquisador Corey Slyter, no portal Medium, analisou games eletrônicos ambientados em diferentes períodos históricos.

Ele destacou aqueles que conseguem unir imersão, respeito ao passado e envolvimento narrativo. Para ele, mais importante do que a precisão absoluta é como os jogos tratam pessoas, culturas e eventos reais.

Segundo Corey Slyter, videogames históricos devem ser vistos como interpretações fundamentadas, assim como livros, filmes ou séries. Eles utilizam fontes, fazem escolhas narrativas e constroem versões plausíveis do passado.

O ponto central, para o historiador, não é evitar qualquer liberdade criativa, mas respeitar as experiências humanas reais envolvidas nos acontecimentos retratados.

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Outro aspecto destacado é o potencial educativo dos jogos. A interatividade torna a história mais memorável, especialmente quando o jogador se sente parte daquele contexto social, político ou cultural.

1. BATTLEFIELD 1

Ambientado na Primeira Guerra Mundial, Battlefield 1 se afasta de uma campanha tradicional e aposta em histórias independentes que percorrem diferentes frentes do conflito. O jogo chama atenção pela forma como enfatiza a brutalidade da guerra e o custo humano dos combates.

De acordo com o historiador, a experiência inicial, que informa ao jogador que não se espera que ele sobreviva, funciona como um lembrete constante de que aquelas batalhas envolveram pessoas reais. Cada morte carrega um nome, uma data de nascimento e uma data de falecimento, reforçando a dimensão histórica do conflito.

2. MEDAL OF HONOR: FRONTLINE

Lançado no início dos anos 2000, Medal of Honor: Frontline marcou gerações ao retratar batalhas da Segunda Guerra Mundial, especialmente o desembarque aliado na Normandia. Para Slyter, o jogo teve papel importante em despertar o interesse pela história em jogadores mais jovens.

A ambientação sonora e a sensação de vulnerabilidade do personagem ajudam a transmitir a tensão dos combates, aproximando o jogador da realidade enfrentada pelos soldados durante o conflito.

3. KINGDOM COME: DELIVERANCE

Diferente de abordagens fantasiosas, Kingdom Come: Deliverance aposta em um retrato mais sóbrio da Europa medieval, com foco na Boêmia do século XV. O jogo incorpora personagens, conflitos políticos e locais históricos reais, explorando disputas de poder pouco retratadas na mídia tradicional.

O historiador destaca a importância do ponto de vista adotado: o jogador não é um herói destinado a mudar o curso da história, mas alguém afetado por ela. Essa escolha reforça a dimensão social dos eventos históricos.

4. PENTIMENT

Ambientado na Baviera do século XVI, Pentiment se diferencia pelo envolvimento direto de historiadores em seu desenvolvimento. O jogo utiliza estética inspirada em manuscritos e gravuras da época para contar uma história de investigação e conflitos religiosos.

Segundo o artigo publicado no Medium, essa colaboração acadêmica garante não apenas fidelidade visual, mas também profundidade cultural e social, tornando o jogo um exemplo de como pesquisa histórica pode dialogar com o entretenimento.

5. ASSASSIN’S CREED

Embora não seja uma representação literal do passado, a franquia Assassin’s Creed se destaca por despertar curiosidade histórica. Os jogos recriam cidades, costumes e períodos com grande riqueza visual e contextual.

Um dos pontos mais elogiados por Corey Slyter é o modo educativo presente em títulos recentes, que permite explorar o ambiente histórico sem combate, com informações organizadas por historiadores. A proposta transforma o jogo em uma experiência próxima a um museu digital interativo.

6. CRUSADER KINGS III

Para quem busca compreender processos históricos de longo prazo, Crusader Kings III oferece uma visão ampla da Idade Média, com sistemas políticos, religiosos e sociais baseados em registros históricos.

Eventos como guerras religiosas, disputas dinásticas e epidemias moldam o jogo de forma imprevisível, mostrando como fatores externos podem alterar completamente o destino de reinos e populações.

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7. GHOST OF TSUSHIMA

Ambientado no Japão feudal durante as invasões mongóis, Ghost of Tsushima se destaca pelo cuidado com a representação cultural. O jogo incentiva práticas ligadas à espiritualidade, à poesia e à contemplação, integrando esses elementos à jogabilidade.

Para o historiador, esse equilíbrio demonstra que é possível criar um jogo envolvente sem reduzir a cultura retratada a estereótipos.

8. RED DEAD REDEMPTION 2

No topo da lista de Corey Slyter está Red Dead Redemption 2, ambientado nos Estados Unidos do final do século XIX. O jogo aborda o declínio do estilo de vida fora da lei, a expansão corporativa e o impacto desse processo sobre comunidades marginalizadas, incluindo povos indígenas.

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Segundo o historiador, a força do game está na narrativa ambiental, que permite ao jogador sentir as transformações sociais e econômicas do período, aproximando a ficção da experiência histórica real.


SOBRE O(A) AUTOR(A)

Bacharel em Jornalismo, com trajetória em redação, assessoria de imprensa e rádio, comprometida com a comunicação eficiente e a produç... saiba mais