CNH: Como funciona novo sistema de pontos da prova prática?

A principal mudança está na forma de contabilizar erros durante o exame

Mão segurando CNH
Crédito: imagem criada com auxílio de IA via ChatGPT.

Joyce Canelle 4 minutos de leitura

O novo Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular passou a valer em todo o país e mudou a forma como candidatos são avaliados na prova prática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Publicado para padronizar os exames nos Detrans estaduais, o documento estabelece critérios únicos de avaliação, cria um sistema de pontuação com limite máximo de 10 pontos e extingue a reprovação automática por infração isolada. A medida busca tornar o processo mais uniforme, transparente e alinhado às situações reais de trânsito.

A principal mudança está na forma de contabilizar erros durante o exame. A partir de agora, cada infração cometida recebe uma pontuação específica, e o candidato só será aprovado se não ultrapassar o total de 10 pontos ao final do percurso.

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COMO FUNCIONA O NOVO SISTEMA DE PONTOS DA CNH?

O manual classifica as infrações em quatro níveis, de acordo com a gravidade:

  • Infrações leves: 1 ponto
  • Infrações médias: 2 pontos
  • Infrações graves: 4 pontos
  • Infrações gravíssimas: 6 pontos

Os pontos podem ser somados ao longo do exame. Caso o candidato atinja 10 pontos, a reprovação é automática. Se permanecer abaixo desse limite, estará aprovado.

Outra alteração relevante é o fim da infração única com efeito eliminatório imediato. Antes, determinados erros levavam à reprovação instantânea.

Com a nova regra, o candidato pode cometer uma falta considerada grave ou gravíssima e continuar o exame, desde que não ultrapasse o teto de pontos permitido.

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ESTACIONAMENTO PASSA A FAZER PARTE DO TRAJETO

O estacionamento deixa de ser uma etapa separada e passa a integrar o percurso da prova. Isso significa que a manobra ocorre durante o trajeto em via pública ou ambiente real de circulação.

O manual destaca que estacionar envolve habilidades cognitivas, perceptivas e operacionais, exigindo leitura do ambiente, antecipação de riscos e tomada de decisão adequada. O candidato será avaliado também pela análise que fizer antes de escolher a vaga.

Entre os critérios observados estão o fluxo de veículos, a presença de pedestres, as condições de visibilidade, a sinalização existente e possíveis restrições, como placas que proíbem estacionar.

BALIZA DEIXA DE SER OBRIGATÓRIA

A tradicional baliza não é mais obrigatória como etapa fixa do exame. No entanto, ela pode ser aplicada dentro do contexto do estacionamento, caso a vaga escolhida exija esse tipo de manobra.

Como o estacionamento agora faz parte do trajeto, o avaliador observa tanto a entrada quanto a saída da vaga e o comportamento do candidato durante todo o processo.

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MAIS TEMPO E VAGAS MAIORES

O manual não estabelece um tempo máximo para concluir o estacionamento. A avaliação será feita com base em um tempo considerado razoável. Se o candidato demonstrar incapacidade de finalizar a manobra de forma adequada e isso comprometer o andamento do exame, o fato será registrado e analisado pela comissão responsável.

As vagas destinadas ao teste também ficaram maiores. Elas devem ter dimensões equivalentes ao tamanho do veículo acrescido de 50%. Um carro com 4,5 metros de comprimento e 2 metros de largura, por exemplo, será avaliado em uma vaga de 6,75 metros por 3 metros.

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PRIMEIRO RETESTE GRATUITO

Outra novidade é a gratuidade do primeiro reteste em caso de reprovação. Se houver disponibilidade na agenda, o novo exame pode ocorrer no mesmo dia. Caso contrário, o candidato poderá agendar uma nova data sem custo adicional para a prova prática.

VEÍCULO PRÓPRIO PASSA A SER PERMITIDO

O exame pode ser realizado com carro de transmissão manual ou automática. O candidato também poderá utilizar veículo próprio, desde que respeite as regras estabelecidas.

Quando o carro for fornecido pelo órgão de trânsito, ele deve estar regularizado, com itens obrigatórios de segurança e em condições de uso. No caso de veículo do candidato, a responsabilidade pelas condições do automóvel é exclusivamente dele.

O candidato só poderá permanecer no veículo durante a prova quando estiver acompanhado de instrutor autorizado ou quando outra pessoa habilitada conduzir o carro até o local do exame.

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Com as novas regras, o exame prático da CNH passa a seguir critérios unificados em todo o Brasil. A criação do sistema de pontos e a integração do estacionamento ao trajeto buscam aproximar a avaliação da realidade do trânsito, reduzindo distorções e tornando o processo mais claro para candidatos e examinadores.


SOBRE O(A) AUTOR(A)

Bacharel em Jornalismo, com trajetória em redação, assessoria de imprensa e rádio, comprometida com a comunicação eficiente e a produç... saiba mais