Maior tempestade de radiação no sol em décadas preocupa especialistas

Apesar de não oferecer perigo à população, a tempestade preocupa a comunidade científica e operadores de tecnologia espacial

Sol pegando fogo
Foto: Freepik

Joyce Canelle 3 minutos de leitura

Em 19 de janeiro de 2026, a Terra foi atingida pela mais forte tempestade de radiação solar em mais de 20 anos. O fenômeno, classificado como nível S4 na escala internacional, ocorreu após uma poderosa erupção no Sol que lançou partículas carregadas em altíssima velocidade pelo espaço.

Embora não represente risco direto para quem está na superfície do planeta, o episódio reacendeu a preocupação de especialistas com os impactos sobre satélites, astronautas e sistemas tecnológicos.

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O QUE ACONTECEU NO SOL?

Segundo informações publicadas pelo Space, a tempestade teve origem em uma intensa explosão magnética na superfície solar, associada a uma ejeção de massa coronal. Esse tipo de evento libera grandes quantidades de prótons acelerados a velocidades próximas à da luz.

Essas partículas percorrem os cerca de 150 milhões de quilômetros que separam o Sol da Terra em poucos minutos. Ao chegarem, parte delas é desviada pelo campo magnético terrestre, mas as mais energéticas conseguem penetrar pelas regiões polares e atingir as camadas superiores da atmosfera.

O Centro de Previsão do Clima Espacial da NOAA classificou o episódio como S4, nível considerado severo. Trata-se do evento mais intenso desde as conhecidas tempestades solares de outubro de 2003.

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POR QUE ESPECIALISTAS ESTÃO ATENTOS

Apesar de não oferecer perigo à população, a tempestade preocupa a comunidade científica e operadores de tecnologia espacial.

Tempestades desse porte aumentam significativamente o risco de exposição à radiação para astronautas em órbita e para voos comerciais que cruzam rotas polares, onde a proteção magnética da Terra é menor.

Satélites também ficam vulneráveis. As partículas energéticas podem provocar falhas temporárias, interferir em sensores e afetar instrumentos eletrônicos sensíveis. Durante o evento desta semana, houve relatos de interrupções momentâneas na coleta de dados por parte de equipamentos espaciais.

Especialistas destacam que a intensidade histórica do fenômeno não significa necessariamente efeitos extremos na superfície. Segundo análises técnicas, o espectro de partículas foi considerado relativamente suave, o que impediu que o evento se tornasse um chamado “evento ao nível do solo”, quando a radiação é forte o suficiente para ser detectada diretamente na superfície terrestre.

A POPULAÇÃO NÃO CORRE RISCO

A atmosfera e o campo magnético da Terra funcionam como um escudo natural contra a radiação solar. A maior parte das partículas energéticas é absorvida ou desviada antes de alcançar o solo.

Isso significa que, mesmo em um evento classificado como severo, não há ameaça direta para pessoas em cidades, áreas rurais ou regiões costeiras.

TEMPESTADE DE RADIAÇÃO

O episódio ocorreu paralelamente a uma forte tempestade geomagnética que produziu auroras intensas em diversas partes do mundo. Embora os fenômenos estejam ligados à atividade solar, eles não são iguais.

A tempestade de radiação é provocada principalmente por partículas solares de alta velocidade. Já a tempestade geomagnética acontece quando perturbações no vento solar interagem com o campo magnético da Terra. Esse segundo tipo é o responsável por auroras e pode causar impactos em sistemas de energia e comunicação.

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O aumento da frequência e da intensidade de fenômenos como esse está associado ao atual período de maior atividade do ciclo solar. Durante essa fase, o Sol apresenta mais manchas solares, erupções e ejeções de massa coronal.


SOBRE O(A) AUTOR(A)

Bacharel em Jornalismo, com trajetória em redação, assessoria de imprensa e rádio, comprometida com a comunicação eficiente e a produç... saiba mais