Google lança IA que cria mundos de videogame em tempo real
Com o Projeto Genie, o Google aposta em IA para criar mundos infinitos e pode transformar para sempre a forma como jogadores vivenciam games

O Google acaba de lançar o Projeto Genie, uma nova e poderosa plataforma de design de videogames movida por inteligência artificial. Por enquanto disponível apenas para assinantes do plano AI Ultra do Google, o Genie usa IA para construir mundos virtuais.
À primeira vista, parece interessante, mas não exatamente revolucionário. Desenvolvedores de games já modelam e constroem mundos virtuais o tempo todo.
O conceito simples do Projeto Genie, porém, esconde um potencial transformador. O novo sistema – e o modelo Genie 3 que o sustenta – pode mudar para sempre a forma como videogames são criados e jogados.
Hoje, a maioria dos videogames depende de um pequeno grupo de arquiteturas gráficas para renderizar seus mundos virtuais com realismo.
Ferramentas como Unreal e Unity dominam esse mercado há anos. Para criar um jogo nessas plataformas, os desenvolvedores primeiro constroem espaços virtuais, preenchendo-os com modelos digitais em 3D de objetos, personagens, edifícios e tudo mais que compõe o cenário.
Depois, os jogadores são liberados nesses mundos. À medida que exploram, a arquitetura do jogo renderiza em tempo quase real as partes visíveis do ambiente, criando a sensação fluida de caminhar por um espaço contínuo e realista.
As arquiteturas de games revolucionaram o design de jogos porque permitiram que os desenvolvedores delegassem ao sistema tarefas complexas e técnicas, como física e iluminação.
À medida que o Genie 3 evoluir, designers poderão usá-lo para criar mundos que nunca se esgotam.
Em vez de se preocupar com a simulação do movimento dos cabelos ao vento ou com a velocidade exata de uma bala, as equipes podiam focar no que realmente importa: criar monstros deliciosamente assustadores ou armas incrivelmente detalhadas.
Mas essas arquiteturas também têm limites. Embora os jogadores possam explorar o mundo com liberdade, os desenvolvedores ainda precisam criar manualmente cada elemento que existe ali.
E esses mundos são gigantescos. Em títulos como No Man’s Sky, estima-se que um jogador possa passar até 130 horas explorando sem repetir o mesmo lugar duas vezes. Ainda assim, tudo o que existe nesses universos foi colocado ali intencionalmente. Eles parecem infinitos, mas nada neles é realmente novo.
PROJETO GENIE CRIA MUNDOS EM TEMPO REAL
O Projeto Genie propõe algo diferente. Em vez de construir um mundo peça por peça, a ferramenta permite que desenvolvedores enviem artes conceituais ou até mesmo um simples prompt de texto. O modelo Genie 3 transforma esses inputs em um espaço virtual contínuo, pronto para ser explorado.
A grande diferença é que os mundos do Projeto Genie não têm limites fixos, como acontece nas arquiteturas de game tradicionais. O Genie 3 imagina o ambiente em tempo real, literalmente criando novas áreas à medida que o jogador avança.
Na prática, isso significa mundos potencialmente infinitos. Quando o jogador chega ao “fim” do mapa, o modelo simplesmente expande o cenário, inventando partes que nunca existiram antes.
Em um vídeo de demonstração, o Google mostra um desenvolvedor pedindo um mundo subaquático. O Projeto Genie cria instantaneamente um recife de corais virtual, com o jogador controlando um peixe de aparência realista.
À medida que o peixe nada pelo recife, novas áreas surgem de forma fluida. Quando ele sobe em direção à superfície, o sistema cria água cintilante de maneira convincente acima do ambiente.
Em tese, o peixe poderia saltar para fora do mar e o Projeto Genie continuaria imaginando o mundo, talvez revelando uma paisagem marítima com gaivotas (espera-se que amigáveis), boias e barcos.
MUNDOS QUE NUNCA TERMINAM
Por enquanto, o Projeto Genie tem limitações importantes. Ele consegue sustentar sua “magia” por cerca de 60 segundos antes que o mundo gerado comece a perder consistência.
Também está restrito a 24 quadros por segundo – um desempenho insuficiente para padrões atuais, em que PCs potentes facilmente atingem 120 quadros por segundo. Na prática, os movimentos ainda são truncados demais para uso real em jogos comerciais.
Além disso, as demos não incluem elementos clássicos de jogabilidade, como regras ou objetivos. Nadar como um peixe só é divertido por um tempo, mesmo que o recife ao redor esteja sendo criado por uma IA absurdamente poderosa.
Mas a estrutura fundamental está ali. E as implicações para o futuro da indústria são enormes.

À medida que o Genie 3 evoluir, designers poderão usá-lo para criar mundos que nunca se esgotam. Cada vez que um jogador iniciar o game, encontrará algo completamente novo e nunca ficará sem território para explorar.
O modelo também poderia gerar versões personalizadas de mundos para cada usuário. Imagine jogar algo no estilo Grand Theft Auto, mas ambientado na sua própria cidade – seja você morador de uma metrópole ou de uma pequena cidade no interior.
Mais do que isso: o Genie pode dar origem a um novo tipo de jogo, no qual o jogador participa ativamente da construção do mundo. Como aceita prompts e imagens, o sistema permitiria que os próprios jogadores sugerissem cenários – e a IA criaria ambientes sob medida a partir dessas ideias.
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Jogos de “mundo aberto” – nos quais os jogadores passam horas explorando ambientes, muitas vezes sem objetivos rígidos – já são um fenômeno global. Tornar esses mundos realmente ilimitados, com a ajuda do Genie, pode torná-los ainda mais envolventes – e mais lucrativos.
Por enquanto, o Projeto Genie é uma demo impressionante. Mas, em breve, sua mágica baseada em IA pode representar uma ruptura profunda em toda a indústria dos games.