Startup capta US$ 250 milhões para fazer cães viverem mais
A Loyal busca aprovação da FDA para um medicamento que promete prolongar a vida saudável de cães idosos — e pode abrir caminho para avanços também na longevidade humana

Uma startup de saúde canina chamada Loyal acaba de captar mais de US$ 250 milhões para desenvolver medicamentos que podem ajudar cães — e talvez um dia humanos — a viverem por mais tempo e saudáveis.
A empresa anunciou na quarta-feira (11) que arrecadou US$ 100 milhões em uma rodada de financiamento Série C, enquanto busca a aprovação da FDA (que, nos EUA, funciona como uma espécie de Anvisa) para o LOY-002, um comprimido diário com sabor de carne, desenvolvido para prolongar a vida saudável de cães idosos.
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O medicamento imita alguns dos efeitos de uma dieta com restrição calórica no tratamento de problemas metabólicos relacionados à idade, sem exigir que os donos de animais de estimação reduzam a oferta de alimentos aos seus cães ou controlem o apetite canino.
“As pessoas não querem que seus cães percam a motivação para comer, porque é assim que se treina um cão”, diz Celine Halioua, fundadora e CEO da Loyal. “A forma como domesticamos os cães foi compartilhando refeições com eles; perder isso pode realmente impactar o vínculo entre cão e humano.”
Mas, é claro, as pessoas querem compartilhar esse vínculo por mais tempo do que a expectativa de vida típica de um cão permite. Celine fundou a Loyal no final de 2019, após um período como chefe de gabinete do The Longevity Fund, um fundo de investimento focado na longevidade, fundado por Laura Deming e um dos primeiros investidores da Loyal.
Celine diz que percebeu que medicamentos para prolongar a vida de cães poderiam um dia levar a tratamentos semelhantes para humanos, já que as espécies são semelhantes em muitos aspectos e são mais fáceis de testar, pois a curta vida dos cães significa que os testes de extensão da vida podem ser realizados em um período de tempo menor. E como amante de cães — uma entrevista recente com a Fast Company também incluiu Wilma, a rottweiler recém-adotada — ela também viu o mercado potencial entre donos e seus animais de estimação.
“Pareceu uma maneira realmente viável de trabalhar em um problema que preocupa a todos, que é ter pouco tempo com os cães que amamos.”
Celine Halioua, da Loyal
“Pareceu uma maneira realmente viável de trabalhar em um problema que preocupa a todos, que é ter pouco tempo com os cães que amamos”, diz ela.

O LOY-002 é um dos três medicamentos para longevidade canina em desenvolvimento pela empresa. Celine afirma que espera que a Loyal consiga submeter ainda este ano o último requisito para a aprovação condicional ampliada do medicamento pela FDA. Isso provavelmente daria início a um processo de revisão de aproximadamente seis meses para o que seria o primeiro medicamento para prolongamento da vida aprovado pela FDA para qualquer espécie.
ESPERANÇA PARA A LONGEVIDADE HUMANA
Esse progresso ocorre em um momento de crescente interesse no potencial de desenvolvimento de tratamentos médicos que possam ajudar os humanos a viver vidas mais longas e saudáveis.
“Quando comecei a apresentar o The Longevity Fund, em 2013, era um conceito de nicho e as pessoas riam de mim em seus escritórios”, disse Laura Deming à Fast Company por e-mail. “Agora é uma categoria legítima de investimento.”
Os investidores da Série C da Loyal incluem a Age1, uma nova empresa de capital de risco focada em longevidade, cofundada por Laura e Alex Colville, bem como a Baillie Gifford e outros investidores já existentes na empresa, que anteriormente havia captado mais de US$ 150 milhões em investimentos.
“O envelhecimento é algo que realmente afeta a todos — todos os humanos e todos os cães do planeta passam pelo envelhecimento”, diz Colville. “E acho que isso é algo realmente único, como uma oportunidade e um espaço para trabalhar.”
ESTÁGIO AVANÇADO DE PESQUISA
O LOY-002 já atingiu dois dos três marcos para a aprovação da FDA, conhecidos como as seções de “segurança do animal alvo” e “expectativa razoável de eficácia” de seu pedido de aprovação condicional. O marco final envolve demonstrar que o medicamento pode ser fabricado em escala de forma consistente, explica Celine.
O medicamento provavelmente será indicado para uso em cães com pelo menos 10 anos de idade e pesando pelo menos 6,3 kg, afirma ela. A dosagem, e consequentemente os custos, dependerá do porte do animal, mas Celine se mostra otimista de que o cão médio poderá tomar o medicamento por menos de US$ 100 por mês.
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A empresa anunciou em julho passado que havia concluído o recrutamento de cães para um estudo chamado STAY, projetado para testar a eficácia do LOY-002, que Celine considera o maior ensaio clínico de saúde animal já realizado.
A Loyal recrutou aproximadamente 1.300 cães para o estudo em 72 clínicas veterinárias, e Celine espera que os resultados mostrem que o medicamento proporciona pelo menos um ano de vida saudável aos participantes.
OUTRAS PESQUISAS NO PORTFÓLIO
A Loyal também está desenvolvendo outros dois medicamentos para cães: uma injeção administrada por veterinários chamada LOY-001 e um comprimido diário chamado LOY-003. Embora Celine afirme que a empresa não divulgou os mecanismos biológicos exatos por trás dos medicamentos, ela diz que a intenção é prolongar a vida de cães de grande porte, visando um hormônio do crescimento que está correlacionado a uma vida mais curta, visto que cães grandes geralmente vivem menos tempo do que cães de pequeno porte, seus equivalentes menores.
“Uma vez que o cão atinja a idade adulta, você pode reduzir os níveis de hormônio do crescimento para, com sorte, prolongar sua vida saudável e compensar o problema genético histórico que lhes impusemos quando os selecionamos para reprodução com foco no tamanho”, detalha Celine.
Se os medicamentos da Loyal se mostrarem eficazes para cães, poderão um dia levar a tratamentos semelhantes para humanos.
Se tudo correr bem, esses medicamentos poderão ser lançados um ou dois anos após o LOY-002, afirma ela. E se os medicamentos da Loyal se mostrarem eficazes para cães, poderão um dia levar a tratamentos semelhantes para humanos.
“Se formos capazes de fazer algo útil para cães, acredito que aprenderemos muito sobre como fazer algo útil para humanos também”, ressalta Celine.