Nem programação, nem código: a habilidade de IA mais disputada do momento
Em vez de substituir trabalhadores por IA, as empresas priorizam profissionais adaptáveis, com capacidade de aprendizado ágil

Nos EUA, as demissões atingiram o nível mais alto desde 2009. Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho local registra a menor taxa de contratações da história recente.
Em paralelo, os investimentos em inteligência artificial também batem recordes, especialmente entre as gigantes de tecnologia, que vivem uma verdadeira corrida bilionária. Alphabet, Meta, Microsoft e Amazon devem desembolsar US$ 650 bilhões apenas em 2026 com IA.
Embora boa parte desse dinheiro esteja sendo direcionada à construção de megacentros de dados, na tentativa de garantir vantagem estratégica de longo prazo na corrida armamentista da IA, muitas empresas continuam contratando profissionais para funções que exigem competências em inteligência artificial.
Mas quais são essas habilidades? Muita gente presume que a mais valorizada seja programação. Segundo um novo relatório, não é bem assim. Veja o que recrutadores e empresas estão buscando neste momento.
Um levantamento recente da plataforma de trabalho freelancer Upwork aponta que a competência em IA com crescimento mais acelerado nas contratações é a geração e edição de vídeo com IA (uma vertente de design e criação). A demanda por essa habilidade disparou mais de 329% ano contra ano.
Na prática, trata-se da capacidade de usar ferramentas de IA para ganhar tempo na produção de conteúdo em vídeo, gerando e editando materiais a partir de texto, imagens ou áudio.
Outras habilidades em IA que também estão entre as mais procuradas incluem:
- Programação e desenvolvimento web: integração de inteligência artificial (+178%)
- Ciência de dados e análise: anotação e rotulagem de dados (+154%)
- Atendimento ao cliente e suporte administrativo: gestão de e-commerce (+130%)
- Design e criação: geração e edição de imagens com IA (+95%)
COMPETÊNCIAS NÃO SÃO DESCARTÁVEIS
“Embora o Fórum Econômico Mundial estime que 39% das habilidades dos trabalhadores serão transformadas ou se tornarão obsoletas até 2030, apenas uma pequena parcela de tarefas complexas pode ser totalmente automatizada pelas IAs atuais”, destaca o relatório.
Mesmo com o aumento da preocupação dos profissionais em relação à substituição por IA, os dados da Upwork mostram que as empresas ainda colocam aquisição e retenção de talentos como sua principal prioridade estratégica, bem à frente de inovação e adoção de tecnologia.
Na prática, isso significa que, em vez de substituir trabalhadores por IA, as empresas continuam priorizando profissionais adaptáveis, com capacidade de aprendizado ágil – à frente (ao menos por enquanto) daqueles que sabem construir ou compreender ferramentas de inteligência artificial.