Como o marketing de influência virou motor de performance no Carnaval

O marketing de influência deixou de ser apenas uma ferramenta de awareness no Carnaval e passou a operar como um canal mensurável de performance

marketing de influência no carnaval
Créditos: master1305/ Thales Antonio/ Getty Images

Flávio Santos 4 minutos de leitura

Por décadas, o Carnaval foi tratado pelas marcas como um grande exercício de presença. Estar ali era o suficiente, e a lógica era simples: estar presente, aparecer nos blocos, associar-se à festa e ganhar alcance.

Esse modelo funcionou por anos, mas hoje é insuficiente. Camarotes, abadás, ativações espalhadas pela cidade e influenciadores amplificando mensagens em troca de visibilidade fazem parte da folia, mas agora isso vai muito além.

O Carnaval continua sendo a maior manifestação cultural do país, mas passou a operar em outra lógica. O evento se tornou um dos ambientes mais complexos e eficientes de performance, conversão e construção de marca.

Não por acaso, o marketing de influência deixou de ser coadjuvante nesse período para se tornar uma engrenagem central de resultados, e os criadores de conteúdo assumem um papel fundamental nesse cenário.

Essa virada acompanha uma mudança mais profunda no comportamento digital do brasileiro. Plataformas como Instagram e TikTok deixaram de ser apenas espaços de entretenimento e passaram a concentrar toda a jornada de consumo: descoberta, engajamento, consideração e compra.

Segundo o Relatório Instagram 2026, produzido pela Opinion Box, o Instagram já é a principal rede social para mais da metade dos brasileiros, com nove em cada 10 usuários acessando a plataforma diariamente – muitos deles, várias vezes ao dia.

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Em períodos de alta mobilização cultural, como o Carnaval, esse comportamento se intensifica e cria uma sobreposição rara entre atenção, emoção e decisão.

Nesse período do ano, essa dinâmica ganha ainda mais força, especialmente no TikTok. A plataforma, que já ultrapassa 1,5 bilhão de usuários ativos mensais no mundo (segundo dados do DataReportal), tornou-se um dos principais palcos digitais da festa, impulsionando tendências, coreografias, desafios e narrativas que extrapolam os dias oficiais da folia.

DADOS E TECNOLOGIA, PRÉ-REQUISITOS PARA O SUCESSO

Para criadores de conteúdo, artistas e marcas, o Carnaval no aplicativo representa uma janela estratégica de monetização e visibilidade, na qual criatividade, timing cultural e engajamento se convertem diretamente em alcance, relevância e receita.

O aplicativo deixa de ser apenas um espaço de consumo de conteúdo e se consolida como um ambiente de trabalho digital intensificado por um dos maiores eventos culturais do país.

Nesse contexto, o papel dos influenciadores muda radicalmente. Durante a festa, eles deixam de ser apenas um canal de alcance e passam a operar como mídia em tempo real, inseridos na experiência e, cada vez mais, como ponto direto de conversão.

Acesso à cultura influencia na criatividade e na saúde mental
Crédito: Ivan Pantic/ Getty Images

Não se trata de um movimento pontual criado pela sazonalidade, mas de uma relação construída ao longo do tempo: a maioria das pessoas acompanha os mesmos influenciadores por anos, desenvolvendo confiança e identificação.

Durante esse período festivo, essa credibilidade é ativada no momento de maior atenção e engajamento. Isso explica por que uma parcela significativa dos consumidores já comprou produtos indicados por criadores de conteúdo, incorporando essas recomendações ao seu processo natural de decisão – inclusive em contextos de consumo imediato, típicos da folia.

o marketing de influência no Carnaval é um retrato da maturidade do próprio setor.

O Carnaval potencializa tudo isso porque o consumo de conteúdo acontece em tempo real, nos momentos de lazer, quando as pessoas estão mais abertas a descobrir, interagir e agir. O próprio uso da plataforma mostra isso: o pico de acesso acontece à noite, entre 18h e meia-noite.

Formatos rápidos e espontâneos, como Stories e Reels, dominam a atenção. Os Stories, por exemplo, já fazem parte da rotina diária da maioria dos usuários, funcionando como uma espécie de feed emocional do momento.

É exatamente por isso que dados e tecnologia deixaram de ser diferenciais e passaram a ser pré-requisitos. Por muito tempo, marcas escolheram influenciadores pelo tamanho da audiência. No Carnaval, esse erro fica ainda mais evidente: alcance sem contexto não gera impacto.

CARNAVAL POTENCIALIZA PERFORMANCE DO MARKETING DE INFLUÊNCIA

O que separa campanhas que performam daquelas que apenas “aparecem” é a capacidade de cruzar dados de audiência, comportamento, formato e timing. Não basta estar na rua, é preciso entender quem está consumindo aquele conteúdo, em que momento e com qual intenção.

Os números confirmam essa mudança. A maioria dos usuários já descobriu produtos pelo Instagram e uma parcela significativa já comprou a partir de cliques em anúncios na plataforma.

Isso mostra que o marketing de influência deixou de ser apenas uma ferramenta de awareness e passou a operar como um canal mensurável de performance, integrado à estratégia de negócio.

Mulher no bloquinho de carnaval
Crédito: Freepik

O Carnaval apenas escancara um movimento que já está em curso. A festa amplifica comportamentos contemporâneos: consumo intenso de conteúdo, busca por identificação, decisões rápidas e influência social atuando em tempo real.

Marcas que entendem esse cenário constroem estratégias mais inteligentes, com cridores de conteúdo alinhados a valores, formatos adequados ao contexto cultural e métricas que vão além das curtidas.

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No fim das contas, o marketing de influência no Carnaval é um retrato da maturidade do próprio setor. Um mercado que saiu do improviso, abandonou a lógica puramente estética e passou a operar com estratégia, dados e mensuração.

Quem ainda enxerga a folia apenas como visibilidade está, muito provavelmente, deixando relevância e resultado no meio do bloco.


SOBRE O AUTOR

Flávio Santos é CEO e fundador da MField, referência no mercado de influência no Brasil e autor do best-seller "Economia da Influência". saiba mais