No Spotify, a IA já escreve o código – e os engenheiros?
O streaming de áudio está entre o número cada vez maior de empresas que dependem de ferramentas de IA para escrever o código de suas plataformas

Os engenheiros mais seniores do Spotify não digitam mais código. Na verdade, não escrevem uma única linha desde dezembro, revelou o co-CEO Gustav Soderstrom durante a mais recente teleconferência de resultados.
Isso não significa que pararam de trabalhar. Pelo contrário. Com uma combinação do Claude Code e do Honk (um sistema interno especializado do Spotify), os engenheiros agora conseguem desenvolver novos recursos simplesmente pelo Slack.
“Como exemplo concreto, um engenheiro do Spotify, no trajeto matinal para o trabalho, pode, pelo Slack no celular, pedir ao Claude que corrija um bug ou adicione um novo recurso ao app de iOS”, disse Söderström a analistas na conferência de 10 de fevereiro.
“Quando o Claude termina o trabalho, o engenheiro recebe uma nova versão do aplicativo pelo Slack no telefone, para então integrar em produção – tudo antes mesmo de chegar ao escritório.”
Söderström afirmou que os novos avanços impulsionados por IA – que ele atribui ao lançamento do Claude Opus 4.5, da Anthropic, dentro do Claude Code, em dezembro – são “apenas o começo” de como o Spotify pretende usar a tecnologia para criar novos recursos.
A empresa vem acelerando o lançamento de ferramentas para usuários, tendo adicionado mais de 50 funcionalidades em 2025, a maioria nas últimas semanas do ano. Segundo Söderström, a combinação de Claude Code e Honk “acelerou tremendamente” o ritmo de desenvolvimento e mudou a forma como os times operam.
“Antes das ferramentas de IA, eu passava minhas férias inteiras programando em vez de descansar, e acho que a maioria das pessoas de tecnologia fazia o mesmo”, afirmou.

Ele não está sozinho. Em uma publicação no X no fim de janeiro, Boris Cherny, chefe do Claude Code na Anthropic, contou que não escrevia código havia mais de dois meses e que “praticamente 100%” do código da empresa agora é gerado por IA.
No Fórum Econômico Mundial de Davos, em janeiro, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, previu que, em um ano, a inteligência artificial será responsável pela maior parte (ou pela totalidade) do trabalho de engenharia de software, do início ao fim.
o spotify adicionou mais de 50 funcionalidades para seus assinantes em 2025
“Acho .que em três a seis meses estaremos em um ponto no qual a IA estará escrevendo 90% do código. E, em 12 meses, podemos estar em um mundo no qual a IA escreve essencialmente todo o código”, disse Amodei em um evento do Council on Foreign Relations (Conselho de Relações Internacionais), segundo a "Business Insider".
O cronograma começa a parecer cada vez mais plausível – e o Spotify é apenas um exemplo. O Pinterest é outro. Na teleconferência de resultados de 12 de fevereiro, o CEO Bill Ready revelou que cerca de metade do novo código da plataforma já é gerado por IA.
Mesmo com a IA assumindo a maior parte da programação, Söderström afirma que os desenvolvedores estão focados em aprender rapidamente e ajustar sua abordagem.
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“Se essa fosse a etapa final da mudança, você poderia dizer ‘foi isso que aconteceu, vamos nos reorganizar’”, explicou. “O complicado é que estamos no meio da transformação, então é preciso ser extremamente ágil.”
A reação ao entusiasmo de Söderström com IA não demorou. Alguns desenvolvedores profissionais aproveitaram para ironizar. “É verdade”, escreveu Ryan Fleury, programador da Epic Games, no X. “De fato, eu já tinha a impressão de que os melhores desenvolvedores do Spotify não escreviam uma linha de código desde 2014.”