Você pagaria para ver stories? Snapchat começa a testar

Ao adotar o modelo de assinatura direta entre criador e consumidor, o Snapchat tenta ampliar suas fontes de receita para depender menos da publicidade

mulher navega pelo aplicativo Snapchat
Crédito: Freepik

Anna-Loiuse Jackson 2 minutos de leitura

A Snap Inc. quer abrir uma nova fonte de receita na tentativa de reduzir sua dependência da publicidade. A dona do Snapchat anunciou esta semana que vai começar a oferecer assinaturas para criadores de conteúdo selecionados, permitindo que monetizem seus fãs mais engajados.

Em um movimento que busca fortalecer tanto os criadores quanto o próprio caixa, a Snap vai iniciar na semana que vem os testes do recurso Creator Subscriptions com um grupo de 15 criadores, entre eles Jeremiah Brown, Harry Jowsey e Skai Jackson.

Juntos, os três somam mais de três milhões de seguidores na plataforma e a empresa aposta que parte desse público vai migrar para planos pagos em troca de conteúdo exclusivo, respostas prioritárias e uma experiência sem anúncios.

Os criadores vão poder definir o preço mensal dentro de faixas recomendadas pela Snap – que variam de US$ 4,99 a US$ 19,99, segundo a CNBC – e ficarão com cerca de 60% da receita das assinaturas.

A partir de segunda-feira (23 de fevereiro), usuários com dispositivos Apple poderão assinar os canais participantes. A empresa ainda não informou quando o recurso será liberado para Android.

“Esse lançamento reforça nosso investimento contínuo em um ecossistema de monetização centrado nos criadores, desenhado para ajudá-los a fortalecer o relacionamento com suas comunidades e construir negócios sustentáveis e escaláveis no Snapchat”, afirmou a companhia em nota.

ALÉM DA PUBLICIDADE

Ao adotar o modelo de assinatura direta entre criador e consumidor, o Snapchat tenta ampliar iniciativas anteriores de monetização, como o Unified Monetization Program e o Snap Star Collab Studio, voltadas para criadores.

A diversificação de receitas é prioridade, como o CEO Evan Spiegel vem reiterando nos últimos trimestres. Nesse contexto, a empresa tem testado até que ponto (e quanto) seus usuários estão dispostos a pagar por recursos e conteúdo.

post de divulgação do sistema de assinatura  do Snapchat

Em 2022, a companhia lançou o Snapchat+, por US$ 3,99 ao mês, desbloqueando funcionalidades exclusivas. Há cerca de quatro meses, passou também a cobrar por planos de armazenamento do recurso Memories.

Apesar de algumas reclamações, as iniciativas se mostraram bem-sucedidas. Impulsionada por essas e outras ofertas pagas, a Snap encerrou 2025 com 24 milhões de assinantes – alta de 71% em relação ao mesmo período de 2024, segundo o balanço do quarto trimestre divulgado este mês.

Ao integrar criadores às novas ferramentas de monetização, o Snapchat quer dar mais liberdade para experimentação e fortalecer conexões dentro da plataforma.

“Queremos que o próximo passo da nossa jornada de monetização de criadores seja baseado em relacionamentos reais”, afirmou Jim Shepherd, chefe de parcerias de conteúdo da Snap, em entrevista à CNBC.

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O desafio é que a empresa chega atrasada a um mercado de assinaturas já saturado e em um momento no qual a chamada “fadiga de assinaturas” se intensifica.

Uma pesquisa recente mostrou que a Geração Z, público central da Snap, já demonstra cansaço com o número cada vez maior de serviços pagos, especialmente no streaming – sentimento que pode se estender a outras categorias.


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