Mark Zuckerberg dá seu depoimento em julgamento sobre redes sociais viciantes; veja

Zuckerberg respondeu a questionamentos sobre políticas de idade mínima, metas de engajamento e mecanismos internos

Mark Zuckerberg
Foto: Reuters

Joyce Canelle 2 minutos de leitura

O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, depôs na última quarta-feira (18) no Tribunal Superior de Los Angeles em um julgamento que discute se plataformas digitais foram projetadas para estimular uso compulsivo entre crianças e adolescentes. O caso, que começou no fim de janeiro, analisa se empresas de tecnologia ofereceram conscientemente produtos considerados prejudiciais à saúde mental de jovens.

Zuckerberg respondeu a questionamentos sobre políticas de idade mínima, metas de engajamento e mecanismos internos de recomendação de conteúdo. A ação judicial tem como base o relato de uma jovem identificada como KGM, hoje com 20 anos, que afirma ter desenvolvido comportamento compulsivo após começar a usar redes sociais ainda na infância, segundo a CBS News.

O FOCO NA IDADE MÍNIMA

Durante o depoimento, os advogados da autora pressionaram o executivo sobre a presença de crianças menores de 13 anos no Instagram. Segundo a acusação, KGM criou uma conta aos 9 anos.

Zuckerberg afirmou que a política da empresa proíbe usuários abaixo dessa idade, mas reconheceu dificuldades na aplicação da regra. Ele declarou que muitas pessoas informam idade incorreta no momento do cadastro e que a companhia remove perfis quando identifica irregularidades.

Segundo o The Guardian, também admitiu que gostaria que os sistemas de verificação tivessem evoluído mais cedo. Os advogados questionaram se a empresa poderia confiar apenas na autodeclaração de idade, especialmente quando se trata de crianças.

Mark Zuckerberg e equipe
Foto: Getty Images

ENGAJAMENTO E TEMPO DE USO

Outro ponto central foi o tempo que usuários passam na plataforma, Zuckerberg explicou que o indicador é utilizado para medir desempenho frente a concorrentes como o TikTok. Segundo ele, o objetivo não seria simplesmente aumentar permanência, mas compreender a posição da empresa no mercado.

A acusação sustenta que recursos como rolagem infinita e algoritmos personalizados estimulam permanência prolongada, o que poderia reforçar padrões de uso compulsivo.

FILTROS DE BELEZA E RESPONSABILIDADE

O CEO também comentou sobre os filtros de imagem do Instagram, ele afirmou que a empresa optou por manter determinados efeitos em nome da liberdade de expressão, mas disse que a companhia não deve criá-los diretamente nem promovê-los de forma ativa.

O tema ganhou relevância após críticas de que alterações visuais poderiam incentivar insegurança corporal entre adolescentes.

PRIMEIRO TESTE DIANTE DE UM JÚRI

Embora já tenha comparecido ao Congresso dos Estados Unidos para tratar de segurança online, esta é a primeira vez que Zuckerberg presta esclarecimentos sobre o tema diante de um júri popular. O julgamento também envolve o YouTube, controlado pelo Google e outras empresas como TikTok e Snapchat chegaram a acordo antes do início da fase atual do processo.

Especialistas observam que o caso pode estabelecer parâmetros para milhares de ações semelhantes em andamento. A estratégia dos autores concentra-se no design das plataformas e não apenas no conteúdo publicado por usuários, o que pode contornar proteções legais tradicionalmente usadas por empresas de tecnologia.

REPERCUSSÃO E PRÓXIMOS PASSOS

A Meta informou que discorda das alegações e sustenta que a autora já enfrentava problemas de saúde mental antes de utilizar redes sociais, e a empresa afirma que tem investido em ferramentas de proteção para jovens.

O resultado do julgamento de Mark Zuckerberg poderá influenciar processos em outros estados e redefinir o debate sobre responsabilidade das plataformas digitais no desenvolvimento de crianças e adolescentes.


SOBRE O(A) AUTOR(A)

Bacharel em Jornalismo, com trajetória em redação, assessoria de imprensa e rádio, comprometida com a comunicação eficiente e a produç... saiba mais