Quer lembrar mais? A ciência recomenda papel e caneta

Porque o conhecimento só é útil se você fizer algo para torná-lo útil

Quer lembrar mais? A ciência recomenda papel e caneta
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Você vive esquecendo coisas? Para melhorar sua memória e capacidade de recordar, a ciência diz que você deve começar a fazer anotações (à mão).

E então faça uma revisão rápida na manhã seguinte.

Quando palestrei no Arabian Business Awards há alguns anos, mostrei um slide descrevendo uma pesquisa que demonstra que reuniões literalmente tornam as pessoas mais burras: Um estudo publicado no periódico Transcripts of the Royal Society of London descobriu que reuniões fazem com que você (durante a reunião) perca pontos de QI.

Várias pessoas na plateia tiraram fotos daquele slide.

O mesmo aconteceu quando apresentei um slide descrevendo uma pesquisa publicada no Journal of Business Research que mostrou que não apenas 90% dos funcionários consideram as reuniões improdutivas, mas também que, quando o número de reuniões é reduzido em 40%, a produtividade dos funcionários aumenta em 70%.

Várias pessoas também tiraram fotos daquele slide.

AMBAS AS CONCLUSÕES PARECEM FÁCEIS DE LEMBRAR

Ambas as conclusões parecem fáceis de lembrar, até porque a pesquisa confirma o que a maioria das pessoas pensa sobre reuniões: na maioria das vezes, a única pessoa que acha uma reunião importante é quem a convocou. Mas e se você realmente quisesse se lembrar de que as reuniões tendem a deixar os participantes menos inteligentes e a impactar negativamente a produtividade geral?

Ou, de forma mais ampla, ter uma chance melhor de se lembrar das coisas que você realmente quer lembrar? Não tire fotos.

ANOTAÇÕES À MÃO FUNCIONAM MELHOR

Em um estudo publicado no Journal of Experimental Psychology: Applied, pesquisadores avaliaram a eficácia de diversas estratégias para melhorar a memória: tirar fotos, digitar anotações e escrever anotações à mão.

Como você provavelmente já deve imaginar, as pessoas que fizeram anotações à mão obtiveram as pontuações mais altas nos testes subsequentes de memorização e compreensão, mesmo quando as pessoas que tiraram fotos ou digitaram anotações textuais tiveram a oportunidade de revisar esses itens antes de fazer os testes.

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Ou talvez você não tenha adivinhado: os pesquisadores também descobriram que "os alunos não estavam cientes das vantagens de fazer anotações à mão, mas julgaram erroneamente as três técnicas como igualmente eficazes".

Então, por que fazer anotações à mão funciona tão bem? De acordo com os pesquisadores:

“Os alunos que faziam anotações à mão divagavam menos e, consequentemente, demonstravam uma retenção superior do conteúdo da aula.”

POR QUE ESCREVER À MÃO MELHORA A RETENÇÃO

Faz sentido. Tirar uma foto não exige nenhuma "participação mental". Você não precisa pensar, sintetizar, decidir como vai capturar a informação de forma abreviada, por exemplo.

Digitar anotações palavra por palavra — por exemplo, transcrever uma palestra ou a gravação de uma reunião — é mais um processo do que um exercício mental. O foco está na precisão, não na retenção. (Consigo digitar rápido o suficiente para capturar tudo o que alguém diz em tempo real, mas isso não significa que me lembro de nada sem revisar o que digitei.)

Talvez seja por isso que Richard Branson, fundador da Virgin, carrega um caderno para todo lugar que vai. (Literalmente: eu já o vi com um pelo menos 10 vezes.) Resumir, expressar conceitos ou ideias com suas próprias palavras, decidir não apenas o que escrever, mas como escrever — tudo isso ativa diferentes partes do cérebro e, portanto, melhora a retenção e a capacidade de recordar informações.

REVISAR ANTES DE DORMIR E NA MANHÃ SEGUINTE

Principalmente se você não parar por aí. De acordo com um estudo publicado na revista Psychological Science, pessoas que estudam antes de dormir, dormem e fazem uma revisão rápida na manhã seguinte não só gastam menos tempo estudando, como também aumentam sua retenção a longo prazo em 50%.

Experimente. À noite, dê uma olhada rápida nas anotações que você fez durante o dia. Reserve alguns instantes para se lembrar não apenas do que você anotou, mas também do porquê: por que você usará o que anotou, quando usará e por que isso fará diferença na sua vida profissional ou pessoal. Depois, faça uma revisão rápida na manhã seguinte.

A menos que você seja um(a) anotador(a) compulsivo(a), ambos os exercícios levarão apenas um ou dois minutos.

Afinal, se foi importante o suficiente para ser anotado, é importante o suficiente para ser lembrado — e, mais importante ainda, para ser usado de alguma forma.

Porque o conhecimento só é útil se você fizer algo para torná-lo útil.

Este artigo foi publicado originalmente na Inc. Leia o artigo original.


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