Homens “gritam” com IA 80% mais do que mulheres, aponta estudo
Muita gente fica frustrada ao não conseguir os resultados esperados. Pedir educadamente não adianta. Gritar também não

Conforme o uso da IA vai crescendo, aumenta também a frustração com a tecnologia. De respostas que não fazem o menor sentido à curva de aprendizado e à forma como as ferramentas são implementadas no trabalho, não faltam “peculiaridades” às quais os usuários precisam se adaptar. Mas a maneira como as pessoas reagem a esses incômodos varia bastante.
De acordo com um novo relatório da Adobe (com foco nas ferramentas Acrobat e Firefly), frustração é o que não falta. Entre os 1.008 usuários de IA entrevistados, 91% afirmaram já ter abandonado tarefas com IA generativa e optado por métodos tradicionais, sem IA, por causa desse sentimento.
Em grande parte, isso acontece porque escrever bons prompts é uma estratégia essencial para usar a ferramenta de forma eficaz, mas não é uma coisa totalmente intuitiva. Existe, sim, uma curva de aprendizado quando o objetivo é formular comandos que levem aos melhores resultados possíveis. E a maioria dos usuários tem um limite.
No caso de ferramentas de geração de imagens, por exemplo, os entrevistados disseram esperar um resultado de qualidade após quatro tentativas. Na sétima, a maioria simplesmente desiste.
Para tarefas com texto, a paciência é ainda menor. Ao pedir que a IA escreva e-mails ou posts para redes sociais, os usuários querem uma resposta satisfatória já na segunda tentativa e abandonam de vez na quarta.
Mas nem todo mundo reage apenas desistindo dos prompts. Alguns usuários partem para o grito.
Quando o assunto é responder com raiva, o comportamento é bastante marcado por gênero: homens são muito mais propensos a “dar bronca” na IA. Segundo o relatório, eles afirmaram ter “gritado” com a tecnologia – escrevendo tudo em letras maiúsculas – 80% mais vezes do que as mulheres, na crença de que isso poderia melhorar o resultado.
escrever bons prompts é uma estratégia essencial para usar a IA de forma eficaz.
Por .outro lado, a tendência de ser educado com a IA é mais comum em determinados setores. Profissionais de finanças e bancos disseram usar expressões como “por favor” em 43% das interações. Em educação, transporte e logística, o índice foi de 42%. Já nas áreas de artes criativas e saúde, os percentuais caem para 38% e 36%, respectivamente.
Curiosamente, apesar de serem mais inclinados a gritar com a IA, os homens também demonstram mais confiança na própria capacidade de usar bem a tecnologia.
De acordo com o relatório, eles se consideram 15% mais confiantes do que as mulheres na habilidade de criar prompts. O problema é que essa autoconfiança não se traduz na prática: os comandos eram apenas 5% melhores, em média.
Leia mais: 13 prompts para usar no ChatGPT que são úteis no dia a dia
Independentemente da confiança, o estudo aponta algumas estratégias úteis para reduzir a frustração e melhorar os resultados: dividir tarefas em etapas, salvar os melhores prompts para reutilizar, checar fatos e oferecer exemplos claros.
Infelizmente, ser educado não melhora a qualidade das respostas. Gritar também não.