O que é injeção de prompt? Entenda
Esse tipo de vulnerabilidade não depende necessariamente de textos visíveis ou claros

A chamada injeção de prompt ocorre quando entradas fornecidas por usuários conseguem alterar o comportamento esperado do modelo, influenciando respostas e até levando à quebra de regras internas.
O problema pode surgir em qualquer ambiente que utilize modelos generativos, principalmente quando esses sistemas interagem com fontes externas ou executam funções conectadas a outros serviços. A falha acontece porque os modelos processam textos como comandos interpretáveis.
Mesmo que uma instrução não seja evidente para um leitor humano, o sistema pode analisá-la como orientação válida. Isso abre espaço para que conteúdos maliciosos modifiquem respostas, contornem restrições ou provoquem decisões inadequadas.
COMO FUNCIONA A INJEÇÃO DE PROMPT?
Na prática, a injeção de prompt consiste na manipulação das instruções enviadas ao modelo, o usuário, intencionalmente ou não, insere comandos que mudam o rumo da resposta. Segundo o Owasp Gen AI Security Project, o sistema passa a priorizar aquela nova orientação e pode ignorar parâmetros de segurança previamente definidos.
Esse tipo de vulnerabilidade não depende necessariamente de textos visíveis ou claros, basta que o conteúdo seja interpretado pelo modelo para que ele produza um efeito. Em ambientes corporativos, isso pode significar exposição de dados internos, execução de tarefas não autorizadas ou alteração de decisões automatizadas.
TIPOS DE ATAQUES
Os ataques podem ocorrer de forma direta ou indireta:
A injeção direta acontece quando o próprio usuário envia uma instrução capaz de modificar o funcionamento do modelo. Isso pode ser fruto de uma tentativa deliberada de exploração ou de um comando aparentemente inocente que desencadeia um comportamento inesperado.
Já a injeção indireta surge quando o modelo acessa conteúdos externos, como páginas da internet ou arquivos. Caso esses materiais contenham instruções ocultas ou maliciosas, o sistema pode interpretá-las como válidas e alterar sua conduta.
Com a evolução da inteligência artificial (IA) multimodal, que processa texto, imagem e outros formatos simultaneamente, o risco se amplia. Instruções podem ser incorporadas em imagens e combinadas com textos legítimos, dificultando a detecção do problema.
IMPACTOS POSSÍVEIS
As consequências variam de acordo com o contexto em que o modelo está inserido. Entre os principais riscos estão a divulgação de informações sensíveis, manipulação de conteúdo que gere respostas incorretas ou tendenciosas, acesso indevido a funcionalidades internas e interferência em processos críticos de decisão.
Em sistemas conectados a outras plataformas, há ainda a possibilidade de execução de comandos não autorizados, o que amplia o potencial de dano.
ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO
Não existe solução completamente infalível contra esse tipo de vulnerabilidade, já que modelos generativos operam com certo grau de imprevisibilidade. Ainda assim, medidas podem reduzir os riscos.
Entre elas está a definição clara do papel do modelo dentro do prompt do sistema, com limitações explícitas sobre o que ele pode ou não fazer. Também é recomendável estabelecer formatos rígidos de saída e validar automaticamente se as respostas seguem os padrões exigidos.
Outra frente envolve a filtragem de entradas e saídas, com regras capazes de identificar conteúdos sensíveis ou suspeitos. O controle de privilégios também é essencial, restringindo o acesso do modelo apenas às funções estritamente necessárias.
Em operações de maior risco, a exigência de aprovação humana funciona como camada adicional de proteção. Além disso, testes adversários e simulações periódicas ajudam a identificar brechas antes que sejam exploradas.
A injeção de prompt se tornou um dos principais desafios na segurança de sistemas baseados em IA. À medida que essas tecnologias ganham espaço em processos corporativos e serviços ao público, cresce também a necessidade de mecanismos de defesa mais robustos.