Robôs com IA podem superar trabalhadores humanos em alguns anos; entenda

A tecnologia IA atinge o mercado de trabalho com intensidade e muitos países e empresas não estão preparados para essa transição

Crédito: JJ Ying/ Unsplash

Joyce Canelle 3 minutos de leitura

Em entrevista ao programa “Squawk Box Europe”, da CNBC, o ex-chefe de inovação, tecnologia e futuro do trabalho do Citi Global Insights, Rob Garlick, afirmou que, nas próximas décadas, o número de robôs com inteligência artificial (IA) poderá ultrapassar a população economicamente ativa.

A declaração foi feita ao comentar como empresas ao redor do mundo estão acelerando a adoção de agentes de IA para reduzir custos e ampliar margens de lucro, movimento que, segundo ele, tende a redesenhar o mercado de trabalho.

Garlick avalia que a combinação entre busca por lucratividade e avanço tecnológico cria um ambiente propício para a substituição de funções humanas por sistemas automatizados. Para o executivo, a capacidade crescente da IA de executar tarefas com mais rapidez, menor custo e maior escala representa uma mudança estrutural na economia global.

EXPLOSÃO NO NÚMERO DE ROBÔS

Um relatório do Citi de 2024, liderado por Garlick, estima que o total de robôs com IA poderá alcançar 1,3 bilhão até 2035. A projeção inclui desde humanoides até equipamentos de limpeza doméstica e veículos autônomos, pelas mesmas estimativas, esse contingente pode ultrapassar 4 bilhões até 2050.

Na avaliação do ex-executivo, se forem considerados também os chamados agentes digitais, programas capazes de tomar decisões e executar tarefas com mínima intervenção humana, o avanço tende a ser ainda mais acelerado. Ele sustenta que, em cerca de duas décadas, haverá mais robôs em operação do que pessoas economicamente ativas.

RETORNO FINANCEIRO

O estudo também calculou o tempo necessário para que um robô compense financeiramente o investimento feito por uma empresa. Segundo as estimativas, um equipamento de US$ 15 mil poderia atingir o ponto de equilíbrio em poucas semanas ao substituir um trabalhador que recebe US$ 41 por hora. Em funções com remuneração menor, o retorno ocorreria em um período mais longo, mas ainda considerado curto do ponto de vista empresarial.

Para Garlick, a lógica econômica é direta, se a tecnologia entrega produtividade maior com custo previsível e sem encargos trabalhistas, a tendência é que empresas ampliem o uso desses sistemas. Ele afirma que, nesse cenário, trabalhadores não conseguem competir apenas com base em custo.

AGENTES DE IA

A expansão não se limita a robôs físicos, o relatório Work Trend Index, da Microsoft, mostrou que 80% dos líderes empresariais esperam integrar amplamente agentes de IA às suas estratégias nos próximos 12 a 18 meses. Esses agentes são softwares capazes de analisar dados, tomar decisões e executar tarefas administrativas ou operacionais.

Na McKinsey & Company, o sócio-gerente global Bob Sternfels afirmou à Harvard Business Review que a empresa já utiliza 20 mil agentes digitais, além de 40 mil funcionários. Um ano antes, eram cerca de 3 mil, e a expectativa é que, em pouco mais de um ano, o número de agentes se aproxime do total de trabalhadores humanos.

VISÕES OPOSTAS SOBRE O IMPACTO

Durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, Elon Musk declarou que a IA pode superar a capacidade humana ainda este ano. Na visão dele, em um cenário otimista, a automação massiva resultaria em abundância de bens e serviços, com robôs desempenhando a maior parte das atividades produtivas.

Já a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, alertou que a tecnologia atinge o mercado de trabalho com intensidade crescente e que muitos países e empresas não estão preparados para essa transição.

Nos Estados Unidos, dados da consultoria Challenger, Gray & Christmas indicam que a IA esteve associada a quase 55 mil demissões em 2025. Grandes companhias como Amazon, Salesforce, Accenture, Heineken e Lufthansa mencionaram a tecnologia entre os fatores que influenciaram cortes de vagas.

Nem todos os líderes veem o avanço apenas como ameaça, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirma que o crescimento da infraestrutura de IA deve gerar empregos bem remunerados, especialmente na construção de fábricas de chips e centros de dados.

Ele cita também oportunidades em profissões técnicas, como eletricistas e trabalhadores da construção civil.

O debate sobre o impacto da IA no emprego segue aberto, empresas aceleram investimentos em automação para ganhar mais eficiência.


SOBRE O(A) AUTOR(A)

Bacharel em Jornalismo, com trajetória em redação, assessoria de imprensa e rádio, comprometida com a comunicação eficiente e a produç... saiba mais