Pokémon 30 anos: como a marca virou febre, investimento e alvo de roubos
De Game Boy a cards que valem milhões de dólares, a franquia criada no Japão em 1996 combina design de personagens, construção de mundo e uma comunidade fiel que atravessa gerações

A vida de Benson Lu gira em torno de Pokémon.
O jovem de 26 anos joga Pokémon Go para celular todos os dias há uma década, assiste ao desenho animado toda semana, vai à loja de cards local em seu bairro em Los Angeles para jogar o jogo de cards colecionáveis da franquia toda semana e possui uma coleção impressionante de cartas avaliada em mais de US$ 70.000.
"Não me lembro da última vez que não pensei em Pokémon."
Benson Lu, 26 anos
"Não me lembro da última vez que não pensei em Pokémon", disse ele.
Nos 30 anos desde que Pokémon estreou no Japão com o lançamento de Pokémon Red e Pokémon Green para Nintendo Game Boy em 1996, a franquia conquistou o mundo com seus desenhos animados, jogos para celular e cards colecionáveis altamente cobiçadas. Sua popularidade continua entre fãs de todas as idades.
AULA DE DESIGN DE PERSONAGENS
Pokémon oferece uma aula magistral de design de personagens, o que contribuiu para sua longevidade, afirmou Heather Cole, professora assistente de design de jogos e mídia interativa na Universidade da Virgínia Ocidental.
"Pokémon oferece uma aula magistral de design de personagens, o que ajudou a torná-lo tão duradouro", disse Heather Cole, professora assistente de design de jogos e mídia interativa na Universidade da Virgínia Ocidental. “Acho que a longevidade disso tem a ver com os personagens e a construção de mundo que eles proporcionam”, analisa.
UM PRODUTO VALIOSO VIRA CASO DE POLÍCIA
Adam Corn, dono da empresa de cartas Overdose Gaming Inc., explica que conseguiu comprar uma casa no ano passado com o dinheiro que ganhou com suas cartas Pokémon.
“Pokémon quase sempre se valoriza com o tempo. Então, na minha opinião, é um ótimo investimento, melhor do que muitos outros ativos.”
Adam Corn, dono da empresa de cartas Overdose Gaming Inc
“Pokémon quase sempre se valoriza com o tempo”, garante Corn. “Então, na minha opinião, é um ótimo investimento, melhor do que muitos outros ativos.”
Empresas como a Beckett Grading Services e a Professional Sports Authenticator autenticam e classificam a qualidade dos cards Pokémon em uma escala de 1 a 10, sendo 10 a condição impecável, a mais alta, que alcança os preços mais altos.
Paul comprou o card Pikachu Illustrator com classificação PSA 10 alguns meses antes por US$ 5,3 milhões e o exibiu em um colar pendurado no pescoço em vídeos. O card mostra um Pikachu segurando uma caneta e uma vassoura de penas.
Na última terça-feira (24), ladrões roubaram mais de US$ 80.000 em cards Pokémon da loja Do-We Collectibles em Anaheim — a segunda vez que a loja foi alvo de roubo. Outras lojas em Los Angeles e Nova York também foram vítimas de furtos de cards Pokémon.
Duy Pham, dono da loja de Anaheim, disse que o incentivo financeiro para ladrões e cambistas significa que “o hobby nunca mais será o mesmo”.
“Está mais difícil para colecionadores e jogadores”, disse Pham. “Está difícil para nós conseguirmos alguma coisa.”
COMO FUNCIONA O MERCADO DE CARDS
Os colecionadores podem pagar o preço de varejo por um pacote padrão de cards Pokémon aleatórias, cerca de US$ 5 por 10 cards, ou comprar a carta específica que desejam em segunda mão por preços mais altos. Mas, assim como em jogos de azar, abrir pacotes nem sempre resulta em lucro — Aiden Zeng gastou US$ 1.000 em pacotes de cards que valiam apenas US$ 60 no mercado de revenda, conta.
Zeng, de 17 anos, disse que seu fanatismo começou no ensino fundamental, quando ficou obcecado por guias de personagens. Ele acabou tentando colecionar todos os tipos de cards disponíveis de seu favorito, Kyurem Negro.
“Eu memorizei os movimentos específicos de cada Pokémon, de qual região eles vêm, algumas das histórias por trás deles”, conta Zeng.
RESSURGIMENTO DA POPULARIDADE
Mesmo além dos colecionadores dedicados, Zeng diz que viu um ressurgimento da popularidade de Pokémon em sua escola em Toronto, onde alguns alunos decoram suas capas de celular com cartas que apresentam ilustrações especiais ou um brilho holográfico.
O criador de Pokémon, Satoshi Tajiri, disse que gostava de capturar insetos e outros pequenos bichinhos nos campos e florestas nos arredores do subúrbio de Tóquio onde morava quando criança. Essas criaturas o inspiraram a criar os Pokémon coloridos e fantásticos, dos quais existem milhares de espécies hoje em dia.
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COM POKÉMON, A IMPORTÂNCIA DA NOSTALGIA
Embora seu hobby seja lucrativo, Lu afirma que o que o atrai ainda é a nostalgia pelos personagens com os quais cresceu e a comunidade que formou em torno de Pokémon. Ele prefere não vender seus cards individuais porque teme nunca mais encontrá-los.
Recentemente, Lu passou um sábado inteiro caminhando pelo Rose Bowl em Pasadena, Califórnia, procurando Pokémon em seu jogo de realidade aumentada para celular, em um evento com milhares de pessoas.
"Gosto de Pokémon desde criança", afirma ele. "E ainda gosto da mesma forma." (Associated Press)