Crescem golpes em sites de shows: veja como se proteger
A alta procura, com vendas que se esgotam rapidamente e filas virtuais concorridas, cria o ambiente ideal para golpes

Com uma agenda de grandes shows prevista para este ano no Brasil, consumidores enfrentam um risco crescente de golpes ao tentar comprar ingressos pela internet.
O aumento de turnês nacionais e internacionais e a procura intensa por entradas têm sido explorados por criminosos digitais, que criam páginas falsas para enganar fãs, roubar dados pessoais e aplicar golpes financeiros. O problema se intensificou nos últimos meses, impulsionado pela alta demanda e pelo uso de ferramentas tecnológicas que tornam os golpes mais sofisticados.
Shows de artistas como Alcione, Zeca Pagodinho e Jorge Aragão dividem espaço na agenda com apresentações internacionais de AC/DC, Harry Styles e BTS. Festivais como Rock in Rio e Lollapalooza Brasil também movimentam o mercado.
A alta procura, com vendas que se esgotam rapidamente e filas virtuais concorridas, cria o ambiente ideal para golpes. Quando o consumidor não consegue concluir a compra e encontra uma oferta alternativa, muitas vezes age com pressa e reduz o nível de cautela. É nesse momento que os golpistas se aproveitam da frustração e da sensação de escassez.
CENTENAS DE SITES FALSOS IDENTIFICADOS
Um levantamento da consultoria Redbelt Security identificou 778 domínios falsos registrados nos últimos três meses. Desse total, 214 já estavam ativos no momento da análise, prontos para capturar dados pessoais e financeiros de vítimas. Os dados foram antecipados com exclusividade pelo O Globo.
As páginas imitam plataformas conhecidas do setor de entretenimento com alto grau de fidelidade. Logotipos, cores, etapas de compra e até simulações de fila virtual são reproduzidos para transmitir credibilidade.
Em alguns casos, os sites exibem informações detalhadas de assentos e geram boletos com aparência legítima.
Segundo a consultoria, a qualidade dos golpes aumentou com o uso de inteligência artificial. Textos sem erros aparentes e descrições precisas dificultam a identificação imediata do golpe, o que exige atenção redobrada do consumidor.
COMO OS GOLPES CHEGAM ÀS VÍTIMAS
Os criminosos utilizam caminhos que parecem oficiais. Anúncios pagos em redes sociais replicam o visual das plataformas verdadeiras. Links patrocinados aparecem no topo dos mecanismos de busca, antes mesmo do site original.
Ofertas também circulam em grupos de mensagens como se fossem revendas confiáveis.
O Brasil reúne fatores que ampliam o risco. O país tem forte mercado de eventos, ampla base de usuários nas redes sociais e uso massivo de pagamentos digitais, além de cultura de compras informais em canais paralelos.
SINAIS DE ALERTA ANTES DA COMPRA
Apesar da sofisticação, ainda existem indícios que ajudam a identificar páginas fraudulentas. O primeiro passo é conferir o endereço do site com atenção.
Golpistas criam variações quase idênticas ao domínio original, alterando letras ou inserindo caracteres extras.
Também é recomendável evitar links recebidos por mensagens ou redes sociais. O ideal é digitar o endereço diretamente no navegador ou utilizar o aplicativo oficial da empresa.
Verificar se o site utiliza conexão HTTPS é importante, mas não garante autenticidade, já que criminosos também adotam esse protocolo. Checar a data de criação do domínio pode ajudar, pois endereços muito recentes merecem cautela.
Desconfiança deve ser ainda maior diante de preços muito abaixo do mercado ou de ingressos disponíveis para eventos oficialmente esgotados.
O QUE FAZER EM CASO DE GOLPE
Quem suspeitar que caiu em golpe deve agir rapidamente:
1°: Entrar em contato com o banco e com a operadora do cartão para bloquear transações. Em casos de transferência via Pix, é possível solicitar ao banco a verificação de tentativa de devolução do valor.
2°: Também é fundamental alterar senhas de contas possivelmente comprometidas e ativar autenticação em dois fatores.
3°: O registro de boletim de ocorrência, presencial ou online, é indicado para formalizar o caso e auxiliar nas investigações.
Com o calendário de grandes shows, a pressa pode custar caro. Informação e cautela seguem como as principais ferramentas para evitar prejuízos e golpes.