Intercâmbio no exterior é possível? Com planejamento e disciplina, sim
Com organização financeira, escolha estratégica de destino e investimentos adequados, o sonho de estudar fora pode sair do papel

Estudar no exterior é um dos grandes sonhos de muitos jovens brasileiros. Seja para garantir fluência em outro idioma, ter uma experiência internacional que amplia horizontes culturais ou buscar formação acadêmica, o intercâmbio é uma oportunidade de abrir portas no mercado de trabalho.
A escolha do país, da instituição de ensino e do “pacote” ideal, no entanto, envolve custos que precisam ser bem planejados para caber no bolso.
Os pacotes mais recorrentes são intercâmbios de idiomas, geralmente com duração de três a seis meses. Uma das principais dicas é avaliar antes de contratar a viagem se a matrícula será feita em uma turma do seu nível de fluência no idioma, além de se certificar que o programa esteja de acordo com seus objetivos.
Para materializar o sonho, os especialistas são unânimes ao dizer que o primeiro passo é se planejar financeiramente para o intercâmbio. Uma dica é destinar uma parte do rendimento mensal para esse objetivo. Vale, inclusive, nomear o investimento e personalizá-lo para facilitar a visualização da “caixinha” e estimular os aportes.
O planejamento inclui avaliar o destino, a duração e o custo total do intercâmbio, além de considerar se o estudante pretende trabalhar durante a estadia para complementar a renda. Também é importante definir se o contrato será feito por meio de agência ou diretamente com escola ou universidade.
QUAL INVESTIMENTO ESCOLHER PARA ESTA FINALIDADE?
Algumas instituições financeiras oferecem a opção de criar “caixinhas” na conta corrente para o cliente organizar seus investimentos conforme suas metas. O Santander, por exemplo, tem o “Minhas Reservas”, que paga 100% do CDI, com rendimento diário.
Os fundos cambiais ou ETFs (sigla para Exchange Traded Funds) atrelados ao dólar podem ser uma estratégia de proteção cambial para preservar o poder de compra no exterior. Mesmo com a moeda americana atingindo patamares menores, compras, hospedagens e cursos pagos em dólar ainda pesam no bolso.
Mas é importante entender as regras do fundo, quais as taxas cobradas e o prazo de permanência, porque, se precisar resgatar em um momento de desvalorização, o investidor pode sair no prejuízo.
Comprar dólar ou euro aos poucos para suavizar os efeitos da oscilação cambial – estratégia conhecida como dollar-cost averaging – permite que você consiga um preço médio dessas moedas mais equilibrado e evita surpresas às vésperas do embarque.
PAÍSES MAIS EM CONTA PARA ESTUDAR
Destinos fora do eixo Estados Unidos–Reino Unido vêm ganhando espaço nos últimos anos por oferecerem custo de vida mais baixo ou regras mais flexíveis para estudantes.
Abaixo seguem alguns países com preços mais acessíveis para quem quer estudar inglês, segundo as agências de intercâmbio.
Irlanda
Dublin, na Irlanda, costuma aparecer entre as opções com melhor relação entre custo e benefício. Embora o país faça parte da Zona do Euro e não tenha custo de vida considerado baixo, ele pode ser mais vantajoso quando comparado a destinos tradicionais, como o Reino Unido.
Cidades como Dublin tendem a ter despesas menores do que Londres, por exemplo, e regiões como Cork ou Galway podem reduzir ainda mais os gastos com moradia e transporte. E tem mais: cursos de idiomas e universidades irlandesas geralmente apresentam valores mais acessíveis do que os praticados na Inglaterra.
Os brasileiros não precisam de visto para entrar na Irlanda como turistas por 90 dias. No entanto, se os seus planos forem passar desse período, será necessário solicitar um visto específico.
Malta
Localizada no Mediterrâneo, entre os continentes europeu e africano, Malta tem o euro como moeda oficial, mas apresenta custo de vida inferior ao de diversos países da Europa, assim como a Irlanda.
Outra vantagem é que brasileiros não precisam de visto para entrar no país com até 90 dias de permanência. É necessário apenas que o passaporte tenha validade de até 6 meses após a chegada.
Canadá
O Canadá está entre os destinos preferidos dos brasileiros quando o assunto é intercâmbio. O país combina boa estrutura educacional com custos competitivos, tanto para turismo quanto para estudo.
Nos programas de idiomas, o Canadá possibilita o aprendizado em inglês ou francês, com ampla oferta de cursos em escolas privadas e universidades. Em geral, os valores podem ser ligeiramente inferiores aos praticados na Irlanda.
Para graduação e pós-graduação, o país também pode apresentar mensalidades mais competitivas do que Estados Unidos e Reino Unido, com destaque para a variedade de bolsas voltadas especialmente à pós.
África do Sul
O país tem ganhado espaço entre brasileiros que buscam estudar inglês em um destino com custo de vida mais acessível. A Cidade do Cabo é o principal polo de intercâmbio, conhecida pelas praias, paisagens naturais e clima semelhante ao brasileiro.
Os valores dos cursos de idiomas, porém, não costumam ser muito inferiores aos de outros destinos. As passagens aéreas tendem a ser mais elevadas.
Para cursos de até três meses, não é necessário visto para brasileiros, o que reduz burocracia e despesas iniciais.
COMPARTILHAR ACOMODAÇÕES É UMA ALTERNATIVA
Definido o destino, é hora de escolher onde você ficará durante o intercâmbio. As acomodações mais em conta são:
Casa de família (homestay): o estudante tem uma imersão cultural e refeições;
Residência estudantil: oferecida por escolas e universidades, facilita a convivência com estudantes de diferentes países, além de ser bem localizada e próxima ao curso; e
Apartamentos compartilhados: proporcionam maior independência, porém, exigem flexibilidade para dividir espaço, despesas e as tarefas domésticas.
CURSOS HÍBRIDOS AJUDAM A REDUZIR CUSTOS
Países como Irlanda e Malta permitem que os estudantes trabalhem legalmente durante o intercâmbio. Na Irlanda, basta ter um visto de estudante, que pode ser solicitado em cursos de idiomas com pelo menos 25 semanas de duração.
Em Malta, estudantes de idiomas precisam estar no país há 90 dias para solicitar uma permissão de trabalho e estudo.
Na África do Sul, não é permitido trabalhar durante cursos de idiomas. Como alternativa, há programas de voluntariado que incluem hospedagem e suporte local, o que pode ajudar a reduzir parte das despesas.
No Canadá, não é permitido trabalhar durante o intercâmbio de idioma. Em cursos universitários ou de college, é possível combinar o curso com um emprego, conforme as regras do visto.
Embora o custo total varie conforme o destino e o perfil do estudante, algumas estratégias ajudam a tornar o projeto mais viável.
DICAS PARA REDUZIR O CUSTO DE UM INTERCÂMBIO
- Opte por cursos mais curtos, de três meses, em vez de programas longos;
- Trabalhe durante o intercâmbio, quando autorizado pelo visto;
- Compartilhe acomodação ou opte por homestay;
- Viaje na baixa temporada, quando passagens e aluguel são mais baratos; e
- Escolha cidades fora dos grandes centros ou países com custo de vida menor.
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