HP transforma lixo eletrônico de PCs em cobre para novos laptops
Em parceria com uma startup, a HP recupera cobre de placas de circuito de dispositivos antigos e o reutiliza em novos laptops, criando um ciclo fechado de reciclagem

Dentro de um novo laptop HP, o cobre do dissipador de calor vem diretamente de dispositivos HP antigos — tornando a empresa a primeira a reutilizar seu próprio metal reciclado em um ciclo fechado.
Em parceria com a HP, a startup neozelandesa Mint Innovation recebeu placas de circuito de milhares de computadores e servidores HP antigos e as reciclou para fornecer cobre puro e refinado de volta à empresa. O processo foi projetado para ser mais sustentável do que a fundição tradicional. Em vez de derreter metais em um forno — um processo poluente e que consome muita energia —, a startup usa uma combinação de produtos químicos e biologia para recuperar materiais valiosos.
“O que a HP está fazendo, na prática, é minerar o lixo eletrônico de seus próprios aparelhos.”
Matt Bedingfield
“O que a HP está fazendo, na prática, é minerar o lixo eletrônico de seus próprios aparelhos”, diz Matt Bedingfield, presidente da Mint. “Eles estão assumindo a responsabilidade por toda a sua cadeia de suprimentos para transformá-la na próxima geração de dispositivos.”
COMO FUNCIONA O PROCESSO
As placas de circuito antigas são trituradas e passam por uma série de tanques contendo materiais biológicos e produtos químicos personalizados que extraem metais como ouro e cobre.
Leia mais: Calculadora mostra quantos animais são salvos ao recolher plástico na praia
O processo de “biossorção” funciona como um ímã, usando elétrons para atrair elementos específicos. Quando o ouro é dissolvido, por exemplo, e elétrons são removidos de sua superfície, ele é atraído pela matéria biológica com elétrons extras.
O ouro “é o facilitador econômico” do processo, diz Bedingfield: “Se você não recuperar o ouro, não terá lucro. Então, depois do ouro, recuperamos o cobre, depois a prata, o estanho e o paládio.”
O cobre é particularmente importante no momento. “Nos EUA, neste momento, temos um déficit de cerca de um milhão de toneladas de cobre”, afirma ele. “O cobre é necessário para cada etapa da transição energética. É necessário para os data centers que estamos construindo. Portanto, essa lacuna só vai aumentar. Empresas como HP, Apple e outras OEMs em outros setores estão buscando cobre, para começar. E estão buscando cobre sustentável.”
Leia mais: Usar IA gasta água? Entenda o que são os data centers e como funcionam
Para a HP, isso faz parte de um esforço maior para ajudar a construir novas cadeias de suprimentos circulares para a indústria eletrônica. A qualidade do material reciclado é idêntica à do cobre novo, afirma a empresa.
A Mint recicla em lotes, o que permite rastrear diretamente se um material reciclado veio especificamente dos produtos de um determinado fabricante; em um forno, isso é impossível de rastrear. A empresa tem encomendas da HP para continuar reciclando lotes adicionais de produtos, diz Bedingfield.
Em seu primeiro projeto, a HP usou o cobre reciclado em dissipadores de calor porque sabia que tinha suprimento suficiente para equipar a série HP EliteBook X G2 e o PC com IA de última geração HP EliteBoard G1a. Trabalhos futuros podem envolver outros materiais, como ouro. Expandir a produção não será simples: a HP vende cerca de 57 milhões de laptops por ano — ficando atrás apenas da Lenovo, segundo a Gartner — e o lixo eletrônico específico de cada marca não é previsível. Mas a empresa está explorando maneiras de crescer.
Atualmente, a Mint opera em uma instalação protótipo em escala industrial na Austrália, mas está começando a construir uma linha de amostras no Texas. Seu objetivo é garantir investimentos de longo prazo para construir uma nova fábrica completa no Texas, que poderá ser inaugurada no próximo ano.
As instalações de reciclagem têm uma pequena pegada ecológica. "Elas são projetadas de forma que possamos ir até a sucata", diz Bedingfield. "Podemos ir até as cidades e descarregar os materiais nas usinas, então não precisamos transportar o material pelo mundo todo como acontece hoje em dia."