SP House traz presente do futuro para o SXSW 2026
Em entrevista à Fast Company Brasil, curador Franklin Costa explica por que para falar do futuro é preciso saber ler o presente

Priorizar o presente enquanto fala do futuro será o tema da programação de palestras da SP House durante o South by Southwest (SXSW). Com o lema “now over next”, o espaço do governo de São Paulo e da economia criativa paulista em Austin trará programação paralela cheia durante o festival.
De acordo com Franklin Costa, cofundador da consultoria oclb e curador do conteúdo da SP House no SXSW deste ano, a ideia é partir do agora para pensar no futuro. “Trata-se de um chamado para priorizarmos o aqui e o agora, a potência dos encontros presenciais e as inovações e pautas importantes de hoje”, diz.
Em meio a um evento com milhares de executivos e palestrantes, a SP House quer se destacar pela conexão criada. “A preocupação não é o que está acontecendo de forma paralela à casa, e sim em buscar respeitar ao máximo o tempo e a atenção de cada pessoa que escolheu estar ali naquele momento”.
Serão 58 horas de programação ao longo dos dias do festival, com capacidade estimada para receber até quatro mil pessoas por dia – número superior ao público das edições anteriores. Na grade, painéis sobre inteligência artificial, inovação, sustentabilidade e economia criativa contarão com figuras internacionais e nacionais.
“Em 2026, em particular, os brasileiros estão dominando a programação oficial do festival. Mas ainda somos muito pouco representados lá e temos uma potência criativa gigante, projetos inovadores fantásticos", afirma
Segundo ele, a presença crescente revela uma potência criativa que ainda busca mais espaço no cenário global. Costa lembra que há interesse maior dos estrangeiros em se conectar com os brasileiros. Tanto que o tema da SP House este ano será “não temos fronteiras".
NOW OVER NEXT
Entre os destaques da programação está o painel “The Future of Human Connection: What SXSW and Brazil Can Teach the World” (O futuro da conexão humana: o que o SXSW e o Brasil podem ensinar ao mundo), que acontece no dia 15, dentro da série SP Voices, da Fundação Itaú.
A conversa reúne Carol Romano, autora e pesquisadora sobre conexões humanas; Mariana Castro, editora-executiva da Fast Company Brasil; e Ricardo Al Makul, fundador e CEO da plataforma de conteúdo KES.
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O debate parte de uma pergunta central: o que o SXSW e a experiência brasileira podem ensinar ao mundo sobre relações humanas em um momento marcado pela aceleração tecnológica.
IA, REALIDADE E CULTURA NA PROGRAMAÇÃO
A agenda da SP House reflete discussões que também dominam o SXSW deste ano: o impacto da inteligência artificial na sociedade, o papel da cultura na construção de futuros e novas abordagens para enfrentar desafios globais.
No dia 13, o painel “The Right to Reality: Human Experience in a Post-AI World” (O direito à realidade: experiência humana em um mundo pós-IA) reúne Eduardo Saron, presidente da Fundação Itaú; a professora Dora Kaufman e o neurocientista Alvaro Machado Dias.

Eles vão discutir como a inteligência artificial está transformando a percepção do que é real em um mundo cada vez mais marcado por imagens sintéticas e narrativas automatizadas.
No dia 14, dois debates exploram a relação entre cultura, inovação e clima. “Ancestral Futures: Climate Action Through Arts, Culture, and Innovation” (Futuros ancestrais: ação climática através da arte, cultura e inovação) reúne Mayra Castro, Betina Ferraz, Vivian Nascimento e Jandaraci Araújo para discutir como saberes tradicionais e práticas culturais podem contribuir para soluções climáticas contemporâneas.
Já “Art, Culture, and the Futures We Make Now” (Arte, cultura e os futuros que fazemos agora), com o curador do Museu do Amanhã Fabio Scarano, a artista multidisciplinar Rejane Cantoni e a pesquisadora Sara Crosman propõe refletir sobre o papel da arte e da imaginação na construção de futuros possíveis.
A inteligência artificial também aparece como tema central no dia 15, com o painel “Building Protopia with AI: From Mental Models to Responsible Innovation” (Construindo a protopia com IA: de modelos mentais à inovação responsável), apresentado pela AWS.

A sessão reúne Daniel Duarte e Ricardo Alem, com mediação de Babi Bono, para discutir por que algumas iniciativas de inteligência artificial transformam organizações, enquanto outras fracassam.
Na sequência, o painel “The Uncomfortable Now: Why Hard Conversations Can’t Wait” (O desconfortável agora: por que conversas difíceis não podem esperar), apresentado pela Globo, reúne Amy Gallo, autora da Harvard Business Review, e o jornalista Nilson Klava para discutir como lidar com conversas difíceis em ambientes de trabalho cada vez mais complexos.
UMA VILA BRASILEIRA EM AUSTIN
Em 2026, a SP House estará ativa entre os dias 13 e 16 de março em um novo endereço na Congress Avenue, em Austin. O espaço cresceu e agora ocupa cerca de 2,2 mil m², com capacidade para receber até 600 pessoas simultaneamente.
Organizada pela Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e pela InvestSP, com apoio da Prefeitura de São Paulo, a iniciativa busca posicionar o estado como um polo global de inovação, economia criativa e negócios.

Além dos debates, a programação da SP House também inclui apresentações musicais que levam diferentes vertentes da cultura brasileira ao público internacional.
Entre os artistas confirmados estão Mariana Nolasco, Paula Lima, Di Ferrero e Unna X. O projeto Canto Djavan, que reúne Jota.Pê, Bruna Black e Melly, também integra a programação. O encerramento ficará por conta de Dominguinho, espetáculo que homenageia o mestre da sanfona com João Gomes, Mestrinho e Jota Pê.