IA do Google agora faz tarefas repetitivas no Docs e Sheets por você

Novos recursos do Gemini permitem gerar textos, analisar dados e atualizar slides usando informações da web e arquivos do Google Drive

novas funções da IA do Google
Créditos: Google/ Mitchell Luo/ Unsplash

Steven Melendez 3 minutos de leitura

O Google está lançando novos recursos de inteligência artificial projetados para preencher rapidamente documentos no Google Docs, Google Sheets e Google Slides usando dados da web e de arquivos já existentes do usuário.

A ideia geral é eliminar grande parte do trabalho repetitivo envolvido em preencher documentos baseados em modelos, transferir dados de arquivos salvos ou de fontes da internet para planilhas e ajustar apresentações de slides para incluir novos fatos e números – tudo isso refletindo preferências pessoais e profissionais expressas em trabalhos anteriores.

“Não basta simplesmente gerar um e-mail ou um briefing genérico”, diz Yulie Kwon Kim, vice-presidente de produto do Google Workspace. “As pessoas querem que a IA entenda seu contexto específico, entregando resultados muito personalizados para elas e para suas organizações.”

No Google Docs, isso significa poder instruir a IA Gemini a gerar um documento que imite o layout ou o estilo de escrita de outro documento, enriquecido com conteúdo de fontes adicionais armazenadas no Google Drive.

Segundo Frank Tisellano, líder de produto do Docs, mais de um terço dos documentos já são criados como cópias de outro arquivo. As novas funções de IA pretendem permitir que os usuários criem ao menos um primeiro rascunho de novos documentos quase instantaneamente.

No caso do Google Sheets, a IA consegue transformar pedidos em linguagem natural em planos detalhados de execução para filtrar, transformar e analisar dados.

Em uma demonstração transmitida ao vivo, Eric Birnbaum, que lidera a equipe de produto do Sheets, mostrou como a nova IA consegue filtrar rapidamente uma planilha complexa de dados imobiliários, encontrar propriedades que correspondam a determinados parâmetros em um bairro específico e gerar gráficos de barras e de pizza relevantes.

“O agente Gemini, assim como uma pessoa faria, volta e verifica seu próprio trabalho e corrige qualquer coisa que possa ter feito errado”, diz Birnbaum.

Ele também demonstrou um novo recurso de arrastar e soltar com IA para preencher automaticamente uma planilha com dados sobre grandes corporações, completando campos como cidade da sede, receita e valor de mercado com base em informações da web.

“Só de olhar para os cabeçalhos das colunas, o Gemini consegue entender como encontrar o que você precisa”, afirma.

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Ao gerar um plano que os usuários podem examinar e pedir que a IA ajuste, o Google espera reduzir preocupações sobre erros da inteligência artificial.

O Gemini também pode preencher apresentações no Google Slides com base em dados existentes, inclusive ajustando slides já criados para adicionar novas informações sem que o usuário precise redimensionar manualmente textos e gráficos.

Além disso, o Gemini pode ajudar a buscar e extrair informações de arquivos no Google Drive – por exemplo, compilando uma tabela de itens comprados a partir de uma pasta com recibos em PDF, sem necessariamente criar um novo documento.

Os novos recursos de IA estarão disponíveis primeiro para assinantes dos planos Pro e Ultra, além de empresas que participam do programa Gemini Alpha.

De modo geral, fabricantes de software corporativo vêm adicionando recursos de inteligência artificial cada vez mais abrangentes aos seus pacotes de produtos nos últimos anos, na tentativa de alcançar clientes curiosos sobre IA exatamente onde eles já trabalham.

Ao mesmo tempo, laboratórios de IA como Anthropic e OpenAI vêm lançando um número crescente de maneiras de realizar tarefas diretamente em suas próprias plataformas de inteligência artificial.

O Google – que afirma atender mais de três bilhões de usuários e 11 milhões de clientes pagantes com suas ferramentas do Workspace – espera que muitas dessas pessoas prefiram usar recursos de IA dentro dos softwares que já conhecem, em vez de recorrer a ferramentas externas.


SOBRE O AUTOR

Steven Melendez é jornalista independente e vive em Nova Orleans. saiba mais