Por que o futuro depende de como as crianças brincam

Abrir espaço para o livre brincar é fundamental para exercitar a imaginação pois, para construir um futuro mais próspero, é preciso primeiro imaginá-lo

brincadeira de criança
Créditos: pinstock/ ma_rish/ banjongseal324/ Getty Images

Redação Fast Company Brasil 2 minutos de leitura

No primeiro dia do festival South by Southwest (SXSW), uma palestra sobre infância abriu um debate que diz respeito a adultos, empresas e ao próprio futuro da criatividade.

No palco, Melissa Cash e Esther Huybreghts, da empresa Pok Pok, destacaram a ideia de que brincar é parte essencial de como aprendemos, pensamos e resolvemos problemas. O ponto de partida foi um convite inusitado. O público foi convidado a imaginar o gosto da própria cadeira. Seria doce, salgada, teria sabor de pistache?

Em seguida, outro exercício: pensar sobre uma nuvem. Sua textura, seu cheiro. A proposta foi lembrar algo que a vida adulta pode deixar de lado: a imaginação pode ser facilmente ativada. Uma sugestão sensorial é suficiente para abrir um universo de ideias.

Segundo as palestrantes, essa capacidade é a base de processos criativos – e está fortemente presente na infância.

A INFÂNCIA OTIMIZADA

A grande questão é como a nossa rotina atribulada está deixando pouco espaço justamente para o que é tão importante: o espaço para o tédio e o livre brincar.

A rotina de adultos hoje é uma sequência contínua de estímulos: notificações de trabalho no Slack, podcasts durante caminhadas, acesso às redes sociais no café da manhã, checar e-mails no intervalo de uma conversa. O tempo ocioso desapareceu.

A imaginação é a base de processos criativos e está fortemente presente na infância.

Como não poderia deixar de ser, essa mesma lógica impera com as crianças. Agendas cheias, atividades todos os dias, tudo planejado.

A intenção, na maioria dos casos, é estimular o seu desenvolvimento. Mas, paradoxalmente, o excesso de estímulo pode sufocar exatamente o que se quer incentivar: a curiosidade, a criatividade e a autonomia.

Entre tantas tarefas e a correria diária para que elas sejam realizadas, falta tempo para o tédio, para os espaços necessários que são um convite à imaginação.  

COMO O MUNDO PARECE QUANDO VOCÊ É CRIANÇA

Para ilustrar essa falta de espaço, Melissa Cach retratou a rotina matinal acelerada de uma família, do ponto de vista da criança.

Enquanto o adulto está cumprindo um check list – acordar, trocar de roupa, tomar banho, sair para a escola no horário –, para a criança, a experiência é outra coisa.

O cobertor é puxado no meio de um sonho sobre dinossauros. O banho acaba de forma repentina. A porta da creche se abre antes que a brincadeira chegue ao fim.

Ao inverter a perspectiva, a palestra propõe um exercício de empatia. Aquilo que para os adultos é prática, para as crianças é uma interrupção constante da imaginação.

LIVRE BRINCAR E A CONSTRUÇÃO DE FUTUROS

Ao longo da sessão, os participantes foram convidados a construir alguma coisa com os materiais disponíveis. A ideia era demonstrar um princípio central da brincadeira: quando a pressão por acerto diminui, a criatividade aumenta. Situações que, como nos jogos, podem gerar soluções inesperadas.

Leia mais: Disfarçada de brinquedo, esta escova de dentes estilo Lego pode ser a salvação

Em um mundo de automação crescente, a capacidade de imaginar, testar e combinar ideias é cada vez mais valiosa. No lugar de preencher a agenda das crianças na busca por seu desenvolvimento, abrir espaço para o livre brincar é fundamental para exercitar a imaginação. E, consequentemente, construir futuros mais prósperos – uma vez que para isso é preciso primeiro imaginá-los.


SOBRE O(A) AUTOR(A)

Conteúdo produzido pela Redação da Fast Company Brasil. saiba mais