Nike revela nova colaboração com o designer Hiroshi Fujiwara

O designer de streetwear compartilha seus novos modelos para o Nike Air Liquid Max, Mind 001 e Mind 002

tênis da Nike assinado pelo designer Hiroshi Fujiwara
Crédito: Nike

Mark Wilson 4 minutos de leitura

Hiroshi Fujiwara é talvez a pessoa mais dramaticamente iluminada que já entrevistei no Zoom.

Conhecido como o padrinho do streetwear, ele lançou sua própria marca aos 26 anos, esteve entre os primeiros DJs de hip-hop do Japão, escreveu uma coluna regular para a "Popeye" e hoje comanda sua própria consultoria criativa, a Fragment.

Ele topou conversar comigo sobre suas colaborações mais recentes com a Nike. Mas, em um mundo de collabs de tênis cada vez mais explícitas e exageradas, Fujiwara prefere operar com um toque sutil.

Seus três novos projetos para a Nike começam com sua interpretação do novo Nike Air Liquid Max – uma expansão orgânica da tecnologia Air Max, na qual as bolhas de ar parecem quase derreter ou se transformar sob os pés, como os dedos de uma rã.

tênis da Nike assinado pelo designer Hiroshi Fujiwara
Crédito: Nike

Fujiwara não mexeu nos materiais nem na silhueta. E é preciso apertar os olhos para perceber o texto branco discreto na lateral, com frases como “Fragment Concept Testing”. Mas ele transformou o swoosh em cromo e preencheu as três camadas impressas de pigmento no topo do tênis com diferentes tonalidades de preto.

Para o Nike Mind 001 – o chinelo projetado para acalmar a mente, que usa pequenos nódulos na sola para estimular uma sensação de mindfulness – Fujiwara também quis apostar no preto. Já para os nódulos, escolheu azul. Preto e “azul militar” são as cores registradas da Fragment.

“Pequenos detalhes são realmente importantes. Vejo alguns comentários de pessoas dizendo ‘ah, é só mudar a cor’; ‘são só coisinhas’. Mas essas pequenas coisas são muito importantes, especialmente em um tênis. Até mesmo um milímetro já faz diferença”, diz Fujiwara.

De fato, o Mind 001 ganha uma leitura completamente diferente em preto. Ainda assim, preto e azul parecem as piores cores possíveis para quem quer se destacar. Quando pergunto sobre sua relação específica com o azul na Fragment, Fujiwara conta um pouco mais sobre a origem dessa escolha.

tênis da Nike assinado pelo designer Hiroshi Fujiwara
Crédito: Nike

“O primeiro Air Jordan que tive, nos anos 80, era preto e azul”, diz. “E eu sempre gostei de preto e azul.” O tênis deixou uma marca tão forte em sua memória que ele acabou adotando essas combinações de cores da Nike como identidade própria – que, ocasionalmente, acaba reaplicando à marca de forma indireta.

UMA DESCULPA PARA OLHAR MAIS DE PERTO

As colaborações de Fujiwara com a Nike remontam aos anos 1990. Em certo momento, ele chegou a trabalhar com o lendário designer da marca Tinker Hatfield e com o então CEO Mark Parker em uma linha especial chamada HTM (Hiroshi, Tinker, Mark).

“Quando comecei a trabalhar com a Nike, no fim dos anos 90, havia muitas regras. Você não podia tocar no swoosh. No começo foi difícil. Mas depois me acostumei e até comecei a gostar”, conta Fujiwara. “A Nike já tinha seu próprio design criativo, então não quero mexer demais... Converso com os designers e gosto de respeitar o que eles fazem.”

tênis da Nike assinado pelo designer Hiroshi Fujiwara
Crédito: Nike

Essa mentalidade atravessa todas as colaborações e projetos de Fujiwara. Ele mantém o design simples. Mantém sua equipe enxuta. E mantém o negócio igualmente simples. A Fragment é um time criativo de apenas três pessoas, o que permite evitar a estrutura pesada e os custos de administrar uma marca tradicional.

Ainda assim, confesso que aprecio quando Fujiwara adota uma intervenção mais ousada nas silhuetas da Nike, como fez com o Nike Mind 002. Ele pediu um novo cabedal em Flyknit e, ao mesmo tempo, se afastou da dupla preto/ azul ao introduzir um segundo esquema de cores chamado “cinza particulado”.

tênis da Nike assinado pelo designer Hiroshi Fujiwara

Olhando mais de perto, surgem ainda mais nuances. A parte superior do tênis tem uma textura felpuda, — quase como lã. Toda essa maciez é contida por um sistema de cadarço de desempenho com ajuste único, operado com ferragens próprias da Fragment que travam o tênis como um cordão tipo nó de gravata.

Embora a silhueta em si permaneça a mesma, Fujiwara introduziu uma nova palmilha interna que eleva o calcanhar, dando ao modelo mais impulso para a frente em comparação ao que vemos no Mind 002.

Críticos de sneakers têm elogiado bastante a abordagem de Fujiwara no Mind 002, e sua intervenção mais visível parece ser exatamente o que os fãs querem. Ainda assim, no fim das contas, ele pede que você continue olhando mais de perto.

tênis da Nike assinado pelo designer Hiroshi Fujiwara
Crédito: Nike

“Quando era muito jovem, a informação que eu tinha eram apenas fotos em revistas. Fotos das pessoas de quem eu gostava. Eu queria ver: o que elas têm no armário? O que aparece nos pôsteres delas? Esses pequenos detalhes”, diz. “Mas hoje muita gente [não chega a esse ponto] porque já tem informação demais.”


SOBRE O AUTOR

Mark Wilson é redator sênior da Fast Company. Escreve sobre design, tecnologia e cultura há quase 15 anos. saiba mais